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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

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Mais ânimo e mais investimentos

Os triticultores da C. Vale aumentaram a área do cereal, enquanto a cooperativa amplia a agroindustrialização com um frigorífico de peixes

Nome da empresa: C. Vale Cooperativa Agroindustrial
Sede: Palotina/PR
Número de associados: 20.500
Associados triticultores: 2.217
Área e produção de trigo 2017: 118.000 hectares
Municípios presentes: 75 municípios
Faturamento em 2017: R$ 6,9 bilhões
Faturamento em 2018 (previsão): R$ 8,1 bilhões

A Granja do Ano — Qual é a realidade do produtor de trigo associado da C.Vale? Ele aumentou ou diminuiu a área em 2018? E, nesse sentido, quais são as perspectivas dele quanto à rentabilidade do cereal?

Alfredo Lang — A área de trigo dos produtores atendidos pela C.Vale no Paraná aumentou devido ao ânimo dos produtores com os preços, do atraso da colheita da soja de verão, em que o período de plantio do milho safrinha ficou fora do ideal e essas áreas migraram naturalmente para a cultura do trigo. No estado, a área deve aumentar 8%. A perspectiva de rentabilidade é positiva pela recuperação dos preços internos desde o fim da última colheita por causa da forte quebra de safra no Sul do País e pela alta dólar, que encareceu as importações da Argentina. A confirmação dessa projeção vai depender de um clima adequado para a cultura. Tivemos perdas no potencial produtivo de algumas áreas devido ao período de junho e julho com deficiência hídrica para a cultura no Paraná, o que comprometeu a rentabilidade do produtor rural.

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Alfredo Lang é presidente da C. Vale Cooperativa Agroindustrial

O Plano Agrícola e Pecuário 2018/ 2019 contemplou os anseios e necessidades do triticultor associado?

Não atendeu aos anseios dos produtores devido à taxa de juros, que caiu apenas 1,5 ponto percentual. O custo do crédito rural ficou praticamente o custo de recurso livre. Outro problema está relacionado com a subvenção federal.

Deveria haver uma política exclusiva para a cultura do trigo, pois, geralmente, é a última a ser cultivada. No momento da contratação do seguro para a cultura do trigo, o valor é insuficiente para cobrir as necessidades do produtor para a cultura. Sem a subvenção federal, a contratação do seguro acaba ficando cara, desestimulando o plantio da cultura.

Quais são as orientações da C.Vale para o seu associado quanto às gestões técnica e econômica da lavoura de trigo e também sobre as demais culturas?

A C.Vale orienta seus cooperados para que realizem a rotação de culturas, já que o trigo é fundamental para essa prática agronômica. Porém, a baixa rentabilidade da cultura limitou o plantio nos últimos anos. A C.Vale vem desafiando a equipe técnica sobre a busca de tetos produtivos de 100 sacas/hectare de trigo para melhorar a rentabilidade da cultura. Não é uma tarefa fácil, diante dos resultados que as circunstâncias impuseram ao setor nos últimos anos. A cooperativa tem investido fortemente em capacitação da equipe técnica para as práticas de manejos das culturas buscando produtos e serviços que atendam a um mercado cada vez mais competitivo.

O que o senhor gostaria de destacar quanto às iniciativas e às conquistas da C.Vale e quais são as perspectivas da instituição para os próximos meses?

Em 2017, apesar das dificuldades da economia nacional, conseguimos avançar em nosso processo de agroindustrialização. Inauguramos um abatedouro de peixes, um investimento de R$ 110 milhões. Queremos chegar ao final de 2018 abatendo 75 mil tilápias/dia. É um novo sistema de integração em que a C.Vale oferece os peixes pequenos, a assistência técnica e a ração. O produtor entrega os peixes prontos para o abate. É mais uma alternativa de renda para o produtor e de faturamento para a cooperativa. Criamos 400 novos empregos em um ano no qual a maioria das empresas fechou postos de trabalho. Para 2018, queremos ampliar o faturamento comercializando volumes expressivos de soja e milho, aproveitando os preços mais atrativos que em 2017.