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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Olivicultura

Mercado promissor

Atividade com desenvolvimento recente no Brasil, o cultivo de olivais tem perspectivas positivas diante da qualidade dos azeites já produzidos. Demanda pelo alimento é outro fator de destaque, já que o País é um dos maiores importadores mundiais. Mas a cadeia ainda está em formação, o que significa que é preciso trabalhar muito para a consolidação da atividade

Denise Saueressig
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O Brasil importa praticamente 99% do azeite que consome. Excluindo o comércio entre os países da comunidade europeia, o País foi o segundo maior comprador no ciclo agrícola 2014/2015, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo o Conselho Oleícola Internacional, órgão com sede na Espanha e que reúne as informações sobre produção e demanda mundial.

Os números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior também registram que esse é um mercado em ascensão. Enquanto em 2006 o volume importado foi de 19 mil Divulgação toneladas, em 2016, passou a 48,8 mil toneladas. O recorde foi atingido em 2014, com a importação de mais de 73 mil toneladas de azeite.

Nos supermercados, é comum encontrar marcas com origem em países líderes na produção, como Portugal, Grécia, Espanha e Itália, onde a oliveira é um cultivo milenar e favorecido pelas condições climáticas das regiões semiáridas às margens do Mar Mediterrâneo.

Nos últimos anos, no entanto, os consumidores brasileiros vêm encontrando a possibilidade de optar por azeites produzidos aqui no País. Ainda que timidamente, rótulos nacionais vêm ocupando lugar especialmente pelo diferencial da qualidade. O preço é mais alto em relação às marcas estrangeiras mais conhecidas (reflexo da baixa escala), e ainda são poucas garrafas ofertadas em grandes redes de supermercados. O mais comum é encontrar esses azeites em canais de vendas diretas com os fabricantes e em lojas especializadas.

O importante, porém, é que os produtos nacionais são azeites comprovadamente extravirgem e que têm garantia de frescor, já que são transportados por curtas distâncias após o processamento, o que favorece a manutenção de suas propriedades físicas e químicas.

Olivicultura

Apoio à organização - O Ministério da Agricultura vem incentivando a atividade por meio de iniciativas com diferentes enfoques. Um dos trabalhos é realizado por meio da Comissão Permanente da Olivicultura Brasileira, que reúne representantes dos estados produtores e debate as principais demandas do setor. “A oliveira é uma cultura nova no Brasil e há muitas questões que precisam ser analisadas. Uma delas é a necessidade da criação de normativas e de padrões para a produção de mudas”, detalha o coordenador da comissão, Luís Pacheco.

Outra questão fundamental diz respeito à ampliação do registro de defensivos para uso nos pomares. Hoje os produtores têm à disposição apenas três agroquímicos (um inseticida, um herbicida e um acaricida) registrados para a cultura. A capacitação de produtores, técnicos e trabalhadores também é vista como uma prioridade pelo Ministério. “Em outubro, vamos apoiar uma missão de brasileiros ao Uruguai, onde a cadeia está estruturada há mais tempo e onde as condições climáticas são semelhantes às encontradas aqui”, relata Pacheco. “Acreditamos que a atividade tem potencial para crescimento, e nosso trabalho é ajudar a cadeia a ser organizar”, acrescenta o dirigente.

Projeção de crescimento - O cultivo de oliveiras vem crescendo nos estados das Regiões Sul e Sudeste. No Rio Grande do Sul, a estimativa do Programa Estadual de Desenvolvimento da Olivicultura (Pró-Oliva), é de que a área plantada tenha alcançado os cerca de 2 mil hectares este ano. O incremento ocorreu especialmente na última década, já que em 2005 o plantio era calculado em apenas 12 hectares.

Segundo a Secretaria da Agricultura, que é responsável pelo Pró-Oliva, em torno de 160 produtores estão envolvidos na cultura e 16 marcas de azeite participam das ações do programa. Na safra 2016/2017, foram colhidas 550 toneladas de azeitonas e fabricados 55 mil litros de azeite. Alguns rótulos inclusive já receberam premiações internacionais. A projeção é de que até o final de 2018 a área cultivada possa chegar a cerca de 3 mil hectares em regiões como a Fronteira Oeste e a Metade Sul do estado.

Em Santa Catarina, ainda não existem indústrias instaladas, mas a estimativa é de que o cultivo ocupe em torno de 50 hectares. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do estado (Epagri) está envolvida em estudos voltados à olivicultura desde o início dos anos 2000. Faz parte do trabalho a realização de experimentos com variedades em diferentes regiões. O pesquisador da Epagri Eduardo Cesar Brugnara explica que ainda não existe um zoneamento agroclimático para a cultura, mas as observações feitas até agora indicam melhores resultados em áreas do Oeste, Meio Oeste e Extremo Oeste.

Com um equipamento importado da Itália, a Epagri também já realizou a extração do azeite a partir de plantas cultivadas no estado. “Foram feitas análises físico-químicas em parceria com uma instituição de pesquisa da Argentina e os resultados foram positivos, com boas perspectivas para a nossa produção”, conta Brugnara.

Ainda faz parte do trabalho da Epagri a promoção de dias de campo, palestras e mini-cursos de degustação. “Com base nos dados coletados até agora, concluímos que a olivicultura tem potencial interessante de crescimento em Santa Catarina. No entanto, precisamos de mais informações referentes ao cultivo e ao manejo nas nossas condições de clima. É importante adaptarmos a tecnologia às nossas características e investirmos mais em pesquisa para que esse potencial se transforme em realidade”, destaca o pesquisador.

Conhecimento para superar desafios - No Paraná, em parceria com a Embrapa Clima Temperado, a Emater faz avaliações da cultura há cerca de oito anos. Duas unidades experimentais foram implantadas em São José dos Pinhais e em Salto do Lontra para avaliação de cultivares. Hoje a atividade está presente em pouco mais de 80 hectares e envolve em torno de 15 produtores. “Percebo a olivicultura como uma alternativa de renda para pequenas propriedades”, observa o pesquisador Cirino Corrêa Junior, coordenador do Projeto Estadual de Plantas Potenciais, Medicinais e Aromáticas.

A expectativa, segundo ele, é que nos próximos anos os produtores possam trabalhar com unidades de extração coletivas para viabilizar a fabricação do azeite. A partir da próxima safra, deverá iniciar a operação de um projeto na Colônia Witmarsum, em Palmeira. A Emater vai prestar assistência a produtores locais que poderão processar os frutos por meio de um equipamento financiado pelo programa Paraná Rural. Ainda este ano está programado, em parceria com a Embrapa, um treinamento de técnicos da Emater voltado ao cultivo e ao manejo das oliveiras. “Há muito o que aprender sobre a cultura, principalmente porque enfrentamos desafios relacionados ao clima”, constata Junior.

No Sudeste, a área cultivada com olivais soma em torno de 2 mil hectares, com destaque para Minas Gerais, que responde pela metade dos pomares implantados. Considerando também as iniciativas em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, aproximadamente 180 produtores investem na atividade. O processamento do azeite na região chegou a 42 mil litros na atual safra, de acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que coordena ações na área.