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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Florestas

O potencial está nos portos

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Devido a uma série de vantagens competitivas, o Brasil é um dos únicos países com potencial para atender a futura demanda mundial por subprodutos florestais como a celulose. Nos primeiros cinco meses de 2017, as exportações aumentaram 3,2%

A crise econômica brasileira passou ao largo do setor de árvores plantadas no período de janeiro a maio de 2017. No período, o saldo da balança comercial do segmento atingiu US$ 2,881 bilhões, representando uma alta de 4,9% em relação ao mesmo período de 2016 (US$ 2,746 bilhões). No acumulado do ano, as exportações geraram US$ 3,3 bilhões, 3,2% acima do registrado Gleison Rezende-Ibá no período anterior. De acordo com a presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes, esse desempenho justifica-se porque o Brasil detém a liderança mundial em produtividade florestal com aproximadamente 36 metros cúbicos por hectare ao ano, 24% maior que a segunda colocada, a China, e 260% a mais que a dos Estados Unidos. E o ciclo de plantio e colheita no Brasil está entre seis e sete anos, enquanto no Chile, por exemplo, é de cerca de 20 anos.

Diversos fatores globais justificam o potencial de crescimento do setor de florestas plantadas, de onde provêm diversos produtos, como o papel e a celulose. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), até 2050 a população mundial atingirá 9,1 bilhões de pessoas, que consumirão três vezes mais produtos provenientes da madeira, exigindo 250 milhões de hectares adicionais de florestas plantadas. Essa área equivale à soma dos territórios de Alemanha, Espanha, Finlândia, França, Itália e Noruega. “Por meio da produção 100% sustentável da indústria de árvores plantadas, o nosso País é um dos únicos com área disponível e tecnologia florestal suficiente para atender o crescente consumo mundial de madeira”, explica a dirigente.

Para o economista Roberto Scorsatto Sartori, mestre em Recursos Florestais pela USP, o potencial de crescimento de florestas plantadas é grande no Brasil, pois elas cobrem hoje uma porção inferior a 1% do território brasileiro. Destaca que o Brasil é um país florestal, com 463 milhões de hectares de florestas, mais da metade do território nacional (de 851 milhões de hectares). Do volume verde, 455,8 milhões são naturais e 7,74 milhões de hectares são plantados, com destaques para o eucalipto (5,5 milhões de hectares) e o pinus (1,5 milhão de hectares. Outras espécies totalizam 500 mil hectares. Para ele, as florestas desempenham funções econômicas, ecológicas e sociais insubstituíveis.

O atual movimento em prol do clima deve também influenciar o crescimento das exportações, pois, com a ratificação do Acordo do Clima, os países que mais emitem gases de efeito estufa são pressionados a melhorar seus processos industriais e, com isso, buscam importar produtos que tenham menor impacto ambiental. Nesse quesito, segundo Elisabeth, da Ibá, há uma valorização dos produtos brasileiros de florestas plantadas. Além disso, o crescimento das economias emergentes nos últimos anos alavancou a qualidade de vida da população desses países, gerando uma mudança definitiva no seu hábito de consumo. “Nessa transformação, é possível verificar um constante avanço na necessidade por esses produtos de higiene – papel higiênico, fraldas, absorventes, lenços de papel, papéis toalha, guardanapos, tapetes e fraldas para animais – elevando a necessidade de consumo dos papéis tissue e, consequentemente, da celulose fluff, uma inovação brasileira a partir da fibra curta”, destaca a dirigente.

Em virtude desse cenário, as empresas brasileiras estarão realizando grandes investimentos até 2020 visando a novos plantios, modernização e construção de novas unidades. De 2017 a 2020, a Ibá prevê que haja R$ 22 bilhões em investimentos, sendo R$ 19 bilhões em celulose, o que gerará um incremento de produção de 4,7 milhões de toneladas ao ano. Nos depois segmentos, será R$ 1,9 bilhão em papel, garantindo 870 mil toneladas ao ano, e R$ 1,1 bilhão em painéis de madeira, proporcionando um aumento de 2,3 metros cúbicos por hectare na produção anual. Em 2016, mesmo perante uma crise da economia nacional, o setor manteve um crescimento na maioria dos índices. No caso da celulose, a indústria brasileira bateu recorde com 18,8 milhões de toneladas produzidas, montante 8,1% maior que o de 2015, e o papel manteve-se estável, totalizando 10,3 milhões de toneladas.

Reflexo no mercado interno — O fraco desempenho da economia brasileira contribuiu para a redução do poder de compra no mercado doméstico e foi um dos principais aspectos que impactaram as indústrias do setor de árvores plantadas. “Para compensar essa lacuna, nossas empresas reforçaram as ações estratégicas na conquista do mercado externo, motivadas especialmente pela excelência do seu produto, melhor engenharia genética arbórea, maior produtividade e um parque industrial moderno”, revela ela. O setor brasileiro de árvores plantadas registrou crescimento no volume de exportações em 2016, alcançando 12,9 milhões de toneladas de celulose (crescimento de 12%); 2,1 milhões de toneladas de papel (+64%) e 1 milhão de metros cúbicos de painéis de madeira (+64%).

O saldo da balança comercial do setor, de janeiro a dezembro de 2016, foi de US$ 6,6 bilhões, o que corresponde a um crescimento de 2,4%. A celulose contribuiu positivamente com mais de US$ 5,2 bilhões (+0,6%); o papel, com US$ 1,1 bilhão (+6,6%); e os painéis de madeira, com US$ 246 milhões (+30,9%). O mercado chinês se consolidou no ano como o principal destino das exportações de celulose, com 38,9% de participação, seguido pela Europa, com 33,1%. A América Latina foi o principal mercado consumidor dos segmentos de papel e painéis de madeira, cujas exportações representaram 60,6% e 54,4%, respectivamente.

Para Elisabeth, a capacidade das empresas nacionais em produzir mais com menos recursos e em menos tempo transforma o Brasil em referência quando o assunto é abastecer o mercado de forma rápida e com preços mais competitivos, o que também traz impactos positivos aos produtos derivados dessa cadeia. Hoje, garante, o Brasil é visto como um dos únicos países com potencial para atender de forma eficiente a crescente demanda mundial.

No início deste ano, o Brasil, que já era o primeiro produtor mundial de celulose de fibra curta (de eucalipto), passou para segundo lugar de produção mundial de celulose de todos os tipos, ultrapassando o Canadá e a China. Da área total de 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas no Brasil em 2015, 34% pertencem às empresas do segmento de celulose e papel. Em seguida aparecem os proprietários independentes e fomentados (pequenos e médios produtores), com 29%. Os fomentados investem em plantios florestais para comercialização da madeira in natura. Na sequência, aparece o segmento de siderurgia a carvão vegetal, que representa 14% da área plantada.

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Os investidores financeiros, em geral por meio de TIMOs – do inglês Timber Investment Management Organizations – detêm 10% dos plantios de árvores no Brasil. Atraídos pelo grande potencial florestal do País, esses investidores iniciaram sua operação aqui há pouco mais de dez anos, aplicando em fundos especializados em ativos florestais. Os segmentos de painéis de madeira e pisos laminados (6%), de produtos sólidos de madeira (4%) e outros (3%) completam a distribuição das áreas de árvores plantadas. Para o economista Sartori, a estrutura do setor no Brasil é de concentração. São dez grupos espalhados por estados das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. No setor de papel, a concentração é ainda maior em função da concorrência com importados. No Brasil, operaram quatro produtores de papéis.

Outro aspecto do setor é o ambiental. Anualmente, as florestas plantadas para fins industriais são responsáveis por absorver 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2eq) retirados da atmosfera – gás que permanece estocado nos produtos derivados dessas árvores –, o que equivale a um ano inteiro das emissões nacionais. O setor ainda retém outros 2,48 bilhões de toneladas de CO2eq nas áreas naturais protegidas pelo setor.