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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

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Meta: prateleiras americanas

Vitivinicultura vendeu muito menos no mercado doméstico em 2016 e no primeiro semestre de 2017, mas espera recuperar terreno com eventual reação da economia. Já as exportações cresceram muito, e a meta é consolidar novos clientes externos – e o americano é prioridade

Luís Henrique Vieira

Tanto as vendas domésticas de vinhos produzidos no Brasilquanto as de espumantes sofreram uma drástica queda de mais de dois pontos percentuais em 2016, com uma comercialização total de 202 milhões de litros. Nos seis primeiros meses de 2017, a tendência de queda continuou, com um decréscimo aproximado de 8% nas vendas de vinho em comparação a igual período do ano anterior, e de 13,33% no caso dos espumantes. Por outro lado, as exportações das duas bebidas no período compensaram as perdas no mercado interno, golpeado pela forte crise econômica. Em 2016, a comercialização de vinhos chegou a 2,1 milhões de litros, salto de 45,48% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas externas de espumantes subiram 19,8%, para 174 mil litros. Ambos os índices de crescimento seguiram nos primeiros meses de 2017.

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O diretor de Relações Institucionais do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Paviani, explica que, mesmo com o fortalecimento do real frente ao dólar, os trabalhos de divulgação vêm consolidando a marca brasileira nos Estados Unidos, no Reino Unido e na China no caso dos vinhos, e na Europa em geral em relação aos espumantes. Para Paviani, as exportações devem continuar crescendo, mesmo porque o volume atual ainda é relativamente baixo. “Temos a expectativa de nos consolidarmos ainda mais em alguns mercados já definidos como prioritários, como os Estados Unidos, por exemplo, e continuar crescendo em volume e principalmente em valor”, avalia o dirigente.

Um motivo de otimismo em relação ao mercado interno é uma expectativa de recuperação da economia na segundo semestre de 2017 e uma maior oferta de produtos da safra recorde do ano, de mais de 297 milhões de litros de vinho, espumantes e sucos, o que corresponde a 50,4% da safra de uva, e os restantes 49,6% são transformados em uva de mesa. Entre os problemas de competitividade, Paviani citou justamente a questão cambial como uma das mais preocupantes. “Nosso real está valorizado. Isso atrapalha duplamente, facilitando as importações e dificultando as exportações” reclama. Em 2016, houve um crescimento de dois pontos das importações, tanto de vinhos como de espumantes.

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Um reconhecido programa para melhorar a competitividade da vitivinicultura brasileira é o Programa de Modernização da Vitivinicultura (Modervitis), da Embrapa Uva e Vinho. Como sugere o nome, o programa visa provocar um choque tecnológico para aprimorar a qualidade da produção de uva, mas também para melhorar a relação entre indústrias e pequenos agricultores. Porém, de acordo com o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho José Fernando da Silva Protas, o programa Modervitis neste momento está paralisado em função de cortes de orçamento federal para o programa. Como alternativa ao financiamento do tesouro e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Protas buscou financiamento ao programa com projeto apresentado ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). “Não sabemos o que vamos conseguir, quais seriam as condições, o que eles gostariam de financiar, mas nesse momento trabalhamos com essa alternativa diante da falta de recursos federais para o Modervitis,” conta Protas.

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Uva sem semente — Outro trabalho que vem sendo desenvolvido pela Embrapa Uva e Vinho, há dez anos, é a identificação do gene que possibilita a ausência de sementes na uva. A descoberta pode chegar ao desenvolvimento de uvas sem sementes, um produto mais atrativo para o consumidor. O pesquisador Luís Fernando Revers destaca que a investigação ainda precisa de muito tempo para chegar a uma cultivar e ainda não há prazo pela falta de recursos. “Nesse momento, nossos recursos estão sendo cortados pela metade, precisamos de muitos insumos importados. Não se lança a cultivar em um espaço de sete ou oito anos,” lembra Revers.

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Segundo o pesquisador, a descoberta atraiu o interesse de especialistas da Espanha, dos Estados Unidos, da Índia e da China, entre outros países.

Para Revers, é muito importante elaborar bem o próximo passo. “Precisamos transformar o conhecimento sobre esse gene. Vamos tentar desenvolver uma ferramenta biotecnológica para fazer um teste de uva sem semente. Esse tipo de tecnologia só interessa a grupos que fazem melhoramento. Não existem no Brasil programas de melhoramentos de frutas privados, só no caso da macieira”, ressalta.