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Suplementação

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Estratégias para recria de bovinos mantidos em pastagens nas águas

Flávio Augusto Portela Santos*

A utilização de pastagens como único alimento apresenta limitações de ordem nutricional e não nutricional que podem restringir ganhos de peso elevados de bovinos nas fases de recria e terminação. O ganho de peso dos animais a pasto é determinado, principalmente, pela ingestão de nutrientes, a qual é determinada pelo consumo de forragem. O consumo de forragem é limitado por fatores comportamentais do animal (frações do dia pré-destinadas a atividades de ruminação, ócio e pastejo) e por fatores relacionados diretamente com o manejo do pasto, como a oferta de forragem, a estrutura do pasto e a composição química da forragem.

Figura 1 - Consumo de forragem (r2=0,66) e total de matéria seca (r2=0,35) em função de níveis de suplementação no período das águas consumindo FAQ. Efeito de nível de suplementação (P=0.0001), efeito da qualidade da forragem (P=0.0007), efeito da interação qualidade da forragem *níveis de suplementação (P=0.0081)

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O avanço do conhecimento de práticas de manejo de pastagens tropicais tem sido expressivo, entretanto, animais mantidos em pastagens tropicais bem manejadas não são capazes de expressarem todo seu potencial de ganho de peso. Isso se deve ao gasto energético com a atividade de pastejo e a restrições na ingestão de energia, seja por limitações na colheita de forragem e/ou por efeito de enchimento ruminal.

Nesse sentido, mecanismos que reduzam as limitações impostas por esses fatores, como o uso da suplementação com alimentos concentrados, têm potencial comprovado para aumentar o desempenho animal e a produtividade de sistemas a pasto. O uso da suplementação concentrada vem sendo adotado cada vez mais pelos pecuaristas, como ferramenta para aumento do desempenho animal e taxa de lotação.

Para se ter sucesso com a suplementação com concentrado nas águas é preciso entender como a suplementação interfere com consumo de forragem, lotação do pasto, desempenho animal e produção por área. Os dados apresentados neste artigo foram compilados de artigos publicados por Santos et al. (2014 – Simpósio da Universidade da Flórida) e por Santos e Dórea (2015 – Anais do Simpósio de Pastagem da Esalq).

Foi realizada meta-análise de dados de trabalhos de pesquisa para avaliar o efeito da suplementação com concentrado sobre o consumo voluntário de forragem e total de bovinos mantidos em pastagens com teores de proteína bruta acima de 9% da MS (Figura 1).

Figura 2 - Efeito da suplementação na taxa de lotação dos pastos

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O consumo de forragem dos animais não suplementados foi de 2,35% do PC (peso de carcaça).

A suplementação reduziu o consumo de forragem, conforme era esperado. Para cada 1% do PC de consumo de suplemento, houve redução de 0,65% no consumo de forragem. Já o consumo total foi aumentado em apenas 0,34% do PC, para cada 1% do PC suplementado. Esse efeito de substituição é mais acentuado para animais suplementados em pastagens de alto valor nutritivo do que em pastagens de baixo valor nutritivo. Uma vez que a suplementação não causou prejuízos (redução) no CMS (consumo de matéria seca) total, o efeito de substituição deve ser analisado positivamente, pois o excedente de forragem gerado pela substituição deverá ser aproveitado através do aumento de animais na área, resultando no aumento da taxa de lotação das pastagens.

O aumento do desempenho através da maior ingestão de nutrientes e da taxa de lotação em função do efeito de substituição é benefício da suplementação concentrada que deve ser aproveitada pelo produtor para aumento da produtividade (quilo de carne por hectare).

Efeito na lotação e desempenho

De acordo com a Figura 2, a suplementação na dose de 1% do peso corporal aumentou a lotação dos pastos de 3,27 para 4,44 UA/ ha, ou seja, aumentou a lotação em 36%.

Na Tabela 1, são apresentados dados de desempenho de 1.058 animais com peso corporal médio de 278 kg, mantidos em pastagens com teores de proteína bruta superiores a 7% e suplementados ou não com concentrado.

A suplementação aumentou o ganho de peso dos animais mantidos em pastagens de boa qualidade em relação aos animais não suplementados, não havendo diferença em desempenho quanto ao tipo de suplemento.

Na Figura 3, são apresentados os dados de resposta em GPD a doses crescentes de suplemento. Foram compilados 21 estudos com pastos contendo mais que 9% de PB.

Tabela 1 - Efeito de diferentes tipos de suplementos (proteico, energético e proteico- -energético) sobre o desempenho de animais mantidos em pastagens com PB > 7%

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Efeito no ganho por área

Na Tabela 2, são apresentados dados compilados de seis experimentos conduzidos no Departamento de Zootecnia da Esalq/USP sobre suplementação energética (0,6% do PV) de bovinos mantidos em pastagens manejadas em sistema rotacionado, com taxas altas de lotação.

Figura 3 – Ganho de peso médio diário versus nível de suplementação

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A suplementação energética nas águas, na dose de 0,6% do PC, aumentou o GPD dos animais, a lotação dos pastos e o ganho de peso vivo por área.

Tabela 2 - Compilado dos resultados de experimentos realizados no departamento de Zootecnia da Esalq/USP

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Conclusões

A suplementação de bovinos em recria mantidos em pastagens bem manejadas nas águas é efetiva para aumentar o GPD dos animais e a lotação dos pastos, com consequente efeito marcante na produção por área.

*Flávio Portela é professor do Departamento de Zootecnia da Esalq/USP