Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

Informação com credibilidade há 17 anos!

Pecuária de Corte

Cenário é mais promissor para 2018

Pecuária

O ano de 2017 foi marcado por diversos acontecimentos que mexeram não só com a situação política e econômica do Brasil, mas com eventos que afetaram diretamente a cadeia pecuária e tiveram desdobramentos interessantes.

Apesar das situações adversas enfrentadas, o agronegócio brasileiro como um todo mais uma vez ajudou a sustentar o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil durante o ano, que segundo as previsões de especialistas deve fechar com expansão de 0,7% em 2017.

Pecuária

Após a deflagração no dia 17 de março de 2017 da operação realizada pela Polícia Federal denominada Carne Fraca, que visou, em tese, desmascarar possíveis escândalos das indústrias na adulteração das carnes bovina, suína e de frango, as incertezas e as especulações sobre o rumo tanto do mercado interno, como do mercado externo, aconteceram inevitavelmente e os reflexos negativos foram evidenciados no gráfico sobre as Exportações de Carne Bovina Brasileira.

Pecuária

O mês de abril foi castigado pela ação impensada da Polícia Federal que acarretou em prejuízos enormes para a cadeia de carne brasileira, resultando no mês com menor volume exportado e consequente redução brutal na receita.

O mês de maio apontou para uma recuperação e logo em junho as exportações voltaram ao patamar anterior ao da operação Carne Fraca. Para que as exportações pudessem se recuperar e voltar a crescer foi preciso que o Ministro da Agricultura Blairo Maggi interviesse, adotando políticas de retomada de credibilidade da carne bovina brasileira no mercado internacional.

A partir de então os números foram crescentes ao longo do ano e acabaram colaborando com o escoamento interno da produção de carne bovina que segue em marcha lenta desde 2016 devido ao baixo poder de compra da população.

No acumulado de janeiro a setembro de 2017 o Brasil exportou mais de 1.061.000 toneladas de carne bovina, resultando em um faturamento de US$ 4,3 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). Já no mesmo período de 2016 o volume exportado foi de 1.042.761 toneladas de carne bovina, com uma receita de US$ 4 bilhões. Comparando os dois anos a alta de 2017 frente a 2016 foi de 6,6% em faturamento e 1,8% em volume.

Pecuária

O gráfico da Evolução do Preço da Arroba no Mundo apresenta os valores praticados nas principais praças internacionais de janeiro de 2017 até novembro de 2017.

Pecuária

A arroba brasileira no mercado global caiu de preço ao longo do ano, sendo que em julho apresentou o menor valor registrado decorrente provavelmente da valorização do dólar naquele mês. No fim, a arroba brasileira fechou o mês de novembro com retração de preço comparado ao começo do ano. O mesmo comportamento se repetiu com a Austrália e os Estados Unidos. Somente a Argentina encerrou o mês de novembro com alta frente ao mês de janeiro.

Diante desses dados é possível observar que o produto brasileiro seguiu vantajoso durante o ano de 2017 no mercado internacional e favoreceu os números positivos das exportações brasileiras de carne bovina.

Outro acontecimento marcante do ano de 2017 ocorreu em junho, quando houve o início da delação de um dos donos do JBS, Joesley Batista, relatando que conseguiu aportes e financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fornecendo propinas aos principais políticos brasileiros.

Pecuária

A desconfiança em torno dos frigoríficos da JBS colocou em xeque, perante os pecuaristas, a credibilidade de pagamento e a segurança na venda de seus bois gordos ao grupo. Diante disto, muitos pecuaristas optaram por vender a mercadoria para frigoríficos de menor porte e, principalmente, em regiões onde praticamente existe o monopólio do JBS, as indústrias menores conseguiram pressionar o mercado para baixo, resultando em retração de preços.

O gráfico da Evolução do Preço da Arroba a Prazo do Boi Gordo mostra o comportamento dos valores praticados de janeiro a novembro de 2017.

Como pode ser observado no gráfico, os preços no decorrer do ano tiveram quedas constantes até o mês de julho. Os fatos supracitados da operação Carne Fraca e do escândalo envolvendo o JBS colaboraram para esse cenário de retração. O baixo escoamento interno da produção devido à crise econômica que o Brasil atravessou durante o ano também colaborou para esses resultados.

Pecuária

Além desses fatores externos que não há como prever, o comportamento histórico aponta que no período seco do ano os preços da arroba caem decorrentes da desova de animais das propriedades a fim de aliviar a lotação das pastagens. Portanto, essa somatória de fatores maximizou a retração de preços.

Após o mês de julho houve recuperação dos preços devido à falta de animais terminados abatidos anteriormente. Porém, quando esperávamos que os preços se recuperassem na entrada das águas, aconteceu o inverso. Voltaram a despencar por causa do baixo consumo e da oferta suficiente para que os frigoríficos continuassem as atividades tranquilamente.

Outra polêmica envolvendo o grupo JBS aconteceu em outubro, com a paralisação dos abates nas unidades do Mato Grosso do Sul. A batalha política entre o JBS e o governo daquele estado atingiu ápice quando foram bloqueados R$ 730 milhões do grupo devido a questões tributárias; todavia, cerca de uma semana depois, do fato os abates voltaram ao normal após a realização de um acordo na justiça. De qualquer maneira, esse acontecimento impactou negativamente o mercado do boi gordo e também colaborou com as especulações e incertezas favorecendo a derrubada do preço da arroba não só no Mato Grosso do Sul, mas também em São Paulo e nos estados vizinhos.

Já, no âmbito do mercado de reposição, o segundo semestre de 2017 foi positivo para os criadores. Desde o final de 2015 até julho de 2017 o preço do bezerro despencou mês após mês.

O gráfico da Evolução do Preço da Desmama apresenta os valores praticados nas principais praças pecuárias brasileiras de janeiro a novembro de 2017.

A partir de julho é possível observar uma guinada nos preços da reposição, que foram puxadas pela valorização da arroba do boi gordo e que acabaram se mantendo apesar da retração subsequente no valor da arroba. Entretanto, o aumento no preço do bezerro desmamado no segundo semestre não foi suficiente para que o valor de novembro superasse o valor pago em janeiro na maioria das praças pesquisadas. Portanto, esse fato apenas amenizou o impacto constante das retrações de preços, dando um pouco de fôlego aos criadores.

Comparando janeiro com novembro de 2017, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Pará e Rio Grande do Sul apresentaram queda no valor desta categoria de 5,7%, 2,0%, 5,2%, 5,3% e 5,9%, respectivamente. Somente os estados do Mato Grosso do Sul e Paraná obtiveram alta em relação ao começo do ano de 1,2% e 4,1%, respectivamente. A média geral de todas as praças fechou em queda de 2,4%.

As relações de troca da reposição com o boi gordo acompanharam a evolução do preço da arroba no decorrer de 2017.

O gráfico da Evolução da Relação de Troca do bezerro desmamado de oito meses de 165 quilos com o Boi Gordo de 16 arrobas apresenta os valores obtidos no decorrer do ano.

É possível observar que apesar da queda no valor da reposição até julho as relações de troca acabaram caindo, visto que o impacto na redução no valor da arroba foi mais significativo que a queda do preço da reposição. Da mesma maneira, com a valorização da arroba, em meados de setembro, as relações melhoraram, no entanto, durante um pequeno período, já que logo em seguida voltaram a cair novamente devido à retração de preços da arroba.

Fazendo a comparação do começo do ano com o mês de novembro houve piora na relação de troca na maioria das praças pesquisadas. Os pecuaristas dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Pará, Paraná e Rio Grande do Sul tiveram perda no poder de compra da ordem 2,3%, 4,1%, 5,2%, 0,2%, 3,2% e 8,7%, respectivamente. O estado do Mato Grosso do Sul teve alta de 1,1% e o estado do Mato Grosso de 3,7%.

O gráfico da Evolução da Relação de Troca do Boi Magro de 12 arrobas com o boi gordo de 16 arrobas apresenta os valores obtidos mensalmente ao longo de 2017.

O comportamento das curvas é muito semelhante ao do gráfico da Relação de Troca da Desmama com o Boi Gordo, pois também é influenciado diretamente pelo preço da arroba. Portanto, os mesmos motivos que impactaram a relação de troca com a desmama acabaram por impactar a relação de troca com o boi magro.

Os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul tiveram retração nas relações de 1,1%, 3,5%, 3,3%, 2,6%, 0,4%, 6,1% e 7,5%, respectivamente, comparando janeiro com novembro de 2017. Somente o Estado do Pará apresentou melhora na relação e fechou com alta de 2,3% no mesmo período.

De maneira geral, o ano de 2017 não foi tão ruim assim para o pecuarista. Os problemas políticos e econômicos que vêm assolando o País desde 2016 ainda perduraram em 2017. Além disso, os escândalos envolvendo o JBS e a operação Carne Fraca impactaram o mercado pecuário gerando incertezas e especulações. Ainda assim foi possível fechar o ano com o saldo positivo.

Os pecuaristas que se planejaram e se mantiveram atentos ao que se passava no mercado conseguiram atravessar esse período turbulento sem maiores problemas. Fazer as contas do custo-benefício de manter animais na fazenda que poderiam ser abatidos buscando um aumento no valor da arroba e estar atento às relações de troca foram pontos-chaves do sucesso durante o ano de 2017.

Para o ano de 2018, a expectativa é de melhora do mercado pecuário, pois a economia brasileira mostra indícios de recuperação através dos ajustes fiscais, da reforma trabalhista, da inflação controlada e da redução da Taxa Selic, que irão aumentar o poder de compra da população. Esses fatos prometem um cenário mais promissor e fortalecem a esperança de dias melhores na cadeia pecuária, já que a expectativa é de aumento no consumo interno de carne, ajudando no escoamento da produção que, juntamente com as exportações, irão colaborar com o mercado pecuário.

Por fim, cabe ao pecuarista continuar atento com o comportamento do mercado no ano de 2018 e se planejar para conseguir maximizar seus resultados.

Pecuária

Antony Sewell e Arthur G. S. Cezar Boviplan Consultoria