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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Tabaco

Reduzir é preciso

As entidades classistas do tabaco tentam convencer os agricultores a plantar menos para, assim, melhorar os preços que recebem pelo produto. Além disso, a qualidade da safra 2019/2020 foi prejudicada pelo calor, com reflexo nas cotações

Thais D’Avila

O classificador de tabaco da Emater/RS Luiz Kaufmann tem seis décadas de experiência em lavouras de fumo e afirma com a segurança de quem já plantou e trabalha com isso há muito tempo: este foi o ano em que a cultura do tabaco mais sofreu com o calor. “Nenhum ano é igual ao outro, mas, igual a este, eu não tinha visto. Foi o ano que mais afetou a qualidade, um dos piores, porque pegou uma região bem abrangente”, lamenta.

Segundo ele, os dias secos e quentes prejudicaram a qualidade e provocaram disputas a respeito do preço entre indústrias e produtores. Quando há divergência em relação à qualidade, vale o que diz a Instrução Normativa nº 10/2007, do Ministério da Agricultura. “Não havendo acordo, tem que aplicar a normativa, e, realmente, ela aponta para uma classificação pior do material que vem sendo apresentado pelos produtores.”

O Brasil, reconhecido mundialmente pela qualidade do tabaco produzido – afinal, é o maior exportador –, em 2020, teve preços menores do que Argentina e países da África, em função desta queda na qualidade. O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, explica que os problemas climáticos provocaram essa situação. “O produtor não tem culpa. Todos os anos, sempre produz qualidade. A região mais cedo produziu qualidade, mas a mais tardia, que é a maior, não conseguiu”, justifica.

Conforme Werner, o valor do tabaco em folha em 2017 era de US$ 6 o quilo e, em maio, fechou em torno de US$ 4. E a lei da oferta e demanda é implacável. “As empresas, neste ano, mais do que nunca, estão aplicando a Instrução Normativa nº 10, e com mais rigor do que em...

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