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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Laranja

Por um futuro mais doce

A expectativa é que a produção de laranja seja 25% inferior à da safra anterior em razão do clima e da colheita histórica em 2019/20. A demanda por suco é favorável, enquanto a oferta estará limitada pela queda de produção e pelos estoques limitados

Leonardo Gottems

O mercado da laranja em 2020 tem sido marcado pela produção abaixo do esperado nas principais regiões produtoras. Para se ter uma ideia, as estimativas do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) indicam que o Brasil deve colher 287,76 milhões de caixas de 40,8 quilos no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, número 25,6% menor do que a safra anterior. Esse resultado pode impactar tanto a venda in natura quanto a oferta de suco.

De acordo com a pesquisadora de citros do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Fernanda Geraldini, a menor produção deve-se às altas temperaturas e à falta de chuvas em setembro e outubro de 2019, que causaram abortamento de frutas da primeira florada. Assim, a safra 2020/21 é atrasada (por conta das perdas acentuadas na primeira florada) e também de menor produção.

A menor produção também foi impactada pela alta colheita da temporada anterior, já que 2019/20 registrou uma das maiores produtividades da história no estado de São Paulo. E, em anos assim, a safra seguinte tende a ter menor colheita, pois as plantas se sobrecarregam pela alta carga de frutas.

Sendo assim, o preço da laranja, de acordo com levantamentos do Cepea, está na faixa de R$ 23,50/ caixa contra um custo publicado pela Informa Economics FNP, com dados de agosto de 2019, de R$ 22,17 para fruta colhida e carregada para pomares com nível de produtividade superior a 832 caixas por hectare, ao qual se deve acrescentar o custo de frete que se situa entre R$ 3,00 e R$ 4,00. Para o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flavio Viegas, o preço não consegue suprir a necessidade de lucro dos produtores, o que acaba desmotivando a produção.

Como todos os produtos perecíveis, a laranja também deve ser afetada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), principalmente para as frutas que são destinadas a merenda escolar, lanchonetes e restaurantes, lembra Fernanda. O que se sabe, até agora, é que as frutas cítricas tiveram demanda consistente no varejo, por serem associadas à imunidade e à vitamina C, que acabou diminuindo o prejuízo.

Alimento antigripe

Apesar desse cenário de preocupação, dados vindos de outros países acabam mostrando um horizonte mais doce para o produtor e também para a indústria. “Não temos ainda dados suficientes para calcular o impacto da Covid-19, mas há indícios de que, em alguns mercados, como nos Estados Unidos, onde há melhor informação, está havendo um aumento da demanda pelo retorno do consumo do café da manhã em casa e pelo fato de o consumidor ver o suco de laranja como um alimento que contribui para o aumento da resistência à gripe”, ressalta Viegas.

Isso acabou elevando as margens de exportação do suco de laranja brasileiro. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), as vendas registraram um volume total de 1.071.946 toneladas nos 12 meses da safra 2019/20, aumento de 17% em relação à temporada 2018/19, quando foram embarcadas 920.029 toneladas.

De acordo com o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, embora seja um dado positivo, a alta acontece em cima de uma base pequena. “Quando olhamos a base histórica, voltamos ao patamar registrado na safra 2015/16”, conta. O avanço, segundo ele, também se explica pela maior oferta de suco no mercado.

Exportações melhores

Para os próximos 12 meses, a expectativa é que o País não deve contar com excedente de oferta pela alta absorção da indústria, o que deve contribuir com os preços no mercado de mesa. Afinal, as três grandes produtoras de laranjas produzem cerca de 50% da fruta que processam, detendo, assim, um grande poder de mercado.

Segundo Viegas, a expectativa é que a demanda pelo suco de laranja será favorável, mas a oferta estará limitada pela queda de produção e pelos estoques limitados. “Um estudo do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que as exportações brasileiras desta safra serão reduzidas em 15,5%. Os produtores terão queda de produção de 23,3% no estado de São Paulo e um preço em dólares reduzido em mais de 6%”, revela.

Greening (ainda) preocupa

De acordo com o Fundecitrus, o greening continua sendo o principal entrave enfrentado pelo setor, com 19,02% das árvores contaminadas e um aumento na incidência registrado, o que acaba agravando a severidade dos sintomas. Levantamentos realizados pela instituição indicam que, após seis anos da contaminação de uma planta, a sua produção pode ter uma redução de até 68% devido a dois fatores: o tamanho pequeno do fruto e a sua intensa queda.