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Suínos

Com olhos no exterior

Suínos

A crise econômica resulta em menor consumo doméstico, e assim as exportações são a salvação da suinocultura. Apesar do impacto da Operação Carne Fraca no início de 2017, setor fechou o primeiro semestre com receitas externas 28,5% superiores

Jorge Correa

Sob o impacto da Operação Carne Fraca, o setor de suínos também sentiu os efeitos em seus negócios no exterior. Muitos embarques foram suspensos total ou parcialmente. Outros retomados após negociações entre o Governo brasileiro e entidades do setor. Conforme levantamentos feitos pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embargos totais em vigor representam o equivalente 0,2% das exportações de carne suína Lucas Scherer/Embrapa Suínos e Aves (conforme números de 2016). Para o presidente da entidade, Francisco Turra, em junho de 2017, quase quatro meses após a operação da Polícia Federal, os embarques de carne suína foram superiores ao do mesmo período do ano anterior.

Com a situação da credibilidade solucionada, as exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizou saldo de US$ 814,7 milhões entre janeiro e junho de 2017, número 28,5% acima do obtido no mesmo período do ano anterior, de US$ 633,8 milhões. Esse é o melhor desempenho cambial semestral dos últimos cinco anos. Em toneladas, o total acumulado nos seis primeiros meses de 2017 chegou a 343,3 mil toneladas, número 2,8% inferior ao obtido no mesmo período do ano anterior, de 353,3 mil toneladas. Em junho, os embarques totalizaram 64,1 mil toneladas, 4,6% a mais que o efetivado no sexto mês de 2016, com 61,3 mil toneladas. Já em receita, a elevação chegou a 26,9%, com US$ 156 milhões no sexto mês deste ano e US$ 122,9 milhões no mesmo período de 2016.

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A Europa Extra-União Europeia segue como principal destino semestral dos embarques de carne suína, com 138,6 mil toneladas entre janeiro e junho de 2017, volume 13,5% acima do alcançado nos seis primeiros meses de 2016. Em segundo lugar, a Ásia importou 118,4 mil toneladas, com retração de 22,3%. No terceiro posto, os países das Américas importaram 51,1 mil toneladas (7%). Em quarto lugar, a África foi destino de 22,4 mil toneladas (-7,8%).

Demanda interna fraca — Para o analista Allan Maia Alano, do Departamento de Produção de Safras & Mercado, apesar da desaceleração da inflação, o nível de desemprego no Brasil atinge um patamar preocupante e não deve apresentar grande mudança no curto prazo. “O País passa ainda por um momento político bastante conturbado, fator que barra e torna lento o crescimento econômico no momento. Assim, a demanda interna tende a seguir enfraquecida durante o segundo semestre de 2017, uma vez que a renda do consumidor está deteriorada”, explica. Nesse sentido, entende que o alto fluxo de exportações é imprescindível para o equilíbrio do mercado durante o segundo semestre.

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O especialista lembra que o setor suinícola iniciou 2017 com um sentimento positivo. Isso foi observado até o início de março, quando o preço do quilo vivo chegou ao ápice do ano atingindo a média de R$ 4,20 no Centro-Sul, de acordo com Safras & Mercado. Naquele momento as exportações apresentavam ritmo acelerado, atingindo número recorde para um primeiro bimestre. “A demanda interna iniciou o ano aquecida, puxado pela renda extra gerada ainda no final de 2016, com a entrada de 13º salário e bonificações. Em fevereiro, a demanda começou a dar sinais de fraqueza, no entanto, os preços continuaram a trajetória ascendente, puxados pela exportação, fator que estava dando equilíbrio ao mercado interno”, explica.

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A deflagração da Operação Carne Fraca, na sua avaliação, trouxe profunda mudança no mercado brasileiro de carnes. A ação gerou uma desconfiança quanto à qualidade do produto brasileiro, o que acarretou na desaceleração das exportações nos meses subsequentes, principalmente abril e maio. “Com a queda das exportações, o mercado interno começou a apresentar excedente de oferta e os preços, tanto do animal vivo como dos principais cortes do atacado, não encontraram nenhum ponto de sustentação, e apresentaram forte retração, atingindo a mínima do ano no final de junho”, ressalta Alano. A expectativa do analista é que os embarques avancem de forma gradativa e os volumes tendem a chegar a níveis semelhantes aos registrados antes da deflagração da operação durante os próximos meses, o que pode trazer maior equilíbrio ao setor na segunda metade do ano e recuperação dos preços internos.

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves Dirceu Talamini acrescenta que o consumo interno de carne suína e as exportações têm aumentado a cada ano. “Esta carne é largamente usada em produtos processados como frescais, salames, presuntos e em diversos pratos ready to cook. Estima-se que cerca de 60% da produção brasileira são destinados a produtos processados e 40% consumidos como carne in natura. Isso agrega valor a essa carne, mas, por outro lado, os produtos elaborados possuem preços mais elevados, o que restringe o consumo”, frisa o especialista. Lembra ainda que essa é uma realidade diferente do que ocorre em países da União Europeia, onde o consumo per capita atinge 40 quilos ao ano. No Brasil, é de apenas 14 quilos.