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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Fruticultura

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Pelas bênçãos do sol

A fruticultura deverá ter um 2017 com crescimento de 20% nas exportações em valores. E o mercado internacional é um filão importante, tanto que entidades criaram o projeto Frutas do Brasil – Abençoadas pelo Sol para divulgar a tropicalidade do produto brasileiro

Thais D’Avila

Os problemas climáticos registrados na fruticultura brasileira em 2016 em todas as regiões produtoras preocuparam as entidades representativas. Ainda mais saindo de um ano em que o volume e o valor de exportações haviam caído em relação a 2015. O ano de 2016 fechou com 11% a menos em volume e redução de 4% em valor em todas as frutas, comparativamente ao ano anterior, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Luiz Roberto Barcellos. “De uma certa forma ficou dentro do esperado. O grande impacto foi em função do dólar, já que nosso forte em exportações é o segundo semestre. Em 2015, a moeda norteamericana custava R$ 4,00 e, no segundo semestre, custava R$ 3,20, e foi isso o que marcou a queda”, afirma Barcellos.

Fruticultura

Além da questão cambial, o assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Eduardo Brandão Costa, afirma que a seca no Nordeste que atingiu o Vale do São Francisco, o Ceará e a região produtora de Mossoró/RN contribuiu para a queda da produção. “Na região de frutas temperadas, ao Sul, tivemos falta e excesso de água em momentos distintos”, descreve. Isso, conforme o assessor técnico, fez com que alguns produtos subissem de preço no mercado interno e outros reduzissem o volume exportado.

Entretanto, 2017 começou com outro ímpeto. E o que colocaria o fruticultor dentro da crise acabou representando um avanço nas exportações de uma forma que surpreendeu quem analisa os números do setor. Conforme Costa, o ano deve fechar com um crescimento no valor exportado em torno de 20% e o volume, que no primeiro semestre evoluiu 8,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, deve ter um índice ainda maior sobre 2016. “O último trimestre do ano é sempre o mais forte para as exportações. Se no primeiro (semestre) já tivemos esse ganho, esperamos um 2017 muito promissor”, afirma o dirigente da CNA. Ele completa dizendo que a crise foi sentida, mas que o produtor não se descapitalizou. “O fruticultor tem a vantagem de poder exportar, estocar ou mesmo mandar para a indústria processar em polpas ou sucos, diferentemente do produtor de hortaliças, por exemplo”, justifica.

A fruticultura brasileira produz, anualmente, 44 milhões de toneladas. Desse total, apenas 2,5% vão para a exportação, segundo a CNA. Para melhorar a participação na pauta de exportações do agronegócio, a fruticultura apostou em uma nova marca. Nos anos de 2016 e 2017, o setor vem colhendo resultados de um trabalho iniciado há cerca de três anos em uma parceria entre a CNA, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex- Brasil) e a Abrafrutas. “O projeto “Frutas do Brasil – Abençoadas pelo Sol” (em inglês Fruits of Brazil – Gifted by the sun), procurou agregar tropicalidade e associar outros valores ao produto brasileiro além do sabor”, conta Costa.

Tudo foi feito com base em extensas pesquisas realizadas ao longo de vários anos sobre a percepção do público de outros países sobre as frutas do Brasil. Alguns avanços já foram feitos em relação à China e acordos selados junto à Coreia do Sul. Os sulcoreanos começarão a degustar manga brasileira já a partir deste ano. Aliás, a manga foi o destaque positivo em 2016 e deve repetir o desempenho. A fruta ultrapassou o brasileira de exportações. De janeiro a junho deste ano, o valor das mangas exportadas superou R$ 54 milhões, contra R$ 45 milhões no mesmo período do ano anterior.

Fruticultura

Exemplo de busca pela qualidade: variedade de banana BRS Belluna, desenvolvida por Embrapa e Epagri, tem características importantes como um amido especial que oferece uma sensação maior de doçura

Demandas do setor produtivo — Os estudos que vêm sendo realizados para a cultura da banana são um exemplo de como está funcionando a lógica da pesquisa agropecuária para melhorar as condições de produção. O chefe adjunto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Francisco Laranjeira, afirma que o foco é desenvolver tecnologias que possam mitigar os efeitos das mudanças no clima, por exemplo. “Trabalhamos para desenvolver sistemas de irrigação mais eficientes e variedades que precisem de menos água para produzir. Também está sempre no foco o desenvolvimento de cultivares que ofereçam tolerância a pragas e doenças”, comenta.

O atendimento a essas demandas reais do produtor, segundo Laranjeira, é o resultado de parcerias que a unidade da Embrapa vem firmando com o setor produtivo. “Como a pesquisa agropecuária é demorada, pois

depende de diversos ciclos de experimentação, conseguimos através das parcerias ganhar tempo” comemora. Ele explica que o desenvolvimento conjunto de tecnologias, entre a pesquisa pública e a iniciativa privada, “proporciona uma condição muito maior de a tecnologia ser absorvida pelo mercado, de ser adotada, e se converter em benefício real à sociedade. Alguns setores chamam isso de pesquisa participativa. Não importa o nome, o que importa, no final, é o produto que será entregue à sociedade”, analisa.

Ele cita o exemplo da variedade de banana BRS Belluna, desenvolvida para produção na região de Santa Catarina, com bons resultados para o cultivo orgânico. Essa variedade, segundo o pesquisador, tem características importantes não só para produção, mas também para o consumidor. “Essa banana contém um amido especial que oferece uma sensação maior de doçura, embora tenha menos calorias. Foi um trabalho conjunto entre a Embrapa e a Epagri/SC, que vem apurando as características especiais da variedade”, explica.