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Santo Capim

PRAGAS: CIGARRINHAS QUE ATACAM PASTAGENS (Parte 1)

Santo

Adilson de Paula Almeida Aguiar é zootecnista, investidor nas atividades de pecuária de corte e leite, professor de Forragicultura e Nutrição Animal e Consultor Associado da Consupec - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda.

As pastagens, como qualquer outra cultura cultivada pelo homem, são atacadas por pragas. Elas são classificadas como ocasionais – cochonilha-da-pastagem, lagarta- dos-capinzais e percevejo- das-gramíneas – e gerais – cupins, formigas, gafanhotos, percevejo-castanho-das-raízes e larva de besouro escarabeídeo –, mas a praga específica da pastagem é a cigarrinha. São as que mais causam danos e prejuízos econômicos à atividade de produção animal em pasto.

Definição: as cigarrinhas são insetos da ordem Homoptera, da família Cercopidae. São sugadoras apenas de gramíneas (capins). Sugam a seiva na fase imatura e são toxicogênicos na fase adulta, à exceção das cigarrinhas-dos- -canaviais, cujas ninfas também são toxicogênicas. Todas as cigarrinhas de pastagens são autóctones, ou seja, nativas.

Ciclo de vida: as cigarrinhas são insetos que se desenvolvem por hemimetabolia (fases ovo – ninfa – adulto), passando pelas seguintes etapas:

1) Eclosão das ninfas provenientes de ovos em diapausa no início das chuvas, mas pode ocorrer o ano inteiro em regiões com chuvas distribuídas ao longo do ano e em pastagens irrigadas;

2) As ninfas se alojam na base da touceira da planta, junto ao solo, produzem uma espuma branca por meio da glândula de Bateli, que as protege de dessecação solar e do controle de inseticidas químicos.

3) Em média, o ciclo de vida compreende os seguintes períodos: incubação – 15 dias; ninfal – 35 dias; pré-ovoposição – três dias; adultos – dez dias; acasalamento e ovoposição – nova geração.

Danos causados: variam entre 10% e 100%. As ninfas das cigarrinhas-da-pastagem causam algum estrago, mas, no caso da cigarrinha-da-cana (Mahanarva fimbriolata), os prejuízos são mais severos, mesmo os causados pelas ninfas. Os adultos são os responsáveis pelas maiores perdas. Injetam dois grupos de substâncias: um se coagula no interior do tecido das folhas, possivelmente desorganizando o transporte da seiva, e outro é composto por substâncias solúveis, que se translocam para o ápice das folhas (ponta), provocando morte dos tecidos. Em consequência das ações daquelas substâncias, aparecem os sintomas típicos do ataque das cigarrinhas nas pastagens, como se fosse uma “queima” pela geada ou o efeito da aplicação de herbicidas dessecantes.

Como consequência dos ataques, ocorre redução na produção de forragem, com consequente redução da capacidade de suporte da pastagem, o que leva à necessidade de o produtor reduzir a taxa de lotação da pastagem. Com 25 adultos/m2 de Notozulia entreriana, durante dez dias, a produção de matéria seca caiu 30% em Brachiaria decumbens. Constataram também redução significativa no crescimento de raízes.

As toxinas injetadas ainda provocam uma queda do valor nutritivo da forragem por empobrecer sua composição química com menores teores de proteína, fósforo, magnésio, potássio, cálcio e maiores teores de fibra, menor digestibilidade, com consequente redução no desempenho dos animais. A queda dos teores de proteína bruta, extrato etéreo, cálcio, fósforo e zinco podem ser da ordem de 20% a 50%.

Alternativas de controle serão apresentadas e explicadas na próxima edição, aguarde!