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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

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Diversificar para intensificar

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Mais do que buscar a alta produtividade e não a alta produção, Henrique Dornelles sugere investir em outras atividades em paralelo ao cereal

A Granja do Ano — Qual é o planejamento para a sua safra de arroz 2018/19? Vai ampliar a área ou não? E por que tal decisão?

Henrique Osório Dornelles — Vou diminuir 40% da área de arroz, dobrando a de soja e ampliando investimento na pecuária de corte com objetivo de intensificar a produção. O arroz tornou-se uma cultura de altíssimo desembolso e necessidade de caixa para escalonar a venda do produto muito além do período de safra

E qual é a sua avaliação para a safra de arroz gaúcha 2018/19 quanto à área, à produção e à produtividade? O orizicultor gaúcho terá rentabilidade? E como foi a rentabilidade dele na safra 2017/18?

Deveremos ter nova redução de área de arroz na grande maioria dos estados brasileiros, especialmente no Rio Grande do Sul, em função dos riscos para a próxima temporada, pela previsão de ocorrência do fenômeno climático El Niño para estados do Centro e Norte do Brasil e descapitalização do setor produtivo, caso do Rio Grande do Sul. A produtividade do RS deverá sofrer leve queda, pois, na safra 2017/18, ocorreu radiação solar acima da média, pouco provável de se repetir. Produtores com produtividade média de 10 toneladas por hectare certamente realizarão lucro, mas creio que o resultado de 2018 será melhor que o próximo, em função do forte aumento de custo. Na atual safra, para quem começou a comercializar o arroz na segunda semana de julho e colheu acima da média de 8 toneladas/hectare, está realizando lucro. Sentiremos saudades da safra 2017/18! Muito ao contrário do que está dizendo a Conab através de seus custos de produção. O arrozeiro terá a impressão de “saco sem fundo”, tamanha necessidade de desembolso para a safra 2018/19. Os menos organizados terão sérias dificuldades de terminar a safra. Ultimamente, para o arrozeiro, todas as safras são de dificuldades. A safra 2018/19 também será de insegurança.

Nesse sentido, qual é a orientação que a entidade que o senhor dirige dá ao produtor com relação à safra 2018/ 19?

Esquecer a produção e focar na produtividade! Lavoura rentável é aquela que cabe no bolso do produtor somado ao crédito oficial, não de terceiros. Caso contrário, serão os terceiros a realizar o lucro. Se o produtor ainda não diversificou, deve colocar no planejamento imediatamente.

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Henrique Osório Dornelles é sócio- -proprietário da Passo do Angico

Qual é a sua expectativa para o agronegócio brasileiro em 2018, em 2019 e no futuro, sobretudo pela eleição presidencial no final de 2018?

As mudanças sempre foram constantes, mas, agora, estão com a velocidade acentuada. Tecnologias que pareciam ficção estão tornando-se realidade rapidamente, e os movimentos econômicos, tanto dentro quanto fora do Brasil, mais agressivos e significantes. Estamos produzindo cada vez mais e transportando nossos produtos nas mesmas estradas do século passado. Nossos portos possuem custos e deficiências incríveis. Não consigo acreditar na expressão “o Brasil será o celeiro do mundo” com essas limitações tão presentes. Se não ajustarmos as finanças públicas para estabelecimento de investimento mínimo e razoável em infraestrutura, será necessário cortar a produção agrícola, sob o risco de nos afogarmos em grãos. O agronegócio brasileiro é um sucesso e continuará pujante. Somente o Brasil poderá freá-lo!