Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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Exportação

Embarques rendem US$ 4,94 bilhões em dez meses

Isabella Camargo*

O Brasil está entre os principais exportadores de carne bovina e ocupa a segunda colocação na produção global. Após o bom resultado das exportações, entre 2014 e 2015, em 2016 a exportação perdeu força, mas manteve, em volume, um bom desempenho.

Foram vendidas para o exterior 1,83 milhão de toneladas de equivalente de carcaça em 2016, queda de 0,7% em relação ao acumulado de 2015. A leve retração aconteceu devido à diminuição da exportação para a Venezuela, cuja redução foi de 76,03% em volume para a Rússia, que caiu 22,54%; e para o Egito, que caiu 9,74%.

Instabilidades econômicas enfrentadas por esses países foram a causa da retração. A Venezuela ainda sofre com problemas econômicos e, de 2015 a meados de outubro de 2017, a contração foi de 98,9% no volume comprado pelo país. Para o faturamento, o impacto foi sensível. A queda foi de 7,2% em um ano.

EM 2017?

De janeiro a outubro de 2017, as exportações de carne bovina in natura, industrializada e de miúdos totalizaram 1,61 milhão de toneladas de equivalente de carcaça. Alta de 3,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. O faturamento foi de US$ 4,94 bilhões, o que representa alta de 9,9% no período.

O principal comprador em volume e faturamento foi Hong Kong, responsável por 23% da exportação em volume. Em seguida, estão China, com14%; Rússia, com 11%; e Egito, com 10%. Juntos, esses quatro compradores, respondem por 58% do total exportado. Veja figura 1.

Exportação

Destaque para Arábia Saudita, que voltou a comprar carne bovina brasileira em 2016 e saiu da décima para sétima colocação. Nos dez primeiros meses do ano, o país comprou 49,3 mil toneladas de equivalente de carcaça, alta de 29,8% em relação ao total importado em 2016. Como ainda temos alumas semanas para o final do ano, essa porcentagem pode melhorar

Outro destaque é a China, que voltou às compras a partir do segundo semestre de 2015, depois de três anos de bloqueio devido à suspeita de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), o mal da vaca louca, no Paraná. E em pouco tempo se tornou um importante comprador. A China é o segundo importador entre os principais compradores do Brasil.

CARNE IN NATURA

Do total de carne bovina exportada, 79% correspondem à carne in natura. De janeiro a outubro de 2017, o volume exportado foi de 1,28 milhão de equivalente de carcaça, com faturamento de US$ 4,13 bilhões. Alta de 7,9% em volume e 13,2% em faturamento em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar do desempenho fraco de fevereiro a maio, a exportação ganhou fôlego a partir de junho e, nos meses seguintes, apresentou resultados maiores quando comparados a 2015 e 2016 (figura 2).

Exportação

Aqui vale destacar março, mais precisamente 17/03/2017, quando foi deflagrada a operação da Polícia Federal intitulada Carne Fraca, que investigou esquemas de propina envolvendo funcionários do Ministério da Agricultura e empresários do ramo alimentício. A operação teve como alvo frigoríficos de todos os tamanhos.

A informação de que produtos inseguros para saúde estavam sendo liberados para consumo causou danos, tanto no mercado interno como no externo. Compradores de Hong Kong, China, Chile e Egito barraram a carne brasileira à espera de esclarecimentos. O ritmo da exportação, que já não vinha bem, caiu ainda mais devido à paralisação das compras.

EMBARGOS

Após esclarecimentos, as vendas foram retomadas, mas o desempenho já havia sido prejudicado.

Em junho, os Estados Unidos suspenderam a importação de carne bovina in natura do Brasil. Segundo comunicado do Departamento de Agricultura dos EUA (Usda), ocorreu devido às recorrentes preocupações com a segurança sanitária dos produtos.

O mercado norte-americano foi aberto no segundo semestre de 2016. Atender a esse mercado é importante, pois se acredita que ele seja um passaporte para mercados exigentes e até então fechados à carne brasileira.

Além dos EUA, a Rússia também suspendeu, em novembro, a importação de carne bovina brasileira. Segundo a Agência Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor), o motivo seria a presença do aditivo alimentar ractopamina, identificado em alguns produtos.

A Rússia é o terceiro comprador de carne bovina em volume e acredita- se que o embargo esteja mais relacionado às vendas de trigo russo para Brasil e menos ao aditivo alimentar. Em novembro, os dados parciais divulgados pelo MDIC apontam para um mês de bom desempenho.

FINAL DE 2017

Segundo a instituição, até a segunda semana de novembro, a exportação foi de 42,3 mil toneladas de carne bovina in natura com faturamento total de US$ 181,2 milhões. Caso o ritmo das exportações continue, o volume final exportado poderá ser 66,2% maior que o de novembro de 2016 e 5,8% maior que outubro último.

Para dezembro, a expectativa é de alta em relação aos dois últimos anos e, assim, o ano deverá fechar, em relação a 2015 e 2016, com desempenho maior.

EXPECTATIVAS 2018

Em 2016, segundo dados do Usda, o Brasil foi o segundo exportador mundial de carne bovina, perdendo para a Índia e seguido pela Austrália e pelos EUA. Em 2017, o cenário deverá ser semelhante.

Para 2018, a expectativa é de que a exportação ocorra em bom volume. A elevação na produção nacional pode ser positiva para o aumento dos embarques. Além disso, existem boas expectativas, quanto ao volume destinado à China e à Arábia Saudita, além da reabertura do mercado norte- americano e a abertura de mercados como os da Coreia do Sul e das Filipinas.

*Isabella é zootecnista e consultora de mercado da Scot Consultoria