Um teto azul com estrelas amarelas ajudou pesquisadores a investigar uma tumba atribuída a um faraó do Egito

Descoberta da entrada da tumba

A entrada da tumba atribuída a Tutmés II foi descoberta em 2022, localizada a oeste de Luxor, perto do famoso Vale dos Reis. O acesso estava coberto por pedras e sedimentos, dificultando as escavações e a análise das partes internas. Após um trabalho minucioso de remoção de detritos e a superação de barreiras naturais, os pesquisadores puderam acessar corredores danificados e partes da decoração intacta.

Durante a escavação, foram encontrados fragmentos de um teto azul decorado com estrelas amarelas, um elemento comum nas sepulturas reais egípcias. Essa característica não apenas indicava a função funerária do lugar, mas também direcionou as investigações para a possível ligação com o faraó, cuja história está intimamente conectada à região.

Significado da decoração e textos religiosos

Os fragmentos de teto azul com estrelas amarelas estavam acompanhados por partes do Amduat, um texto religioso que narra a jornada do deus solar Rá pelo submundo, o que reforça a hipótese de que o local era destinado a sepultamentos reais. Essa combinação de elementos simbólicos apontou para um espaço reservado para rituais de passagem após a morte, caracterizando a importância do sepultamento.

tumba de Tutmés II

Apesar das evidências, a simples presença dessas decorações e inscrições não foi suficiente para identificar o ocupante da tumba. A verdadeira chave para a atribuição da tumba a Tutmés II veio através de fragmentos de vasos de alabastro que foram encontrados, os quais continham inscrições com o nome do faraó e de sua esposa, Hatshepsut. Esses achados foram cruciais para confirmar a identidade do proprietário da sepultura, culminando na revelação oficial em 2025.

Identificação através de vasos de alabastro

A identificação da tumba de Tutmés II foi facilitada por um conjunto significativo de evidências materiais. Fragmentos de vasos de alabastro, decorados e inscritos, foram uma descoberta fundamental que ajudou a corroborar a vinculação do local ao faraó. O nome ‘Tutmes’ aparecia junto ao da rainha Hatshepsut, indicando que eles compartilham a história dessa importante construção funerária.

Desafios enfrentados durante a escavação

Durante as escavações, a equipe arqueológica enfrentou desafios significativos devido aos danos causados por enchentes antigas. O acúmulo de água e detritos ao longo dos séculos havia comprometido a integridade estrutural dos corredores e da própria entrada da tumba, fazendo com que partes do teto desabassem e criando camadas de lama endurecida. Essa situação exigiu cuidado redobrado para que os arqueólogos pudessem trabalhar sob condições potencialmente perigosas.

Além disso, a transferência de conteúdo da tumba após as inundações originais complica ainda mais a interpretação do que poderia ter sido retirado do local. A escavação revelou apenas fragmentos do que pode ter sido um ambiente mais ricamente decorado e equipado, comum entre sepulturas reais. Assim, a pesquisa continua em busca de entender completamente a história e o significado da tumba de Tutmés II, que permanece envolta em mistérios.