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Santo Capim

IMPLANTANDO A INFRAESTRUTURA DA PASTAGEM!

Santo

Adilson de Paula Almeida Aguiar é zootecnista, investidor nas atividades de pecuária de corte e leite, professor de Forragicultura e Nutrição Animal e Consultor Associado da Consupec - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda.

Dando sequência à série de artigos da coluna Santo Capim, estando a pastagem estabelecida, antes da preocupação com “o manejo do pastejo” (tema que será abordado nas próximas edições) deve-se planejar a implantação da infraestrutura da pastagem, dimensionando as medidas dos recursos piquete, áreas de descanso, cochos para suplementação, fontes de água, sombreamento e corredores de acesso.

1 - Dimensionando e implantando piquetes: segundo o “The Forage and Grazing Terminology Committee” (FGTC), formado por pesquisadores dos EUA, da Nova Zelândia e da Austrália, piquete (do inglês paddock) é “uma área de pastejo correspondente a uma subdivisão de uma unidade de manejo de pastejo (exemplo, uma pastagem), fechada e separada de outras áreas por cerca ou uma outra barreira” (Rodrigues; Reis, 1997; Pedreira, 2002). Observa-se que, na definição do termo, não se faz referência à área da subdivisão, indicando que um piquete pode medir 0,1 ha, por exemplo, ou mais de 100 ha. Os termos pasto, manga, mangueiro e potreiro são denominações regionais. O importante é, dentro do possível, adequar o piquete com base nos parâmetros seguintes:

a) formato do piquete: o quadrado é o ideal, pois permite um pastejo mais uniforme por toda a extensão do piquete, entretanto, se for retangular, o comprimento não deveria ser maior que três vezes a largura; o formato em pizza é o menos conveniente, entretanto ainda parece ser o de mais fácil adoção em pastagens irrigadas por pivô central. Nesse caso, o piquete em pizza poderia ser redividido em faixas, com uma cerca móvel, para se ter um formato próximo ao do quadrado;

b) área do piquete: o ideal é que as extremidades do piquete não fiquem a mais de 200 m da fonte de água, pois os bovinos preferem concentrar o pastejo em áreas de até 200 m de distância da água e evitam áreas a mais de 600 m, pastejando a maiores distâncias apenas quando mais de 40% a 50% de toda a forragem disponível próxima à água for consumida (Costa; Cromberg, 1997). Isso significa que, em piquetes muito grandes, o pastejo e, consequentemente, o aproveitamento da forragem disponível serão desuniformes, com áreas superpastejadas próximas às fontes de água e áreas subpastejadas, distantes da fonte de água. Essa condição de pastejo desuniforme é agravada em piquetes com relevo desuniforme (baixadas e partes altas dentro de um mesmo piquete) e formados com espécies forrageiras de porte alto, de crescimento ereto, com maior relação caule:folha e caules grossos, tais como os capins andropogon e os cultivares de Panicum maximum (colonião, tobiatã e mombaça). Um piquete com um formato quadrado, com uma fonte de água no centro do piquete, teria a área de 16 ha. A adequação desse dimensionamento traz dois ganhos significativos: o primeiro é na taxa de aproveitamento da forragem disponível que chega a mais de 50% quando a fonte de água encontra-se a menos de 500 m, enquanto que estando a mais de 2.500 m a taxa de aproveitamento cai a menos de 20%. O segundo ganho é no desempenho animal. Pelo menos para animais europeus, parece que um percurso diário, menor que 500 m, não leva a uma diminuição de seu desempenho, entretanto, em percursos mais longos em um terreno plano (5% de declividade), levaria à diminuição no potencial de ganho de peso de animais de recria e engorda de 40 g/dia, e da produção de leite de 1,13 litro/dia para cada 1.000 m percorridos, enquanto que em um terreno com 10% de declividade a diminuição potencial no desempenho animal seria de 53 g/dia em ganho de peso e 1,53 litro/dia em produção de leite para cada 1.000 m percorridos. Esse tipo de resultado é escasso em animais zebuínos, mas alguns dados nos levam a inferir que percursos de até 900 m não levam a uma redução significativa do desempenho desses animais;

c) tipo de cerca para redivisão dos piquetes: a cerca elétrica com dois fios de arame pode ser implantada em um valor 2,1, 2,53, 2,6 e 3,7 vezes mais baixo comparado a valores para a implantação de cerca convencional, com 5 fios de arame liso, com madeira branca, eucalipto tratado, mourão de aço e madeira de lei, respectivamente.

Acompanhe a continuação em nossa próxima edição!