Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Caindo na Braquiária

Cinco destaques no álbum da pecuária de 2019

Alexandre Zadra

Aí você olha ao redor e percebe que não está sozinho no mundo da produção animal. Pessoas de todo tipo dividem o espaço com você; pesquisadores, veganos, chineses, analistas de mercado, cozinheiros, ecologistas, fazendeiros tradicionais. Vem, então, a pergunta: “O que tenho em comum com essa gente de pensamentos tão diferentes?”. Mesmo quando alguns deles parecem ser completamente distintos de nós no modo de pensar e nos princípios, podemos, com algum esforço, encontrar pontos sinérgicos com todos supracitados. Citei os tipos acima porque tais peças foram protagonistas importantes na cadeia da carne, colaborando com o sucesso da pecuária em 2019, além de fazerem parte de acontecimentos polêmicos e, ao mesmo tempo, marcantes para o setor. Destaco 5 deles, os quais merecem uma reflexão sem maiores radicalismos.

1 Desmatamento: De acordo com artigo publicado no dia 22 de novembro, no jornal O Estadão, dados levantados pelo Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apontam aumento de derrubadas nas Unidades de Conservação (UCs) de 84% em 2019 em relação ao ano passado. A unidade mais comprometida foi a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo de Xingu, localizada no entorno da BR-163. Foi nessa região que houve o Dia do Fogo, no começo de agosto, que ajudou a impulsionar as queimadas no bioma.

Cidades como Altamira, São Felix do Xingu, Castelo dos Sonhos e Novo Progresso possuem terras de qualidade para produção de grãos e pecuária, nas quais, a meu ver, deveria, realmente, ser feito um zoneamento, definindo-se áreas com aptidão agropecuária, bem como as áreas de proteção ambiental. Sabe-se que muitos proprietários no bioma amazônico não possuem o título da terra. Poderiamos minimizar esse problema concedendo o título a esses agricultores ali instalados. Dessa forma, seriam estimulados a conservarem suas APPs através do pagamento de um valor mensal atrelado à fiscalização pelo INPE. Outra forma de se manter a mata é flexibilizar a exploração racional das áreas indígenas, como vem sinalizando o governo.

2 Peste Suína Africana (PSA): A Ásia, neste ano, foi acometida por essa moléstia que obrigou a realização do abate de milhares de cabeças de suínos naquele continente. Para se ter uma ideia, a China – que produz, anualmente 54 milhões de toneladas de carne suína, abateu 40% de seu rebanho conforme artigo do Estadão de 27 de novembro de Francisco Turra (presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal). Ele ainda destaca que outros países deverão diminuir muito seu rebanho, como o Vietnã, que abateu 20% de seu rebanho suíno.

Para se ter ideia da catástrofe que a PSA causou, o Brasil, que tem o quarto maior rebanho suíno do mundo, produz 4 milhões de toneladas/ano. Especialistas afirmam que a reconstituição do rebanho mundial deverá se dar entre cinco e dez anos.

3 Habilitação de frigoríficos de bovinos para a China: O ano de 2019 consolidou-se como o ano chinês para o Brasil. Contêineres lotados de carne bovina estão tomando conta dos nossos portos em direção ao gigante asiático. Desmonta-se o boi, retira-se (por enquanto) a picanha e a maminha, e todo o restante do boi vai para a China. Para a nossa sorte, Xi Jinping tornou seu país o principal parceiro comercial do Brasil. Como Luciano Andrade, gestor de carnes especiais do Minerva, afirma: “Zadra, por enquanto, eles comem nossa carne picada e colocada na sopa. Imagina quando comerem um bife de verdade!”.

4 Consolidação do mercado de carnes especiais: Podemos considerar que este ano foi excelente para indústrias que procuraram desenvolver alianças com criadores que produzem e fornecem carcaças de animais jovens com carne macia. O mercado cresceu exponencialmente, surgindo uma centena de marcas e outra de profissionais churrasqueiros com seus instrutivos programas na TV de como assar de forma correta cada corte bovino.

O resultado prático desse movimento para o criador será o incremento do uso da inseminação artificial com raças europeias, além da melhora do manejo nutricional do rebanho, a fim de se produzir um animal cruzado e que vá para o abate bem jovem.

5 Arroba a R$ 200,00 ou mais: Espetacular! Finalmente, o reajuste merecido no preço da arroba. Recordo-me que o último reajuste ocorrido no nosso produto aconteceu em 2013. Já temos na bolsa cotações para 2020 bem acima de R$ 200,00 na arroba. Enfim, como sempre digo: “Carne é produto nobre. Quem não tem condições de comprar comerá hambúrguer vegano. A carne será consumida pelos mais abastados e por aqueles que possuem um pedacinho de terra com sua novilha engordando”. Que venha 2020!

Alexandre Zadra - Zootecnista [email protected] www.crossbreeding.com.br