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Café

Morno e volátil

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A temporada 2016/17 foi de muita amplitude nos preços, e o cenário em meados de 2017 é de grandes estoques nas mãos de consumidores, o que leva à baixa nas cotações – também como reflexo da ampla safra no Brasil, na Colômbia e no Vietnã esperada para 2018

Lessandro Carvalho
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O mercado internacional de café teve uma temporada de 2016/17 (julho/junho) de muita volatilidade, de acentuada amplitude de preços e de oportunidades para os produtores e também para os consumidores. Para a temporada seguinte, o mercado já mira na safra brasileira de 2018, com as floradas podendo definir se as cotações caem ou se o mercado encontra uma melhor sustentação. Em novembro de 2016, a bolsa de Nova York atingiu a máxima para a temporada, com o contrato spot negociado a 176 centavos de dólar por libra-peso para o arábica, em 8 de novembro. O mercado especulava com o clima desfavorável para a safra brasileira e as cotações avançaram. Mas o mercado passou a avaliar a safra como melhor que o esperado e, em junho de 2017, as cotações atingiram o fundo do poço na temporada, em 115,10 centavos de dólar por libra-peso, no dia 23 de junho.

O consultor de Safras & Mercado Gil Barabach destaca que os amplos estoques nas mãos dos consumidores é um dos principais fatores baixistas da temporada. Os Estados Unidos estão com os maiores estoques desde 1994. Como aspecto negativo para os preços, o mercado trabalha no exterior com uma ampla safra brasileira esperada para 2018. Colômbia e Vietnã também estão com produções crescentes e a América Central se recupera da ferrugem que atingiu os países anos atrás. Por outro lado, como fatores positivos para os preços, os estoques apertados com os produtores deram sustentação para o mercado em muitos momentos na temporada. O dólar fraco contra o real e outras moedas e a recuperação do petróleo são outros elementos de sustentação para o mercado. E passado um otimismo com a safra brasileira, que poderia ser melhor que o esperado, agora se fala em uma safra que pode ser menor que o imaginado. Os grãos estão “mais miúdos”, o que pode reduzir o número final da produção, e é um fator altista para os preços.

Barabach indica que 2016/17 teve muita volatilidade nas cotações internacionais, mas muitos produtores aproveitaram os preços, quando internamente o mercado subiu acompanhando a bolsa. “As negociações na temporada foram em solavancos, com o produtor aproveitando para vender e depois saindo do mercado. No geral, o fluxo de vendas para o período é baixo”, afirma. O mercado interno seguiu NY, teve altos e baixos, e o dólar fraco não ajudou e deve continuar não ajudando, avalia o consultor. Houve oportunidades desperdiçadas, por produtores que esperavam que o mercado subisse ainda mais. “Por ganância, às vezes o produtor deixou de ganhar”, observa.

Para o arábica bebida boa no Sul de Minas Gerais, a máxima de preço na temporada foi alcançada em 11 de novembro de 2016, quando a cotação bateu em R$ 580 a saca.

Porém, muitos produtores esperavam que o mercado chegasse a R$ 600, e acabaram perdendo uma “janela de oportunidade”. No geral, o consultor acredita que o ano foi rentável para o produtor. Os cafés mais fracos de qualidade estiveram valorizados. Barabach lembra que as indústrias foram agressivas na temporada, comprando arábicas de qualidade mais baixa para compensar em seus blends a falta de conilon, escasso diante da quebra da safra de 2016.

Temporada 2017/18 — Para a temporada 2017/18, iniciada em julho/2017, Barabach acredita que as cotações podem cair no mercado externo, caso ocorram boas floradas com vistas à produção de 2018 do Brasil. No exterior, fala-se em uma safra grande no País, que poderia superar a faixa de 60 milhões de sacas de 60 quilos. Entretanto, a safra deste ano é apertada, o que pode dar suporte aos preços por algum tempo. Em setembro/outubro haverá uma ideia melhor sobre as floradas. O consultor diz que o mercado interno deve se descolar do referencial nova-iorquino, positivamente, com os produtores restringindo a oferta. “Acredito mais no mercado interno que em Nova York”, afirma.

As exportações totais brasileiras de café (verde e solúvel) no acumulado da temporada completa de 2016/17 (julho a junho) chegaram a 32,917 milhões de sacas, queda de 6,9% no comparativo com igual intervalo da temporada 2015/16, quando os embarques foram de 35,347 milhões. A receita no acumulado da temporada chegou a US$ 5,641 bilhões, 5,6% a mais que em igual período de 2015/16 (US$ 5,343 bilhões). Tomando-se somente junho de 2017, as exportações totais foram de 2,164 milhões de sacas, queda de 8,7% contra junho anterior, de 2,370 milhões de sacas. Em receita, os embarques de junho foram de US$ 358,82 milhões, 3% a mais que em junho de 2016 (US$ 348,21 milhões).

No acumulado da primeira metade de 2017, de janeiro a junho, os embarques chegaram a 14,976 milhões de sacas, tendo queda de 7% no comparativo com o mesmo período de 2016, quando os embarques foram de 16,110 milhões de sacas. Os números são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A receita com as exportações no acumulado janeirojunho de 2017 chegou a US$ 2,589 bilhões, aumento de 9,4% no comparativo com igual intervalo de 2016 (US$ 2,367 bilhões).

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