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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaques 2020 PRODUTOR DE TRIGO - C. Vale

Trigo valorizado como merece

Os associados da C.Vale, cooperativa que faturou R$ 8,9 bilhões em 2019, plantaram 45% a mais de trigo em 2020

O que os associados da C.Vale definiram para o trigo nesta safra 2020? Aumentaram ou diminuíram a área e por quê?

Os produtores da C.Vale ampliaram a área de trigo em 45% neste ano na comparação com 2019. Com o dólar alto dificultando as importações, o grão acabou se valorizando bastante aqui no mercado interno. No Rio Grande do Sul, os produtores optaram pelo trigo como forma de tentar compensar as perdas com a safra de soja pela estiagem no último verão. No Paraná, tivemos um fator adicional, que foi o atraso na colheita da soja. Esse atraso fez com que alguns produtores do Oeste do estado perdessem a janela de plantio do milho safrinha no período de zoneamento, e aí tiveram que investir no trigo como cultura de inverno. Isso tudo resultou no aumento da área do trigo.

Quais são as perspectivas de rentabilidade para o cereal?

Algumas áreas do Paraná sentiram um pouco a escassez de chuvas em junho e julho. No Rio Grande do Sul, houve alguma pressão de doenças por manchas foliares devido ao excesso de chuvas durante o desenvolvimento vegetativo. De modo geral, porém, o produtor não precisou de grandes gastos para o controle de pragas e doenças, o que evitou custos adicionais. Claro que temos ainda o risco de chuvas durante a colheita, que sempre é um risco até a última hora para a cultura, mas, de maneira geral, até o início de agosto, os potenciais produtivos eram bons, e o preço, ainda melhor. Caso não ocorram imprevistos por chuvas ou outros danos climáticos, a produtividade e os preços deverão deixar uma boa margem de lucro aos produtores em 2020.

De uma maneira geral, como está o momento econômico dos associados da cooperativa em relação a todas as culturas?

São situações bastante distintas. Os produtores do Rio Grande do Sul estão em condição mais delicada depois de uma quebra expressiva da safra de soja, em torno de 45%. Paraná e Mato Grosso do Sul tiveram quebras menores e se saíram melhor, enquanto que Mato Grosso teve safra cheia. A valorização da soja fez os produtores venderem rapidamente depois da colheita. Então, no resumo da história, uma parte dos produtores está com dificuldades e teve que usar o seguro para cobrir despesas, e a outra parte está capitalizada. Para quem tem a possibilidade de diversificação de atividades, a condição é bem mais tranquila. A renda extra garante a cobertura das despesas quando o clima prejudica outras fontes de renda. É por isso que a C.Vale oferece alternativas para produção de frangos, peixes, suínos, leite e mandioca.

E o que você gostaria de destacar sobre as recentes conquistas e ações da C.Vale em todas as áreas?

A C.Vale está atenta às oportunidades de negócio. Em junho de 2020, incorporamos a Agropar, uma cooperativa com sede em Assis Chateaubriand/PR. Em julho, colocamos em operação um frigorífico de frangos em Umuarama/PR, em parceria com a Pluma Agroavícola. É um empreendimento de R$ 60 milhões que está gerando 650 empregos. Estamos processando 60 mil frangos/ dia e pretendemos chegar a 200 mil frangos/dia. Quando isso acontecer, estaremos dando oportunidade de trabalho a 2 mil pessoas. Estamos gerando empregos em plena pandemia de coronavírus.