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Destaques - Milho

Otimização no cultivo do milho

Destaques

A SLC Agrícola vai cultivar 86 mil hectares do cereal em segunda safra, de um total de 455 mil hectares em produção na safra 2018/19

A Granja do Ano — Qual é o Área total de grãos/fibras em 2018/19 (previsão): 455 mil ha planejamento da SLC Agrícola para o milho na safra 2018/19?

Aurelio Pavinato — Nossa área de milho para a próxima safra está planejada em 86 mil hectares. O milho na SLC Agrícola é 100% segunda safra, sendo plantado nas fazendas do Centro-Oeste e também nas unidades do Maranhão. Um dos pilares da nossa estratégia atual é voltado à otimização do uso de nossos ativos, de forma que temos procurado maximizar a utilização da terra, sendo o milho de segunda safra – além do algodão de segunda safra – uma excelente opção para esse fim. Há uma contínua melhoria na performance das variedades de milho para o plantio em segunda safra, e temos conseguido boas produtividades.

Qual é a expectativa da companhia para o cereal no ano agrícola 2018/19 em relação à rentabilidade?

A expectativa melhorou em relação à safra passada porque o câmbio está mais favorável, e a previsão é de que os preços internacionais também sejam melhores. O milho segunda safra, plantado concomitantemente à colheita da soja, possibilita a diluição dos custos fixos da fazenda e é também extremamente benéfico ao sistema de rotação e sucessão de culturas, por uma série de razões agronômicas. Analisamos a viabilidade econômica dessa cultura considerando a sua margem de contribuição, ou seja, comparando o preço de venda com os custos variáveis, o que incorpora também as expectativas de produtividade. Como essa conta tem se provado favorável – mesmo considerando que o preço do milho é mais baixo no Centro-Oeste devido ao impacto do frete –, temos incrementado o uso do milho de segunda safra nas unidades que possibilitam esse cultivo.

Qual é a sua avaliação do momento/futuro do milho brasileiro para o ano agrícola 2018/19, incluindo as perspectivas de mercado externo?

O Brasil deixou de ser um importador de milho e passou a ser um grande exportador. A tendência é o País consolidar essa posição através do aumento na produção e nos volumes exportados. O milho, no Brasil, tem migrado cada vez mais de primeira para segunda safra. A chamada “safra de verão” tem sido cada vez menor, pois as regiões que produzem milho nessa época têm optado por substituí- -lo pela soja. Praticamente 70% da produção de milho brasileira já é de segunda safra. Como ainda há uma certa expansão em área de soja no Cerrado em curso, principalmente sobre áreas de pasto, é razoável esperar que a área de milho segunda safra continue subindo, sendo puxada pelo aumento da área de soja. Esperamos, também, que a área de milho primeira safra continue em trajetória decrescente. As estimativas apontam, hoje, para uma área de milho segunda safra próxima a 12 milhões de hectares para 2018/19, e de milho safra em 5 milhões de hectares, aproximadamente. A produção de milho, no Brasil, deverá se aproximar de 100 milhões de toneladas na próxima safra, usando estimativas de produtividade dentro da linha de tendência.

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Aurelio Pavinato é diretor-presidente da SLC Agrícola

O que está faltando para o Brasil se tornar um grande produtor de etanol de milho? Nesse sentido, quais políticas governamentais deveriam ser implementadas para a expansão da produção?

Acreditamos que o etanol de milho seja competitivo nas regiões onde o milho é barato e também nas chamadas usinas “flex”, que produzem etanol de cana e de milho, o que permite otimizar o uso da usina. Nossa visão é de que há um escopo limitado para o etanol de milho, dado que a cana é muito mais competitiva para esse fim.