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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Borracha

Dificuldades asiáticas

Por ser tomador de preço e trabalhar com um custo de produção superior aos concorrentes asiáticos, o setor brasileiro da borracha está longe da autossuficiência. Metade do consumo interno é importada. A aposta é em tecnologia e sustentabilidade

Eliza Maliszewski

O Brasil já foi supremacia na produção de borracha, mas a concorrência com o látex no Sudoeste asiático mudou esse cenário. Hoje, apenas 46% da demanda de borracha natural é produzida em solo nacional, percentual que até aumentou em relação a 2017, quando foi de 35%, de acordo com a Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor). Os dados ainda mostram que a área plantada baixou de 165 mil hectares para 147 mil, enquanto a produção alcançou 183 mil toneladas. Para suprir a necessidade de uma demanda interna de 400 mil toneladas, mais de 200 mil foram importadas da Tailândia, da Indonésia e da Malásia.

Para o diretor-executivo da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), Diogo Esperante, a maior dificuldade não é só tomar preços ditados pelo mercado asiático, mas produzir com custos brasileiros, o que inclui mão de obra mais cara e leis trabalhistas. Para driblar essa dificuldade, uma saída tem sido o incentivo à sustentabilidade da produção. Esperante observa que essa é uma tendência que vem despontando no mercado de borracha natural. Indústrias – especialmente as montadoras de veículos – estão atentas ao desmatamento, à responsabilidade social e à preservação do meio ambiente. “Os principais produtores do mundo têm índices muito baixos no que tange a esses aspectos. Temos a oportunidade de destacar nosso produto como uma alternativa mais sustentável. Cumprindo esse potencial, poderíamos nos reposicionar estrategicamente no mercado, agregando valor e rentabilidade para o produtor brasileiro", define.

Sustentabilidade e inovação — Representando 242 produtores da Região Sudeste, a cooperativa HeveaCoop é um retrato da situação que o setor atravessa. A crise de mercado e os preços baixos não são suficientes para cobrir os custos de produção, comprometendo os investimentos na atividade. O diretor-presidente da cooperativa, Humberto de Moraes, diz que a região tem potencial para ampliar a área de plantio, mas o produtor está desestimulado e sem margem de capital para reinvestir. Por ser uma cultura de ciclos longos, a maioria não tem a borracha natural como carro-chefe da propriedade. “A complementação da renda é feita com outras atividades, tais como café, banana, pecuária de leite e de corte, ou por outras atividades profissionais não agropecuárias”, completa.

Entidades do setor vêm investindo em discussões sobre inovação tecnológica. Embora a heveicultura ainda seja um processo sem mecanização, empregando uma pessoa a cada oito hectares, exige formação e treinamento. A pesquisa e a extensão rural vêm se mostrando aliadas para desenvolver o potencial e rever o emprego de tecnologias, destaca Esperante. Em 2018, a Apabor tem a expectativa de driblar a baixa da cotação internacional e as intempéries climáticas que afetaram a produção, sobretudo no Noroeste paulista (maior região produtora do País). Além disso, a associação espera que os preços fiquem bons para estimular o consumo e, assim, reduzir estoques, o que permitiria equilibrar demanda e oferta de produto.

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