Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Pecuária de Leite

Esperança de ventos melhores

Pecuária

Queda de 10% no preço em um ano e alta de 9,6%, esperada no mercado futuro do milho em março de 2018, preocupam

O otimismo no mercado do leite, no primeiro semestre, deu lugar ao pessimismo e à queda do preço ao produtor e aos demais elos da cadeia, na segunda metade do ano.

O mercado perdeu sustentação cedo, em função da demanda fraca e do crescimento da produção depois de dois anos em queda.

A cotação do leite pago ao produtor vem caindo desde o pagamento de junho. O patamar em outubro (mês do fechamento desta análise) foi 10% menor, na comparação com o mesmo período de 2016, considerando os valores nominais (figura 1).

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A produção aumentou em 2017, com o clima favorável e também em função da queda nos custos de produção, especialmente da dieta, com destaque para o milho e o farelo de soja.

De janeiro a outubro, o volume captado pelos laticínios aumentou 2,3% comparativamente com o mesmo período de 2016, segundo o Índice Scot de Captação de Leite (média nacional).

Outro ponto importante é a demanda fraca na ponta final da cadeia. As questões relacionadas ao consumo estagnado e a dificuldade de escoamento, em função da situação econômica vigente, vêm prejudicando o mercado, com pressão de baixa sobre os preços dos lácteos na indústria e na ponta final da cadeia. O consumo de produtos lácteos de maior valor agregado, com iogurte, queijos, manteiga etc., foi o mais prejudicado.

A cotação do leite longa vida (UHT), contudo, subiu em outubro e na primeira quinzena de novembro.

A maioria dos laticínios está trabalhando com estoques enxutos, e até reduzindo o volume de lácteos produzidos.

A alta da cotação melhora a margem de comercialização, que esteve negativa nos últimos meses. Ou seja, o repasse ao produtor de leite dependerá de como evoluirão as vendas no final de 2017 e começo de 2018.

No mercado spot, leite comercializado entre as indústrias, as cotações se mostraram firmes em outubro e novembro, com o mercado ligeiramente ajustado. Para o curto e médio prazos, porém, não existe espaço para altas fortes, em função do consumo ruim.

BALANÇA COMERCIAL

A balança comercial de lácteos, até outubro, ficou com déficit de US$ 405,66 milhões, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) (figura 2).

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Até outubro, a exportação de produtos lácteos somou 29,51 mil toneladas. Na comparação com igual período de 2016, houve uma queda de 29% no volume embarcado.

O faturamento caiu 32,7%, totalizando US$ 83,35 milhões.

O principal produto exportado foi o leite em pó, perfazendo 19,71 mil toneladas e faturando US$ 53,10 milhões.

Apesar de o leite em pó ser o principal produto embarcado, perdeu espaço na pauta das exportações brasileiras na comparação com o ano anterior. Volume e faturamento diminuíram 39,3% e 47,6%, respectivamente.

A redução da exportação de leite em pó está atrelada à menor demanda pela Venezuela, principal cliente do produto brasileiro.

Por outro lado, a exportação de manteiga e iogurte melhorou, 128,3% e 105,8%, na sequência, na comparação com igual período de 2016.

Os maiores importadores de lácteos, em valor, foram a Venezuela, com 54,6% do total, seguida pela Arábia Saudita, com 32,6%, e Estados Unidos, com 24,4%.

Com relação às importações, o volume caiu 26,9% até outubro, comparado com igual período de 2016, totalizando 148,18 mil toneladas de lácteos.

Os gastos caíram 6% no período, totalizando US$ 489,01 milhões.

As altas de preços no mercado internacional e o aumento da produção nacional (e queda de preço no mercado interno), associados à demanda interna fraca explicam essa redução no volume. O consumo fraco de lácteos é o principal fator que vem afetando a cotação do leite no campo e a cotação dos derivados.

O leite em pó foi o produto mais importado. O Brasil comprou, nesse período, 91,45 mil toneladas, em um total de US$ 297,07 milhões.

Os maiores fornecedores, em valor, foram: o Uruguai (44,5%), a Argentina (41,4%) e a Nova Zelândia (2,7%).

Em outubro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) suspendeu temporariamente a importação de leite em pó uruguaio, no entanto, no início de novembro a importação foi retomada.

A suspenção foi motivada pela pressão da cadeia leiteira que alegava falta de controle na entrada do produto uruguaio no País. No entanto, auditoria feita pelo Mapa, não encontrou indícios de triangulação com outros países.

A importação será menor em 2017 em relação a 2016.

Para 2018, a conjuntura não deverá ser diferente, e a projeção é de que a balança comercial continue negativa.

NO MERCADO INTERNACIONAL

Em novembro, a plataforma Global Dairy Trade (GDT), referência no mercado internacional, realizou o leilão 199. Os produtos lácteos ficaram cotados, em média, a US$ 3.105,00 por tonelada.

Na comparação com o leilão anterior, houve queda de 3,5% nos preços. Em um ano os preços caíram 6,7%. Apesar da queda, até o fechamento desta análise, os preços estavam 33,1% maiores que igual período de 2016.

O preço do leite em pó integral, na média parcial até novembro, ficou 33,9% maior na comparação com o ano anterior.

O volume de vendas de produtos lácteos, até o início de novembro foi de 560.256 toneladas, 1,3% menos que o volume comercializado em igual período do ano passado.

A produção mundial de leite cresceu a um ritmo menor em 2016 e deverá ser assim em 2017 (expectativa).

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), o incremento na oferta mundial foi de 0,7% em 2016, frente a 2015, e a estimativa é que a produção cresça 1,8% em 2017, em relação a 2016. O crescimento médio, de 2010 a 2015, foi de 2,9% ao ano.

Os contratos futuros mais próximos acompanharam o movimento de preços atual.

As projeções de preços para os próximos cinco meses apontam valores entre US$ 2.984,00 e US$ 2.808,00 por tonelada. Veja a tabela 1.

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EXPECTATIVA

O aumento do custo de produção, as condições ruins das pastagens e as margens da atividade se estreitando deverão interferir no ritmo de crescimento da produção no último trimestre, até a recuperação do capim e melhoria da capacidade de suporte das pastagens.

Com isso, a intensidade das quedas no preço do leite pago ao produtor deverá ser menor em novembro, com o mercado se estabilizando a partir de dezembro. A expectativa é de alta para o produtor a partir de janeiro de 2018.

Para 2018, em relação ao consumo interno, espera-se uma retomada do crescimento, porém, em um ritmo mais fraco que o observado antes da crise.

Lembrando que, no período de final de ano normalmente cai o consumo de lácteos, especialmente de leite fluído, mas por outro lado, temos uma demanda maior por manteiga, leite condensado e creme de leite, em função das festividades de final de ano.

A aposta maior com relação à demanda por lácteos fica para 2018. Alguns indicadores econômicos deverão colaborar para esse cenário, tais como o recuo da taxa de desemprego, o avanço do PIB (Produto Interno Bruto), indicadores de crescimento da economia.

Além disso, se considerarmos o quadro de oferta de leite ajustado ao mercado interno este ano e no ano que vem (crescimentos comedidos da produção), a expectativa é de preços firmes para a cadeia do leite, especialmente no primeiro semestre de 2018.

Para o pecuarista, a situação é de cautela, já que a atividade vem de dois anos ruins, de margens apertadas e prejuízos em muitos casos. O produtor está descapitalizado e a sugestão é aproveitar os resultados melhores em 2017 para colocar a casa em ordem.

Com relação aos custos de produção, espera-se um cenário de preços firmes para o milho, em função da exportação e redução da produção na safra de verão 2017/2018.

Até meados do primeiro trimestre de 2018 não estão descartadas altas nos preços no mercado interno.

Na B3 (antiga BM&F/Bovespa), os contratos futuros de milho com vencimento em março/ 18 ficaram cotados próximos de R$ 34,00 por saca na primeira quinzena de novembro. Ou seja, uma alta de 9,6% até o final do primeiro trimestre de 2018.

Porém, é importante destacar que, apesar do viés de alta para o milho, os estoques deverão limitar os aumentos de preços na temporada.

Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima 19,10 milhões de toneladas em estoque final em 2016/2017 e 24,55 milhões de toneladas ao final de 2017/2018. Para uma comparação, em 2015/2016, quando o preço do milho disparou, o estoque final foi de 6,99 milhões de toneladas.

O mercado de farelo de soja também apresentará oscilações nos preços com as incertezas climáticas na temporada 2017/218 e a demanda mundial firme.

Diante desse cenário, gestão e planejamento serão fundamentais para um bom resultado econômico da atividade em 2018. Ouviremos falar mais de clima adverso e aumento dos custos de produção impactando na atividade.

Rafael Ribeiro de Lima Filho – zootecnista Juliana Pila – zootecnista Scot Consultoria