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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Laranja

Preços mais saborosos

O mercado brasileiro da laranja está aquecido visto que as recentes safras brasileira e americana foram menores. Mas a produção também encolheu, o que é ruim para os produtores. Porém o maior problema dos citricultores hoje atende pelos nomes de greening e HLB, doenças que exigem ações conjuntas

Leonardo Gottems

Os produtores brasileiros de laranja experimentam um momento de sentimentos mistos nesta temporada 2017/18. Se por um lado os preços estão em alta, prometendo valores bem remunerados, por outro a perspectiva é de produção baixa e de preocupações com as pragas que historicamente afetam a cultura – principalmente o HLB (huanglongbing) ou o greening: o popular amarelão dos citros. O mercado de laranja no Brasil está aquecido em virtude de uma safra pequena no parque citrícola de São Paulo e Minas Gerais (o maior do mundo), estimada pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) em 245,78 milhões de caixas de 40,8 quilos, o que representa uma queda de 11,9% sobre as 278,993 milhões de caixas a safra 2015/16.

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E produção também pequena na Flórida, em razão do clima e da doença greening, com previsão do Departamento de Agricultura Americano (USDA) de 81,5 milhões de caixas. Além disso, os estoques de passagem de suco (de 2015 para 2016) foram baixos no início da safra. Tais fatores acarretaram no equilíbrio entre a oferta e demanda de suco de laranja, resultando em preços mais altos para a cadeia produtiva brasileira em relação aos anos passados.

De acordo com Vinícius Trombin, coordenador da Pesquisa de Estimativa de Safra do Fundecitrus, as explicações para o cenário atual estão relacionadas à queda de produção dos pomares, causada, principalmente, pelo clima no Brasil, devido às altas temperaturas na florada e excesso de chuvas na fase pós-florada, após outubro de 2015. Também há influência da questão fitossanitária, sobretudo na Flórida, devido ao HLB, que afeta o desenvolvimento dos frutos e provoca a queda prematura. Segundo a pesquisadora da área de citros do Cepea, Fernanda Geraldini, após alguns anos de baixa remuneração, os preços da laranja “reagiram em 2016 e seguem em patamares satisfatórios em 2017, ainda que inferiores aos do ano passado (2016)”, descreve. “As melhores cotações são um alento a produtores, principalmente os que negociam no mercado spot, pois tiveram anos complicados na citricultura recente, inclusive adquirindo dívidas para manutenção da atividade”, avalia.

Os preços desta temporada estão bastante diversificados: entre R$ 16 e R$ 25 a caixa (colhida e posta na processadora), sendo os maiores valores (acima de R$ 20/caixa) para produtores que fecharam contratos antecipados no último trimestre de 2016. Já para os interessados em negociar de imediato, até julho/17, os preços estavam entre R$ 16 e R$ 18. “No mercado de mesa, as cotações começaram o ano bastante elevadas. Mas, após o início da colheita das variedades precoces, estão inferiores às do ano passado”, aponta Fernanda. Para a pesquisadora, as perspectivas são de retomada da valorização no mercado de mesa, conforme se intensifica a moagem industrial no segundo semestre de 2017. Em relação à produção, Vinícius Trombin afirma que há expectativa sobre o “pegamento” da florada, ou seja, se chegou a dar frutos, que surgiu a partir de junho em algumas regiões do parque citrícola. E do lado do consumidor, em saber qual o impacto que os preços elevados trarão para o consumo do suco.

Em relação ao mercado de suco, a principal dificuldade apontada pela Associação Nacional de Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) é a concorrência com outros sucos e bebidas com custos e margens mais atrativas para o consumidor, como refrigerantes e águas com sabor. “No caso do suco de laranja, o consumo nos principais países consumidores está em queda, porém, a produção tem caído com maior intensidade. Assim, os últimos anos não têm sido de excesso de oferta, apesar da queda no consumo. Internamente, o consumo ainda é bastante pequeno, e no caso da laranja in natura nacional, o mercado é relativamente estabilizado”, explica Fernanda Geraldini.

Importância da prevenção de doenças — O HLB segue sendo a grande dor de cabeça para os produtores de laranja brasileiros pelo simples fato de que a doença até hoje não possui cura – e sua prevenção resulta em custos bastante elevados. “É importante que produtores se atentem ao manejo adequado da doença, para evitar o aumento de sua incidência. Uma recomendação de estudiosos da área é a adoção da pulverização conjunta (combinada com os vizinhos de propriedade), visto que o vetor da doença pode migrar de uma área para outra”, recomenda a especialista do Cepea.

Vinícius Trombin defende o desenvolvimento de pesquisas para prevenção e controle das doenças com foco em economia, boas práticas e soluções mais baratas, com menor impacto no meio ambiente. Menciona ainda a necessidade do fortalecimento da “união entre os produtores e associações do setor, parcerias entre as entidades públicas e privadas, ações de incentivo do consumo da fruta e do suco, e manter a transparência das informações” para aumentar a competitividade, a produtividade e a viabilidade da produção de citros.

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É importante o desenvolvimento de pesquisas para prevenção e controle das doenças como o greening (foto) em economia, boas práticas e soluções mais baratas, com menor impacto ambiental