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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Ovinos/Caprinos

Mais demanda que oferta

Ovinos/Caprinos

Mesmo diante da crise econômica do País e de fatores climáticos, como a seca que atingiu a Região Nordeste nos últimos cinco anos, os rebanhos de ovinos e caprinos registraram alta de 13% e 9%, respectivamente, entre 2012 e 2016. E há muito mais espaço para crescer, visto os baixos índices de consumo de ambas as carnes

Eliza Maliszewski

Dados do último levantamento da Produção Pecuária Municipal (IBGE, 2016) apontam que o Brasil apresentou taxas de crescimento nos rebanhos de ovinos e caprinos, rebanhos com maior concentração na Região Nordeste. No período entre 2012 e 2016, o País passou de 16,78 milhões para 18,43 milhões de cabeças de ovinos (+13%) e de 8,64 milhões para 9,78 milhões de cabeças caprinos (+9%). Esse crescimento é muito em função dos investimentos em eficiência produtiva, como destacam os pesquisadores da Embrapa Caprinos e Ovinos Cícero Lucena, Espedito Cesário Martins e Zenildo Holanda Filho. Entre as tecnologias consideradas fundamentais para aumentar os ganhos de produtividade de carne e leite estão a inseminação artificial, os cruzamentos industriais e o confinamento, que diminui o tempo para abate.

No caso dos caprinos de leite, a exploração de raças exóticas também tem gerado melhores resultados, e, nos de corte, tem-se recomendado o cruzamento com raças nativas adaptadas ao semiárido. Práticas de manejo, como a estação de monta, o controle de verminose, a desmama e a alimentação concentrada na fase inicial de crescimento são indispensáveis para o alcance de bons resultados. Em relação ao confinamento, ainda está restrito a grandes e médios produtores. “Temos registros que mostram que a criação de ovinos (75%) e a de caprinos (85%) são gerenciadas por agricultores familiares. Com maiores incentivos de custeio, a atividade poderia gerar mais ciclos reprodutivos em menor tempo, maior peso de carcaça, refletindo no aumento da produtividade e, consequentemente, na rentabilidade”, ressaltam os pesquisadores.

Ovinos/Caprinos

No Nordeste, o sabor forte e diferenciado da carne caprina vem alcançando novos paladares e está em cardápios de restaurantes renomados

Demanda x oferta: nova oportunidade no campo — Os criadores de ovinos vêm buscando conquistar consumidores. Uma pesquisa divulgada pela Embrapa mostra que cerca de 25 milhões (12%) de brasileiros nunca provaram carne ovina. Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), o consumo é de 400 gramas/ habitante/ano, enquanto que o de carne bovina chega a 35 quilos/ habitante/ano. O pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Marcos Borba, diz que a falta de conhecimento dificulta o consumo fora de ocasiões especiais, mas que, antes de se fazer campanhas de incentivo, é preciso aumentar a produção para dar conta da demanda. “Hoje, o Brasil importa cerca de 15 mil toneladas. Tem muito mais demanda pela carne ovina do que oferta. Isso é uma oportunidade que deve ser bem observada pelo produtor. Mudanças no perfil das famílias que exigem cortes menores, embalagens que facilitem consumo e conservação, e que assegurem sanidade, não só na carne como no leite, podem gerar produtos de alto valor agregado”, avalia Borba.

Para o assessor técnico da Arco, Edegar Franco, o atual cenário desafia ao produtor melhorar os índices de cobertura, nascimento e assinalação de cordeiro. “Temos uma força importante que é a grande diversidade de raças e cruzamentos industriais. No entanto, isso nos proporciona carcaças com diferentes tamanhos e marmoreio. Sem dúvida, a maior dificuldade do setor está no número de ovinos por produtor. Com poucos animais, aumenta a dificuldade de acesso ao frigorífico (fazer carga, frete mais caro), e não colabora para o cooperativismo entre os criadores”, enfatiza. As entidades ainda esperam que, em 2018, as cadeias de ovinos e também de caprinos consigam superar os abates clandestinos, com locais especializados que assegurem qualidade. Também há expectativa de conclusão do Programa Sanitário Nacional de Caprinos e Ovinos, do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, que pode abrir portas para exportação de genética e facilitar o acesso de animais em alguns estados.

Caprinos em alta — Consumir carne de cabra ou de bode não é incomum no Sertão Nordestino. E o sabor forte e diferenciado vem alcançando novos paladares. O produto está em cardápios de restaurantes renomados e vem sendo procurado por consumidores em supermercados nos fins de semana. O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Caprinos (ABCC), Arlindo da Costa Filho, diz que esse cenário ainda tem muito potencial. “Uma criação mais organizada é um fator importante e tem contribuído no aumento do consumo”, completa.

Da mesma forma, desponta a produção de derivados de leite. De acordo com a Embrapa Caprinos e Ovinos, a comercialização de leite de cabra no Brasil é recente. Até meados da década de 1980, não havia empresas habilitadas que atendessem à legislação sanitária. Nesse sentido, ainda há escassez de levantamentos. Entretanto, quando se analisa o consumo per capita no Brasil, é possível chegar a uma estimativa média em torno de 1,2 quilo/habitante/ano (dados da FAO). Esse índice ainda é baixo quando comparado a países como a França e, portanto, com grande chance de crescimento do mercado consumidor.

Na produção de queijos finos e maturados, que têm valor mais elevado, a atividade tem contribuído para a expansão da produção, da seleção de matrizes com mais capacidade produtiva e da pesquisa por novos produtos. A Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos de Minas Gerais (Caprileite/Accomig) mantém um programa de melhoramento de cabras leiteiras em parceria com a Embrapa, com controle de produtividade. O diretor técnico da instituição, Cláudio Espeschit, comenta que os criadores trabalham com raças especializadas em produção de leite, principalmente Saanen, Alpina, Toggenburg e Anglo Nubiana. A inseminação artificial que visa ao melhoramento animal tem sido largamente empregada. “Existem indústrias que trabalham com leite caprino e transformam esse leite em leite longa vida, leite em pó e outros produtos lácteos. O Brasil ainda é um grande importador de produtos lácteos caprinos, e isso é uma prova de que o mercado consumidor está em franca expansão”, aponta.