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Tabaco

Um quarto de século na liderança

Tabaco

O Brasil completou, em 2018, um período consecutivo de 25 anos como o maior exportador de tabaco. Nos últimos quatro anos, o volume exportado é de 450 mil a 500 mil toneladas/ano, uma receita média de US$ 2 bilhões. E a perspectiva para 2018 é de embarcar 15% a mais

Thais D’Avila

O Brasil alcançou, em 2018, a marca de maior exportador mundial de tabaco por 25 anos consecutivos, desde que a série histórica passou a ser computada. No ano, o setor registrou a exportação de 462 mil toneladas de tabaco, o que resultou em um faturamento de US$ 2,09 bilhões. A média vem se mantendo nos últimos anos, conforme o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke. “A média, nos últimos quatro anos, tem sido de um volume exportado entre 450 mil e 500 mil toneladas, e sempre ultrapassando a casa dos US$ 2 bilhões. Ter mantido essa posição por tantos anos é um fator muito positivo”, comemora. No primeiro ano em que o Brasil começou a exportar, o valor faturado com as vendas externas foi de US$ 639 milhões, e o volume foi de pouco mais de 210 mil toneladas. De lá para cá, o volume embarcado mais do que dobrou, e o faturamento cresceu 327%.

E a tendência para 2018 é de crescimento. Um levantamento realizado pela entidade em março apontou que o setor deve embarcar 15% a mais em volume e 20% em valor em 2018, em relação ao ano anterior. “Isso se deve, principalmente, ao fato de as vendas terem sido maiores nos primeiros três a quatro meses se comparadas ao mesmo período de 2017”, aponta Schünke. Ele explica que o tabaco exportado nos primeiros meses, até março ou abril, é produto da safra anterior e não do ano corrente. E como 2017 ficou com estoques maiores, no começo de 2018, foi embarcado mais. “Isso é um indicativo positivo de que iremos superar o ano de 2017”, comemora.

No que diz respeito à produção de tabaco, houve uma pequena queda, se comparada com a safra 2016/17. A colheita foi de 705,9 mil toneladas, e, para a safra 2017/18, a estimativa é de 667,2 mil toneladas. Embora a média nos três estados produtores da Região Sul – que concentra quase a totalidade de produção brasileira – tenha sido de uma pequena redução, no Rio Grande do Sul, as perdas relacionadas às questões climáticas foram importantes, em torno de 16%, mesmo tendo uma redução de área insignificante (0,1%). Já em Santa Catarina houve aumento de 8,8%, mas graças à elevação na produtividade, já que a área registrou queda de 92.830 hectares para 92.070. Conforme números da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), no Paraná, houve uma pequena redução na área (de 0,3%) e também na produção, que passou de 153.170 toneladas para 151.855 toneladas.

Conforme o presidente da Afubra, Benício Albano Werner, a tecnologia utilizada em Santa Catarina está, a cada ano, ajudando mais os produtores. “É também uma consequência do trabalho que está sendo feito na conservação do solo com a utilização do plantio direto. E isso faz com que o produtor tenha menos perda por erosão, excesso de chuva e, em caso de pequenas estiagens, praticamente não afeta em nada”, argumenta. Mas as perdas registradas no Rio Grande do Sul não foram possíveis de serem evitadas, relata Werner. “Principalmente no período de desenvolvimento do tabaco, no mês de outubro, tivemos uma tempestade muito forte, com tufão e granizo, e também com excesso de chuva”, lamenta. Esse trabalho coordenado de manejo e conservação do solo acontece nos estados do Sul em função da orientação técnica semelhante levada aos produtores, e “o que diferencia os resultados é mesmo o clima”.

Menos é mais — A boa e velha lei da oferta e procura é o que a Afubra vem explicando aos produtores para convencê-los a manter a área plantada. Com o lema “Menos é mais”, a entidade vem orientando, desde 2017, a plantar somente a área contratada junto às indústrias, através do sistema integrado. “Eles (a indústria) têm o compromisso de comprar toda a safra. Mas sempre tem um pouco de variação para mais... Na safra passada, tivemos um aumento de área bem maior do que tinha a expectativa, porque viemos de 2015/16 com uma quebra muito grande e o produtor fez um aumento na área para recuperar, e a consequência, em termos de preço, não foi boa para ele”, explica Werner. O dirigente diz que a entidade tem trabalhado para que os fumicultores entendam as contas da produção como um todo, e não só a receita bruta. “Eles olham só de dinheiro.”

Em 2018 tem a Conferência das Partes, a reunião da Convenção Quadro, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) que trata sobre o controle do tabaco, que se realiza a cada dois anos. Em cada edição, há novas medidas de restrição ao uso do tabaco e, na última, até à produção da cultura. De olho nessa realidade, as indústrias mundiais de cigarros se movimentam para encontrar novas alternativas, menos nocivas à saúde para contornar as restrições.

No Brasil, o uso de cigarro eletrônico ou produtos de tabaco aquecido ainda não é permitido. A Associação Brasileira das Indústrias do Fumo (Abifumo) afirma que defende a intensificação dos debates sobre o tema, especialmente na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), “de forma transparente, aberta e com a participação da indústria, da comunidade científica e da sociedade”, esclarece. A entidade afirma que, após inúmeros estudos, diversos países já comercializam esses produtos, com potencial menor de exposição a compostos que oferecem riscos à saúde. “A ausência de debates somente favorecerá o mercado ilegal e privará os consumidores de alternativas aos cigarros tradicionais”, acrescenta a Abifumo.

O mercado ilegal, aliás, é um fantasma para o setor. Além do conhecido problema com o contrabando, agora vem sendo registrada a existência de fábricas de cigarros falsificados dentro do Brasil. Conforme o representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na Câmara Setorial do Tabaco, do Ministério da Agricultura, Francisco Konkol, “tem gente fabricando dentro do Brasil com marcas paraguaias, tudo para burlar”, denuncia. Segundo ele, o produto legal passa por todos os testes, tem carga tributária de 80% e o compromisso das indústrias de trabalhar com sustentabilidade ambiental e social. “Já esses produtos clandestinos não passam por nenhuma fiscalização e podem conter qualquer substância, até drogas mais pesadas, ou materiais estranhos que podem fazer mal à saúde”, adverte Konkol.