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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

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O problema vem da Ásia

Mercado interno da borracha demanda 400 mil toneladas por ano, das quais apenas 40% são produzidos no Brasil. Portanto, há muito potencial no horizonte de um país que já foi o maior produtor mundial e hoje responde por apenas 1,5%

Eliza Maliszewski

A heveicultura é de fácil adaptação ao clima e tem alto potencial para cultivo em recuperação de áreas degradadas. O principal consumidor interno é a indústria de pneus, que responde por 80% do volume. São 165 mil hectares de seringueiras cultivadas em 12 estados. O Brasil já foi o maior produtor e exportador mundial de borracha, mas a competição com mão de obra barata e legislações trabalhistas e ambientais menos rígidas dos países asiáticos deixaram o País, em 2016, responsável por menos de 1,5% da produção mundial.

Mesmo diante do cenário de competição desigual, segundo a Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor), a produção vem aumentando. Nos últimos 15 anos, a área plantada no Brasil se multiplicou por cinco e a produtividade, por dois. Para Diogo Esperante, coordenador do Programa de Monitoramento Estatístico da entidade, a oferta brasileira cresce a taxas mais altas que as mundiais (6,3% contra 3,18%), mas o consumo brasileiro cresce acima da média mundial, mas tal demanda é atendida pelo mercado internacional.

O estado de São Paulo é o maior produtor de borracha natural. No final da década passada e início desta, registra um importante aumento, sobretudo na área plantada. O mesmo ocorre em Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Minas Gerais. Esperante destaca que o maior obstáculo a essa expansão é o tempo de desenvolvimento da planta, que é de 7 a 9 anos. “Mesmo com esse fator, devemos sentir um impacto na produção no final desta década. A projeção é atingir de 45% a 50% da demanda brasileira”, projeta.

Diversificação é o caminho — A Cooperativa de Seringueiros de Ouro Branco, que representa 87 produtores do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, não prevê essa expansão. Para o presidente, Rubens Ribeiro, no ano passado a produção não mudou muito em relação a outros anos. A falta de políticas de incentivo e o baixo preço da borracha têm feito com que os seringueiros partam para outras culturas para complementar a renda. “Estamos orientando os cooperados a produzirem frango, banana, mandioca, limão, abacaxi e piscicultura. Para crescer como seringueiro, o desafio é assegurar um valor que estimule novos plantios ou ative os que estão parados. É a valorização do mercado interno”, argumenta.

No ano passado, uma decisão do Governo elevou a alíquota de importação do látex de 4% para 14% ao ano, para preservar o mercado interno. Mesmo assim, a Abrabor teme que essa variação nos preços a que o setor é sensível seja determinante para barrar o crescimento da produção doméstica, visto os altos custos pela tributação e também pela facilitada oferta dos países asiáticos. Para Esperante, mesmo com grande potencial, o País é ainda dependente de importações, fator que pode causar mudanças na demanda produtiva e gerar queda já na próxima década.

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