Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Brasil de A a Z

2020 será o ano de redenção da pecuária brasileira. Quem não acredita? Quem vai surfar esta onda?

William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Olá, amigos agropecuaristas! Quando escrevo esta coluna, estamos no terço final de novembro, o País já apresenta chuvas regulares, e o verde de nossa bandeira toma conta das terras que visitei.

Na pecuária, a oferta de boi de confinamento está diminuindo, cenário típico desta época do ano, e, neste mês, o preço da @ não para de subir, com ganhos acumulados expressivos, variando de 12% a 18%, dependendo do estado. No dia 18 de novembro, uma segunda-feira, o preço da @ em Barretos (SP) bateu a histórica marca de R$200,00 à vista! Hoje o preço disparou ainda mais, nesta quinta-feira dia 21, soubemos de negócios fechados em SP a R$230,00!! Esses valores superaram as expectativas até mesmo dos mais otimistas se consultados há 1 ano. Para contratos futuros, o cenário se projeta muito positivo desde meados de novembro, com a @ cotada em R$ 218,00 para agosto de 2020, o que fez com que a reposição, escassa no mercado, se valorizasse ainda mais.

Obviamente, com todo esse clima de otimismo, existe maior retenção de fêmeas e, consequentemente, maior valorização do bezerro. Também é notada a valorização da boa genética de cria: a boa bezerra, novilha ou vaca é sempre um produto raro no mercado, pois quem seleciona bem não vende muita cabeceira; e quem não seleciona bem, e sempre vendeu a cabeceira, não deve evoluir para um rebanho tão bom assim. Fêmeas boas valem ouro, e o diferencial de preço no investimento em melhor genética se paga com facilidade.

Será que o mercado está otimista demais? Não, o cenário é que é muito positivo – mesmo depois da pancada que tomamos do STF. Creio que, agora, o Brasil entrará nos eixos com a aprovação da reforma da Previdência e a venda de ativos do Estado, o que poderá incentivar o investimento externo em infraestrutura, em conjunto com o posicionamento do Governo em reuniões da ONU e do Brics (grupo dos cinco grandes países com economia emergente), além de outros acordos comerciais recentes com economias importantes, como os Estados Unidos e até a Arábia Saudita.

A partir daí, não temos muito como retroceder na pecuária, atividade em que temos um dos menores custos de produção do mundo! Só para a Ásia, o potencial de exportação de carnes é absurdo, ou seja, temos riscos mitigados com perspectivas de crescimento de nossa economia, fortalecendo o mercado interno de 210,1 milhões de habitantes (IBGE), e o potencial de exportação com horizontes colossais.

E quem vai surfar esta onda é quem investiu numa pecuária eficiente, que acreditou que o touro melhorador não é custo, é investimento. E, ainda, quem está com as pastagens em ordem na fazenda, quem entendeu que, enquanto pecuarista, deveria atuar como “agricultor de capim” e quem teve a habilidade de trabalhar com a genética mais apropriada para a sua realidade. A média da nossa pecuária é boa. Sendo assim, teremos aqueles que estão acima da média, surfando a crista da onda; os medianos, acompanhando o embalo da corrente; e, por último, os perdidos no meio da rebentação em virtude da sequência de erros cometidos. Para aqueles que acenam por socorro, meu conselho é, se ainda estiver em tempo: “Ano novo, vida nova! Mudança!”.

Como esta é a última coluna de 2019, gostaria de desejar um Feliz Natal para todos, e que, neste Ano Novo, todos tenham muita “sorte” e aproveitem a maré boa na pecuária. É isso aí. Vamos que vamos!