Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Caindo na Braquiária

Dúvidas interessantes sobre cruzamento

Caindo

Nas últimas edições da presente coluna, venho levando a público dúvidas de produtores a respeito de cruzamento, dirimindo-as, na medida do possível, através de resultados já vividos por mim no campo. Compartilho porque podem interessar a outros leitores. Vou dividir, na coluna desta edição, outra dúvida de um amigo que me acompanha na minha jornada genética.

Ela vem do Vale do Rio Doce, onde Luciano Hott cria gado de corte nessa rica região do estado de Minas Gerais, tendo como a principal cidade Governador Valadares, sendo conhecida como o Vale do Aço.

“Acompanho seus esclarecimentos sempre e pensei em lhe perguntar se o Brangus vai bem no Leste de Minas, região do Vale do Rio Doce. Isso porque estou naquele velho dilema do que fazer com as novilhas meio-sangue Angus que estarão aptas nesta estação. Tenho creep feeding na propriedade. Faço cria para venda de machos e reposição de matrizes para aumento de rebanho. Minha base é Nelore. Estou com alguns Touros Nelore, Senepol e sêmen de Caracu Mocho. Posso investir também em sêmen de Brangus para IATF? Pensando no melhor e mais amplo desfrute da propriedade e dos animais, qual o melhor caminho para esse meu sistema”, questionou Hott.

Sabemos que a grande maioria dos criadores não utiliza as fêmeas tricross para reposição de matrizes, o que não é o seu caso, Hott. Para atender ao seu propósito de retenção de matrizes para reprodução, você precisa usar raças tropicais, pois, para quem me acompanha, tenho a máxima que toda matriz eficiente nos trópicos, como na sua região, deve ter pelo zero, ou seja, ser tolerante a altas temperaturas.

No seu caso, como suas F1 Angus-Nelore são novilhas, recomendo o uso de um taurino tropical, seja Senepol ou Caracu. Dessa forma, não terá problemas de parto, produzindo, ainda, fêmeas tricross adaptadas para seu clima, além de bezerros e bois pesados e precoces. Outra vantagem de se usar um taurino sobre suas F1 Angus-Nelore se refere à possibilidade de comercialização do tricross em programas de carne de qualidade, recebendo premiação extra no abate.

Lembro que as novilhas tricross produzidas com o Senepol ou o Caracu não terão a mesma precocidade sexual das fêmeas F1 Angus-Nelore, mas, com um pouco de capricho na recria, enxertará as mesmas com 18 meses. As tricross Senepol serão menores que as congêneres Caracu, sendo ambas excelentes matrizes. Se quiser usar Nelore no cruzamento, aguarde para usá-lo nas suas F1 Angus adultas, pois o uso de Nelore em novilhas F1 Angus-Nelore pode gerar distocias”.

O uso de sêmen Brangus nas suas novilhas F1 Angus-Nelore é uma grande opção no caso de comercializar todos produtos, pois esses tricross Brangus x F1 Angus-Nelore apresentam menor tolerância ao calor e a carrapatos que o animal tricross de raças tropicais. No caso de decidir, futuramente, recriar e engordar os animais tricross Brangus x F1 Angus-Nelore, não hesite em caprichar na suplementação alimentar. Além de bons pastos, eles devem receber ração balanceada desde a desmama até o abate, pois, como apresentam metabolismo relativamente alto, terão apetite diminuído no calor, devendo receber ração para compensar a falta de ingestão de forragem”.

Concluindo, resumi:

1) Use sêmen do Caracu mocho nas F1 Angus-Nelore.

2) Repasse as F1 com touros Senepol.

3) Quando as F1 forem multíparas pode usar touros Nelore.

2ª fase – Sobre as tricross Caracu e Senepol adaptadas:

1) Nas matrizes tricross Caracu e Senepol, insemine com Brangus, Braford ou Bonsmara, gerando fêmeas adaptadas para reposição de plantel e machos pesados para venda.

É uma grande satisfação poder compartilhar a experiência do campo na área de cruzamento com os amigos leitores.

Alexandre Zadra - Zootecnista [email protected]