A Granja do Ano – 36 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Seringueiras

Pelo consumo nacional

O Brasil já foi um grande produtor de borracha, mas perdeu espaço para a Ásia e, hoje, importa 60%. A expectativa é incentivar o consumo do produto produzido no País

Eliza Maliszewski

O Brasil é o maior produtor de borracha natural da América Latina, mas está longe da Indonésia e da Tailândia, os maiores produtores do mundo. A produção brasileira, em 2019, foi de 189 mil toneladas, em uma área com 156 mil hectares. A demanda interna foi de 404 mil toneladas, e, portanto, para suprir a indústria, foram importadas 215 mil toneladas, segundo a Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor).

O Brasil tem cerca de 11 milhões de pés de seringueira, e, com o consumo mundial demandando 11,5 milhões de toneladas, em 2020, a meta é se consolidar entre os cinco maiores heveicultores do mundo. Conta a favor o fato do País dispor de uma indústria de transformação forte. Por outro lado, a borracha acumula baixas na balança comercial do agronegócio. A cultura também demanda muita mão de obra, com média de um trabalhador a cada quatro hectares.

O diretor-executivo da Abrabor, Fernando do Val Guerra, explica que o País teve alta expressiva de preços entre 2010 e 2013, e isso estimulou plantios. Depois disso, o seringueiro conseguiu vender na média. "Nunca experimentamos dificuldade de vender por falta de demanda. Em uma conversa franca entre produtores e indústria, temos conseguido uma priorização no consumo da borracha nacional, e, assim, há uma expectativa de equalização dessa questão até o final do ano (2020)", projeta.

Para Guerra, a pandemia dificultou um pouco a atividade, mas o que mais pesa é a falta e um planejamento no setor, a exemplo do que fizeram países como a Malásia, que conseguiu ter uma cadeia produtiva do início até o produto final. "Temos que explorar a produção integrada, com uma política de estado para a cadeia, e investir em tecnologia para ganhar competitividade. Não podemos dizer que o setor não vai bem e esperamos recuperar mais no ano que vem", diz

Índice de preços

Em abril de 2020, a atividade passou a ter um índice para balizar os preços recebidos pelos produtores, valorizar o produto nacional e remunerar de forma mais justa a produção. Criado em uma parceria da Secretaria de Agricultura de São Paulo e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é atualizado mensalmente. A ideia é diminuir a distância entre os preços da borracha importada e da nacional e servir de base para a negociação. "Com preços remuneradores, o produtor terá condições de manter o manejo adequado da cultura, o que acarreta ganhos de produtividade e propicia uma remuneração adequada como empresário", explica a pesquisadora Marli Dias Mascarenhas Oliveira, do Instituto de Economia Agrícola, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.