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Arroz

Reação animadora

Depois de um período complicado de cotações ruins – inferiores até ao preço mínimo do Governo –, a partir do final de março de 2018, o arroz subiu em razão das altas exportações – com o dólar valorizado. As vendas externas levaram à redução da oferta interna, que provocou os compradores a elevarem a oferta de preços para evitar importações futuras. E há viés de alta, visto os contratos de exportação firmados

Rodrigo Ramos
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O ano de 2018 começou longe de ser promissor ao arroz. Com a safra cheia em 2017, após cotações muitos positivas em 2016, os preços acabaram “derretendo” naquele ano. A média de preços praticados no Rio Grande do Sul, principal produtor, se encontrava na faixa de R$ 49,60 para a saca de 50 quilos do produto em casca, em janeiro de 2017. “Com a grande oferta interna e os grandes volumes de importação vindos de países vizinhos participantes do Mercosul – em especial, do Paraguai –, em outubro do mesmo ano, o preço médio gaúcho já havia recuado 35%, passando a ser cotado a R$ 36,40 por saca”, lembra o analista de Safras & Mercado Gabriel Viana.

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Com esses preços bastante reduzidos, muitos produtores optaram por segurar sua oferta para o período de entressafra, no qual os preços costumam se elevar no mercado interno. “Porém, os compradores (indústrias e varejo), percebendo os estoques privados amplos, não elevaram as ofertas de preços de compra mesmo nesse período de entressafra, nos primeiros três meses de 2018”, pondera o analista. O setor enfrentava uma crise em que os preços já estavam sendo praticados abaixo dos mínimos estipulados pelo Governo Federal tanto no ano comercial 2017/18 (R$ 34,97/saca) quanto em 2018/ 19 (R$ 36,01). “Vendo esse viés de baixa e sem perspectivas de mudanças no curto e médio prazos, as indústrias e varejos realizavam apenas compras curtas, sem preocupação de fazer negócios com grande volume”, explica Viana.

Após esses primeiros meses de preços abaixo dos mínimos, os leilões de Prêmio para o Escoamento (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) começaram a ser oferecidos para o mercado arrozeiro nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “Com a possibilidade de escoar o cereal não somente para exportação, mas também para as regiões Norte e Nordeste do Brasil”, esclarece. “Em um primeiro momento, esses leilões acabaram tornando o mercado um pouco bagunçado, pois, com a maior oferta do arroz vindo da Região Sul, que chegava com o auxílio dos prêmios de escoamento, o produto da Região Nordeste, que estava em torno de R$ 45 por saca de 50 quilos, se reduziu”, ressalta. Os produtores e indústrias que não estavam participando dos leilões acabaram perdendo esse mercado.

Boas exportações garantem suporte — Após esse período de preços baixos até o final de março de 2018, as cotações voltaram a subir com os altos volumes de exportações, trazendo forte suporte aos preços da Região Sul. “A redução da oferta interna do cereal trouxe uma mudança de postura dos compradores, tanto na indústria quanto no varejo, que começaram a aceitar os repasses nos preços”, explica Viana. “Para não depender de importações nos próximos meses, as indústrias e o varejo elevaram suas ofertas de preços para compra na tentativa de renovar seus estoques”, frisa.

Os preços, que, no início da temporada, se encontravam abaixo do mínimo estipulado pelo Governo Federal, no dia 20 de julho de 2018, já estavam 5,35% acima dos praticados na temporada 2016/17. “E ainda deve ser mantido um forte viés de alta para o curto e médio prazos, julgando-se pelos pedidos de exportação e negócios já firmados para os próximos meses nos portos do País”, prevê. Essa forte recuperação nos preços e a mudança nas diretrizes do mercado – trazida pela alta dos preços internacionais e forte valorização do dólar frente ao real – deram novo ânimo e fôlego aos produtores gaúchos e catarinenses. “Se antes pensavam em reduzir a área de plantio e buscar outras culturas, agora, já mudam de ideia e devem elevar, ainda que de forma limitada, sua área de plantio para a próxima safra”, afirma Viana.

Área deve se expandir em 1,6% — De acordo com o primeiro levantamento de intenção de plantio realizado por Safras & Mercado, de 13 de julho de 2018, a área a ser plantada com arroz no Brasil na temporada 2018/19 deve ser de 1,905 milhão de hectares, o que representa acréscimo de 1,6% em relação à da safra anterior. Conforme o analista de Safras & Mercado, com essa área, o potencial de produção brasileiro é de 11,674 milhão de toneladas, 1,5% superior às 11,499 milhões de toneladas da safra 2017/18.

Segundo Viana, os preços pouco remuneradores tiravam cada vez mais o incentivo ao produtor para elevar ou até mesmo manter a área de produção de arroz para a próxima temporada. “Com as cotações muito abaixo dos custos de produção até o final do mês de maio (2018), as regiões que contam com uma produção menor acabam sendo prejudicadas, pois os produtores têm menor poder de especulação no mercado”, explica. Porém, os preços voltaram a atingir patamares remuneradores a partir do final de maio de 2018, o que explica o leve aumento na produção do País.

Mato Grosso tem a perspectiva de redução em, pelo menos, 11% da área plantada para 2019, passando dos 141 mil hectares da safra 2017/18 para 125 mil hectares em 2018/19. O estado sofreu com o mercado frio por parte da ponta compradora e preços baixos durante o principal período de negociação da safra produzida na região. “Com os valores da soja muito mais remuneradores, os produtores tendem a substituir a cultura orizícola por ela”, prevê Viana.

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A área brasileira na temporada 2018/19 deverá ser de 1,905 milhão de hectares, ou 1,6% a mais que na anterior, com potencial para 11,674 milhões de toneladas

A redução nas cotações nos mercados das regiões Norte e Nordeste também afeta os produtores locais, que devem reduzir, levemente, a área de produção de arroz, passando de 463 mil hectares da safra 2017/18 para 459 mil hectares em 2018/19. Já o Rio Grande do Sul deverá elevar sua área em, pelo menos, 3% para a próxima temporada, de 1,070 milhão de hectares, em 2017/18, para 1,100 milhão em 2018/19. Em Santa Catarina, segundo maior produtor, a área terá mínima elevação de 0,3% para safra 2018/19, devendo somar 145,5 mil hectares.

Bolsa de Chicago mostra firmeza — Os contratos do arroz na Bolsa de Mercadorias de Chicago iniciaram 2018 com valores muito positivos se comparados aos anos anteriores. “O suporte vem desde 2017, quando o consumo mundial se elevou e levou as cotações aos melhores níveis dos últimos anos”, descreve o analista. Porém, lembra Viana, entre os meses de maio e junho, os contratos na bolsa tiveram forte queda, chegando a recuar mais de 13% em apenas duas semanas. Os principais fatores que pressionaram os preços e causaram a forte e repentina queda foram as desvalorizações da rúpia, moeda da Índia, e do baht, moeda da Tailândia, frente às demais moedas globais, puxando os preços mundiais para baixo.

Viana destaca que a Índia é o principal exportador de arroz, devendo negociar, na temporada 2017/18, cerca de 12,8 milhões de toneladas, segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). “A Tailândia, o segundo maior exportador mundial, deve mandar ao exterior cerca de 10,5 milhões de toneladas no mesmo período”, acrescenta.

Após esses recuos nas cotações, o novo relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no início de julho de 2018, voltou a trazer suporte aos preços, ao reduzir a produção mundial em quase 1 milhão de toneladas para a temporada 2018/ 19, ao mesmo tempo que elevou o consumo mundial em quase 4 milhões de toneladas. “Essa mudança trouxe novo ânimo e suporte para que os preços da Bolsa de Chicago voltassem a subir e trabalhar praticamente nos mesmos níveis de antes do tombo recente”, completa o analista.

O relatório de julho de 2018 de oferta e demanda do USDA estimou a produção mundial de arroz beneficiado em 487,80 milhões de toneladas para 2018/ 19, e de 488,60 milhões de toneladas para 2017/18 . Já as exportações mundiais devem chegar a 49,21 milhões de toneladas para 2018/19. A previsão para o consumo é de 487,91 milhões de toneladas de beneficiado para 2018/19. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais mundiais de arroz beneficiado, na temporada 2018/ 19, foram previstos em 143,75 milhões de toneladas, e, para 2017/18, em 143,86 milhões de toneladas. A Índia deverá produzir 109 milhões de toneladas beneficiadas em 2018/19; a Tailândia, 21,2 milhões; o Vietnã, 29,07 milhões; a Indonésia, 37,3 milhões de toneladas; e a China, 142,20 milhões de toneladas. Já a safra brasileira foi estimada pelo USDA em 8,02 milhões de toneladas de beneficiado.