A Granja do Ano – 36 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Laranja

Lavoura doce

Laranja

A produção brasileira de laranja 2017/18 é a quarta maior dos últimos 30 anos – 62% acima da anterior –, com produtividade de 1.033 caixas/hectare (ante 634). E o mercado na temporada foi favorável, visto os estragos do furacão Irma na safra dos concorrentes norte-americanos, o que levou as exportações brasileiras a crescerem 29%

Leonardo Gottems

Aprodução de laranja colhida no Brasil nos últimos anos não tem sido nem um pouco ácida. Pelo contrário, os citricultores estão enchendo as caixas com safras recordes ano após ano. Essa oferta, no entanto, deve sofrer uma baixa devido a algumas doenças conhecidas dos Citrus BR produtores, bem como a práticas comerciais que provocam polêmica. No ciclo 2017/18, por exemplo, o cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiros – maior produtor da fruta no mundo – registrou uma produção de 398,35 milhões de caixas de 40,8 quilos. De acordo com Vinicius Trombin, coordenador da Pesquisa de Estimativa de Safra do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a produção é a quarta maior registrada nos últimos 30 anos, 62% a mais do que o obtido em 2016/17 (245,31 milhões de caixas) e 25% acima da média dos últimos dez anos. Mais especificamente, foram colhidas 1.033 caixas por hectare, ante 634 no ano anterior.

Para Trobin, as chuvas abundantes – de aproximadamente 1.373 milímetros de média mensal em todas as regiões produtoras – foram determinantes para a alta histórica da produção, aumentando consideravelmente o peso médio dos frutos para 166 gramas. “As laranjeiras, que haviam sido menos exigidas em função da baixa produção no ciclo anterior, desfrutaram das condições climáticas ideais para o florescimento, que aconteceu a partir de agosto de 2016, resultando em uma alta carga de frutos por árvore”, explica. O mercado de suco de laranja também teve um ano favorável em 2017/18, motivado por uma relação de oferta bem ajustada. Segundo informações do diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (Citrus BR), Ibiapaba Netto, o furacão Irma trouxe muitos prejuízos para o setor nos Estados Unidos, o que colaborou com a procura e com os preços da laranja e, principalmente, do suco brasileiro.

No entanto, as projeções do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) dão conta que a expectativa para a safra 2018/19 segue firme, mas com uma produção menor do que no ciclo anterior. Para a pesquisadora de citros do Cepea, Fernanda Geraldini, a maioria dos produtores já fechou contratos com as processadoras a valores entre R$ 20 e R$ 22/caixa, colhida e posta na fábrica, o que acaba por definir como alta a remuneração por caixa. Nesse sentido, o Fundecitrus estima uma produção de 288,29 milhões de caixas para a próxima temporada, o que representa uma redução de 27,62% em relação a 2017 e 10,83% quando comparado à média dos últimos dez anos. Isso se deve à alta exigência das plantas na última safra, e às altas temperaturas registradas em outubro de 2017, que diminuíram a intensidade da florada, o que permitiu novas florações em janeiro de 2018, mas ainda fracas, reduzindo o número de frutos por árvore.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontaram que as exportações brasileiras de suco de laranja encerraram o ano safra 2017/18 com alta de 29%. Já entre julho de 2017 e junho de 2018, o volume de suco vendido para fora do País fechou em exatas 1.150.714 toneladas, com o faturamento aumentando em 30% e batendo os US$ 2,1 bilhões. Segundo Netto, essa foi a primeira vez que o Brasil exportou um volume maior do que 1 milhão e 100 mil toneladas. “A safra 2016/17 teve uma grande restrição de oferta. Foi uma das menores safras em 30 anos. Isso restringiu a oferta de suco, e, por essa razão, exportamos muito pouco na safra anterior. E na safra 2017/18, a gente recuperou esse nível de embarque, até com uma certa gordurinha”, explica. Como o mercado interno da fruta in natura é relativamente estável com relação à demanda, a oferta e os preços dependem diretamente do tamanho da safra e da demanda industrial. Assim, a pesquisadora Fernanda revela que os preços seguem relativamente bons, já que a próxima safra deverá ser pequena e a demanda industrial tende a continuar firme.

Apenas o greening azeda — De acordo com Trombin, a doença greening (também chamada de Huanglongbing, HLB ou Amarelão dos Citros) está presente em 16,73% dos pés de laranja do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, número que pode chegar a 32 milhões de árvores doentes. Como principal solução, o coordenador indica medidas como erradicação das plantas doentes; monitoramento e controle do inseto vetor da doença, o psilídeo; manejo regional, que é quando vários produtores se reúnem para realizar controle conjunto em uma mesma região; e ações externas de manejo.

Além dessa ameaça, o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flavio Viegas, lembra de um problema que está prejudicando o setor de citros há muito tempo – e que ainda não foi sanado. Segundo ele, o mercado é controlado por três grandes empresas que visam ao mercado mundial de suco de laranja, o que torna a cultura frágil e dependente. “A solução seria o estabelecimento de um sistema que assegurasse aos pequenos e médios produtores uma participação no processamento e um sistema de remuneração vinculado ao preço de mercado do suco, similar ao sistema oferecido pela Coca-Cola aos citricultores da Flórida”, conclui Viegas.