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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Mel

O gostoso seria mais profissionalização

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O mel ainda é atividade secundária para 90% dos produtores. E a produtividade varia muito: 100 quilos por colmeia no Sul, 15 quilos no Nordeste. Campanha busca esclarecer que é alimento, não apenas remédio

Luís Henrique Vieira

A Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) estima que o Brasil deve manter uma produção anual de mel de, aproximadamente, 50 mil toneladas, já considerando o produto que não chega a entrar no circuito comercial. No entanto, o número poderia ser muito mais alto se esse tipo de produção tivesse mais investimento e fosse a atividade principal dos produtores. Cerca de 90% dos apicultores brasileiros não têm a produção de mel como atividade principal, segundo a entidade. Os dados oficiais do IBGE são apenas de 2016 e registraram 39,6 mil toneladas.

O número é superior às 37,9 mil toneladas de 2015 e às 38,5 mil toneladas em 2014, mas abaixo das 41,8 mil toneladas de 2013. “A produção brasileira é muito baixa. Por exemplo, no Sul do Brasil, a produtividade é quase dez vezes superior à do Nordeste. No Sul, se produz quase 100 quilos por colmeia. No Nordeste, são 15 quilos por colmeia. Os investimentos não são caros, e, ao contrário de outras atividades, o retorno pode ser imediato, e não em vários anos”, argumenta o presidente da CBA, José Soares de Aragão Brito.

Não é remédio — Uma das iniciativas anunciadas pela CBA é promover uma campanha publicitária que promova o mel como alimento, e não como remédio, como é visto no Brasil, segundo Aragão Brito. No País, o consumo é inferior a 100 gramas por habitante/ano, que está muito abaixo da média internacional. Para se ter uma ideia, Estados Unidos e Alemanha têm uma média de consumo de um quilo/ pessoa/ano. “A demanda externa deve continuar crescendo, mas podemos dobrar nossa produção e produzir apenas para o mercado interno se chegarmos aos níveis internacionais de consumo”, disse o presidente da CBA.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), o Brasil exportou aproximadamente 27 mil toneladas em 2017, acima das 24,2 mil de 2016, posicionado como nono exportador mundial, logo atrás do México. O preço pago ao produtor chegou a R$ 13 ao quilo em 2017, mas baixou para R$ 7 em 2018. “A demanda global foi muito alta, mas a produção cresceu ainda mais no mundo e teve reflexo no Brasil. O preço, felizmente, ainda é lucrativo e deve se manter nesses níveis nos próximos anos”, analisa Agenor Castagna, presidente da Abemel.