Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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A Edição

Que venha 2019!

Ano a ano, escrever o editorial do Guia do Criador caracteriza um verdadeiro desafio. Consola o fato de o mercado pecuário ser tão pujante a ponto de se sobressair a crises sucessivas. Aliás, falar de pecuária sem crise é não falar de pecuária. Saímos de 2017 bastante feridos da explosão de C4 composta pela reação maléfica entre a Operação Carne Fraca e a delação dos irmãos Batista.

O impacto foi sentido ainda em meados de março de 2018. A crise político-econômica freou o consumo de carne bovina. Como resultado, a cotação do boi gordo registrou razoável estabilidade. Não subiu significativamente até o mês de setembro, mas também não caiu. Os frigoríficos foram hábeis no controle de preço.

Já no fim do segundo semestre, algumas ótimas notícias animaram o setor. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil, levando consigo uma forte bancada. O dólar caiu, e voltou-se a comentar sobre produtividade. O clima fez sua parte: mais chuvas, e bem distribuídas. Pastagens verdinhas, no segundo semestre, serviram de ferramenta de manobra para o pecuarista. A cereja do bolo foi o anúncio, em 1 de novembro, da Rússia de que voltará a importar carne bovina brasileira.

A tendência é de uma forte alta da reposição entre 2019 e 2020. A análise do “Bezerro” confirma a expectativa. O último ano terminou com cotações espremidas, voltando aos patamares pré-Carne Fraca no decorrer do ano. No primeiro semestre de 2018, os preços caíram, porém, dentro da normalidade. A análise parcial de 2018 do “Abate de Bovinos” confirma o maior desmonte, mas há de se frisar que uma boa parte das fêmeas meramente compensou a escassez de boi castrado nos programas de qualidade de carne.

A “Exportação de Carne” bovina também impressionou: agosto foi o melhor mês da série histórica, mas logo setembro o desbancou ao registrar embarques na ordem de 195,2 mil toneladas de equivalente-carcaça. Resultado: acumulado anual de 1,42 milhão de toneladas in natura vendidas para o exterior, volume 11% acima em comparação ao mesmo período de 2017.

Ainda assim, o “Mercado de Touros” sentiu o baque da estagnação. As maiores leiloeiras do Brasil computaram a comercialização de 60 mil reprodutores, com liquidez de 95%. Ótimo, se não fossem as médias 10% menores no Sul e a queda ainda maior no restante do Brasil. Um adendo: touros com maior pacote tecnológico – entenda-se por boas DEPs associadas a um bom racial – fecharam com média de R$ 12 mil.

No mercado de “Reprodução”, a FIV vem registrando crescimento estável de 5%. Já a pecuária leiteira continua à espera de uma margem melhor. A aposta fica para o esperado ajuste entre oferta e demanda ainda no primeiro semestre de 2019. Quem talvez não tenha muito o que comemorar é o “Mercado de Nutrição”. A greve dos caminhoneiros levou a nocaute. De janeiro a setembro, o recuo acumulou 3,4% de prejuízo, quando a meta era crescer 3%.

Enfim, o leitor da Revista AG tem informações suficientes para planejar 2019. Muitos dos setores citados aqui mostram otimismo, enquanto outros – a exemplo da análise do “Ciclo Pecuário” e do “Confinamento” – pedem cautela. Se vamos gozar de um dos melhores anos da pecuária ou se teremos, mais uma vez, que transformar o limão em uma limonada, dependerá do poder de decisão do leitor. Não deixe de ler também a reportagem do Touro de Ouro. Em nova data e local, foi o grande sucesso da Intercorte São Paulo.

Boa leitura!