Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

Informação com credibilidade há 17 anos!

Santo Capim

PASTAGENS IRRIGADAS
(parte 3)

Dando continuidade à série de artigos sobre pastagens irrigadas, este terceiro ainda trata da etapa de execução de um projeto em sistema de pastagem irrigada.

Estando a pastagem estabelecida, antes da preocupação com o manejo do pastejo, deve-se planejar a implantação da infraestrutura, dimensionando as medidas dos recursos piquete, áreas de descanso, cochos para suplementação, fontes de água, sombreamento e corredores de acesso ao curral e aos piquetes. Esse planejamento é ainda mais critico em uma pastagem irrigada por causa das altas densidades de lotação, principalmente nas estações de primavera e verão. O número de animais por lote, em pastagens irrigadas, tem variado entre 150 a 2,1 mil.

Quando do dimensionamento e da construção de piquetes, é importante planejar o seu formato, a sua área e o tipo de cerca para sua redivisão. Quando do dimensionamento e da construção das áreas de descanso, é importante planejar o sombreamento, a fonte de água, os cochos para a suplementação dos animais e os corredores de acesso aos piquetes.

Vários experimentos foram conduzidos no Brasil, a partir do final dos anos 1990, comparando o manejo do pastejo orientado pela metodologia tradicional - com a mudança de animais dos piquetes baseado em dias fixos de ocupação e de descanso -, com o manejo do pastejo orientado pela metodologia das alturas-alvo para cada espécie/ cultivar forrageira, que, fundamentalmente, reflete o momento em que o relvado das forrageiras está interceptando 95% da luz solar incidente.

O manejo do pastejo orientado pela metodologia tradicional não leva em consideração os fundamentos de fisiologia das plantas forrageiras, entre os quais o de que a planta não responde ao calendário humano, ou seja, a segundos, minutos, horas, dias, semanas ou meses –, e sim a fatores de crescimento, tais como radiação solar, luz incidente, temperatura ambiente, água e nutrientes disponíveis no solo. Assim, quando aqueles fatores estão em sua disponibilidade máxima, como em uma pastagem irrigada, o crescimento da planta (expansão diária em centímetros) e o acúmulo de forragem (kg de matéria seca/hectare) são também maximizados, o que leva à necessidade de encurtar os períodos de ocupação e de descanso em cada piquete (o que significa encurtar o ciclo de pastejo) e aumentar a taxa de lotação e vice-versa.

Resumidamente, quando o manejo do pastejo foi orientado pelas alturas-alvo, os resultados daquelas pesquisas comparativas foram os seguintes:

1º) a planta forrageira acumulou mais forragem, composta por maior proporção de folhas verdes e menor proporção de folhas e de caules secos;

2º) a planta forrageira acumulou mais forragem com maiores teores de proteína, menores teores de fibra e maior digestibilidade;

3º) as perdas de forragem por tombamento ou na planta foram menores, o que levou a maiores capacidades de suporte com aumentos entre 37% e 43% neste índice;

4º) os animais que pastejaram nos piquetes em que o manejo do pastejo foi orientado pela altura-alvo consumiram mais forragem (aumentos entre 10% e 43%), de melhor qualidade, e, consequentemente, apresentaram maior desempenho (aumentos entre 18% e 319%);

5º) em consequência das maiores capacidades de suporte e do maior desempenho animal, a produtividade por hectare de carne aumentou entre 7% e 119%.

Uma vez estabelecidas a pastagem e a sua infraestrutura, e adotados os procedimentos de manejo do pastejo, é preciso gerir o crescimento e a produção de forragem, como também a sua utilização e a sua conversão em carne. As limitações para o crescimento de plantas no mundo se distribuem assim: em 36% do globo terrestre, o crescimento é limitado pela temperatura; em 31%, por déficit hídrico; em 24%, por ambos os elementos climáticos; e em apenas 9% não há limitações de temperatura e de déficit hídrico. Assim, mesmo em uma pastagem irrigada, devido à redução no fotoperíodo e na temperatura ambiente nas estações de outono e inverno, a pastagem apresentará uma estacionalidade de produção de forragem.

As tecnologias de intensificação da produção da pastagem através da correção, da adubação e da irrigação do solo aumentam as taxas de acúmulo de forragem de forma expressiva, principalmente no inverno, em comparação com a pastagem manejada intensivamente, mas sem irrigação. Entretanto, não é possível eliminar a estacionalidade de produção de forragem, daí então a necessidade de, mesmo nesse sistema, se fazer o planejamento alimentar para o rebanho. Aguarde a próxima edição.