A Granja do Ano – 36 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques 2020 PESQUISA - Embrapa

Protagonista na segurança alimentar do planeta

Entre as muitas atuais prioridades da pesquisa da Embrapa estão agricultura digital, ILPF, edição genômica e bioeconomia

Quais são, atualmente, as principais demandas em pesquisa da Embrapa?

O agro está constantemente em transformação e requer adaptações imediatas frente às demandas que inesperadamente surgem, como a que tivemos em 2020. E claro que a pesquisa agropecuária, uma das responsáveis pela competitividade e pela sustentabilidade do setor, deve ser capaz de dar respostas em cenários de dificuldades e incertezas, e mesmo se antecipar, por meio de análises prospectivas que atendam ao sistema produtivo e à necessidade por segurança alimentar da população. Hoje, entre as prioridades da pesquisa estão áreas como agricultura digital, integração lavoura-pecuária-floresta, edição genômica e bioeconomia. No caso da agricultura digital, o universo de inovações e soluções tecnológicas é vasto, mas não podemos prescindir da urgência da conectividade à disposição dos produtores rurais. Dados do IBGE apontam que mais de 70% das propriedades brasileiras ainda não têm acesso à internet, mas, mesmo assim, uma pesquisa recente com a participação da Embrapa, do Sebrae e do Inpe revela que 84% dos agricultores já usam ao menos uma tecnologia digital como ferramenta de apoio na produção agrícola. Por isso, quase todos os centros de pesquisa estão trabalhando no desenvolvimento de tecnologias, como sensores que medem a temperatura do animal e avaliam o conforto térmico nos sistemas ILPF, a detecção de doenças, a recontagem de frutos, a medição de características em animais, a simulação de fenômenos, a previsão de safras, o monitoramento de logística e transporte, a rastreabilidade e o suporte à tomada de decisão do produtor. No que diz respeito à edição genômica, que prevê a utilização de tesouras biotecnológicas para edição do DNA das plantas, só para citar um exemplo, podemos destacar a importância dos estudos que poderão, entre as possibilidades, contribuir com o desenvolvimento de plantas mais resistentes à seca. Os benefícios para a região do Semiárido, onde se tem entre 300 e 400 milímetros de água da chuva por ano, são enormes. As contribuições na economia de base biológica representam uma oportunidade importante para que o Brasil se torne referência mundial em bioeconomia. Entre os exemplos das soluções tecnológicas consideradas o futuro da bioeconomia estão a fixação biológica de nitrogênio, o Biomaphos, o Aprinza (inoculante para fixação biológica de nitrogênio na cana-de-açúcar), o controle biológico da vespa-da-madeira, o óleo essencial de manjericão-de-folha-larga, para o controle de pragas nas lavouras (como a Helicoverpa armigera e a Anticarsia gemmatalis lagartas prejudiciais a diversas culturas) e o uso de vespas nativas para o controle da mosca-das-frutas, além dos bioinsumos desenvolvidos a partir de resíduos da cadeia de biocombustíveis, como os da cana-de-açúcar e do glicerol. Dados da Embrapa destacam que, com a FBN, no ano passado, o País obteve uma economia de R$ 22 bilhões em adubos nitrogenados não gastos, além de deixar de emitir 150 milhões de toneladas de CO2. O Biomaphos, por sua vez, pode aumentar em até 10% a produtividade em algumas cadeias produtivas, como a do milho. Os sistemas integrados de produção também são uma tendência forte no desenvolvimento do agro. A integração lavoura-pecuária- -floresta já ocupa 15 milhões de hectares do território nacional, o que possibilita que o país coloque no mercado o conceito de Carne Carbono Neutro. Para se ter uma ideia do que significa isso, se a ILPF for implantada em apenas 15% da área de produção já é o suficiente para compensar todas as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) gerados pelos animais e pela pastagem, deixando um saldo positivo de carbono na fazenda.

A pandemia forçou as pessoas ao isolamento, e isso abriu novas demandas em todos os setores. Nesse sentido, o que a Embrapa tem feito para que suas informações sejam propagadas até os interessados?

A Embrapa não mudou a sua atuação. Pelo contrário. Reforçou o que sempre fez, só que em um novo cenário. Produzir soluções para o agro, que é a principal missão da empresa, continua prioridade, agora adaptada às condições de segurança do momento. Experimentos de campo e de laboratório foram mantidos. Escalas de revezamento foram adotadas, e o teletrabalho é uma realidade para uma boa parte dos empregados nas 43 unidades. Desde março, foram adotadas medidas de prevenção e proteção à saúde de todos, sem prejuízos à produtividade da Empresa.