Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Abate

Abate aumenta

Abate

Felippe Reis*

Em um ano em que a economia apresentou resultados melhores que nos anteriores, o abate de bovinos cresceu.

No primeiro semestre, o abate de fêmeas foi 8,2% maior, na comparação com o primeiro semestre de 2017. Foram 530,993 mil fêmeas a mais para o gancho (IBGE).

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Figura 1 - Variação mensal do abate de bovinos (machos e fêmeas) em 2018 em relação a 2017, considerando o primeiro semestre

Nesse mesmo período, o abate total de bovinos (machos + fêmeas) aumentou 4,3%, ou 636,652 mil cabeças, frente ao mesmo período de 2017 (IBGE).

Ou seja, a participação das fêmeas no abate de bovinos no primeiro semestre frente ao mesmo período de 2017 foi de 83,4%.

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Figura 2 - Participação das fêmeas no abate total de bovinos nos primeiros semestres e cotação da arroba do boi gordo, em São Paulo, em R$/@, deflacionados pelo IGP-DI, de 1997 a 2018

Apenas em maio, na comparação mês a mês, o abate foi menor em 2018 em relação ao ano anterior, uma queda de 16%. Em abril, o abate de bovinos (machos + fêmeas) foi 22,6% maior em 2018 em comparação com 2017.

Deve-se lembrar que, em março e abril de 2017, tivemos a operação Carne Fraca, cuja consequência foi a queda das cotações do boi gordo, que provocou um decréscimo do abate, com o desempenho desabando para 2,13 milhões de cabeças, a menor quantidade para o mês desde 2004, quando foram abatidos 2,02 milhões de bovinos.

A retomada da economia, apesar do crescimento modesto, e a alta do dólar em 2018 ajudaram a exportação, o que contribuiu com o escoamento da carne bovina, cuja oferta está maior em relação a 2017.

Ciclo pecuário

Com aumento do descarte de fêmeas, em 2017 e 2018 (nos primeiros semestres, a participação das fêmeas no abate total foi de 43,9%, em 2017, e 45,5% em 2018), e a consequente maior oferta de carne bovina no mercado, os preços cederam nos últimos dois anos.

No primeiro semestre, a participação de fêmeas no abate total de bovinos foi o quarto maior dos últimos 20 anos, ficando atrás apenas do abate de 2006 (quando a participação de fêmeas no abate total foi de 46,6%), de 2013 (46,3%) e de 2014 (45,7%), anos que precederam o ciclo de alta.

A composição do abate de bovinos (machos + fêmeas) é um indicador do rumo do ciclo de preços.

A expectativa é de que a cotação da arroba do boi gordo ganhe força a partir de meados de 2019, sendo que esse movimento de alta deve ser evidente em 2020.

Expectativas

A maior participação de fêmeas no abate total de bovinos em 2017 e 2018 deve resultar em menor oferta de bovinos terminados para o abate nos próximos anos.

O resultado disso será a inversão do ciclo pecuário, com alta de preços no mercado do boi gordo e, consequentemente, retenção de fêmeas para a produção de bezerros.

Outro fator que poderá contribuir com a valorização da arroba é a melhora da economia. Segundo o relatório Focus divulgado no dia 12/11/2018 pelo Banco Central, o PIB (Produto Interno Bruto) deverá crescer a uma taxa de 2,5% nos próximos três anos.

A melhora da economia pode resultar em aumento do consumo interno de carne bovina, refletindo nos preços no mercado do boi, aumentando a intenção do pecuarista em reter fêmeas para aumentar a produção e aproveitar a alta de preços.

*Felippe Reis é zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria