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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Batata

Consumo esfriado

A menor frequência das pessoas nos supermercados e aos restaurantes pelo isolamento social diminuiu o consumo de batata. E o desemprego também influencia diretamente na queda de vendas

Leonardo Gottems

O setor de alimentos vegetais foi um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus no Brasil. Apesar de ser mais durável que as verduras, por exemplo, a batata vem sofrendo com as limitações e também com as incertezas provocadas pelo isolamento social e o fechamento dos estabelecimentos comerciais. De acordo com informações divulgadas pela Associação Brasileira da Batata (ABBA), a menor frequência das idas das pessoas ao supermercado, "com certeza", influenciou nesse panorama, já que as vendas diminuíram. "De uma forma geral, os vegetais mais duráveis foram menos afetados que os mais perecíveis. As folhosas e algumas frutas tiveram uma forte redução no consumo, enquanto alguns produtos como alho, batata, cebola e tomate não foram tão afetados, quando levada em conta essa comparação. Mas houve, sem dúvidas, uma redução significativa nas vendas. A menor frequência da população nos supermercados é a justificativa principal para o cenário", informa a entidade. Quando se considera como momento de avaliação o primeiro semestre de 2020, a oferta e a qualidade da batata foram insatisfatórias. Até o final de maio, por exemplo, as secas e o calor na Região Sul, somados ao excesso de chuvas em estados como Minas Gerais e Bahia, foram os principais empecilhos para a produção deslanchar. A partir de junho, a oferta aumentou e a qualidade melhorou, motivadas pelas produções de São Paulo e de Goiás, que foram favorecidas por condições climáticas bastante favoráveis, com temperaturas amenas e alta luminosidade, sem mencionar a irrigação controlada.

A partir disso, a pandemia acabou causando uma certa mudança de consumo do brasileiro quando o assunto é batata. Restaurantes fechados fizeram com que as compras de batatas pré-fritas diminuíssem, já que praticamente não havia procura por parte das empresas consumidoras. Nos supermercados, apesar da existência de oferta das pré-fritas, as batatas frescas foram as preferidas, muito pela qualidade, mas também pelo preço mais em conta. Falando em relação aos preços, estes se mantiveram elevados até quase todo o primeiro semestre de 2020, mais especificamente até maio, mas começaram a reduzir em junho, já que a oferta aumentou.

Tudo escuro para os próximos meses

Segundo análise da ABBA, é quase impossível analisar o futuro próximo do mercado da batata no Brasil. Isso porque são as consequências e desdobramentos da pandemia de Covid-19 que ditarão o ritmo das compras e, mesmo com oferta boa, precisa existir saída para o produto. "O cenário para os próximos 12 meses (até meados de 2021) é extremamente preocupante. Depende das consequências da pandemia do novo coronavírus. O principal fator que comprova essa situação é o desemprego da população, que, se aumenta, provoca a redução no consumo do tubérculo", completa a informação.

A preocupação da associação se baseia nas informações divulgadas sobre o desemprego no Brasil. Segundo dados compilados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada e divulgada pelo IBGE, a taxa oficial de desemprego no Brasil subiu para 13,3% no trimestre encerrado em junho, atingindo 12,8 milhões de pessoas, com um fechamento de 8,9 milhões de postos de trabalho em apenas três meses, em meio aos impactos da pandemia. "A população ocupada, de 83,3 milhões de pessoas, chegou ao menor nível da série histórica iniciada em 2012, com redução de 9,6% – ou 8,9 milhões de pessoas a menos – em relação ao trimestre anterior e de 10,7% no confronto com o mesmo trimestre de 2019 – ou 10 milhões de pessoas a menos", informou o IBGE.

Pela profissionalização da cadeia

Em regra, as cadeias que produzem a batata para abastecer o mercado interno terão o mesmo desafio, que consiste em enfrentar de cabeça erguida a retração do consumo devido ao desemprego da população. No entanto, as cadeias produtivas voltadas para a exportação podem sonhar com melhores perspectivas, visto que a situação da pandemia em alguns países já está sob controle.

Como possíveis soluções para esse cenário, a ABBA lista que é fundamental a recuperação econômica, que depende do fim do isolamento e da volta do comércio de alimentos em sua plenitude. Além disso, aponta a necessidade de uma maior profissionalização das cadeias produtivas, a exemplo do que fazem a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), a Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove).

"Apesar das restrições impostas pela pandemia, algumas ações importantes estão sendo discutidas e, em breve, deverão ser implantadas. Destacamos a obrigatoriedade da rastreabilidade, que proporcionaria uma maior segurança alimentar para os consumidores, e da classificação dos vegetais consumidos frescos pela população, que proporcionaria a obtenção de informações úteis a quem compra o produto", completa a ABBA. "A produção brasileira de batata contribuiu no enfrentamento da pandemia, com a geração de milhares de empregos, além do abastecimento de alimentos para a população."