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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

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Expansão no horizonte

Os cotonicultores brasileiros têm a intenção de plantar 1,032 milhão de hectares, ou 10,8% a mais, para uma produção também esperada de 10,1% superior. O ânimo positivo decorre das cotações que permitem retornos semelhantes aos da soja e bem superiores aos do milho

Rodrigo Ramos
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O mercado brasileiro de algodão iniciou o ano de 2017 de forma lenta. “Com as festividades de Natal e Ano Novo, muitas indústrias optaram por férias coletivas nos meses de dezembro e janeiro, o que corroborou para menor liquidez interna”, explica o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. Por isso, as indústrias de grande porte, como têm maior capacidade de armazenamento, tomaram posições mais longas em dezembro, deixando de estar mais ativas em janeiro. “Por outro lado, as pequenas e médias tiveram que ir em busca de lotes residuais”, lembra. A média de preços em janeiro no Cif de São Paulo ficou em R$ 2,73 centavos por libra-peso.

Os vendedores, em sua maior parte, enxergando um quadro mais enxuto de oferta no País, ficaram firmes nas pedidas. “Já as tradings, por sua vez, estiveram mais ativas no mês de janeiro”, comenta. Fevereiro também foi aquém do esperado no quesito de movimentação. As indústrias de grande porte permaneceram mais afastadas das negociações, enquanto as pequenas e de médio porte ficaram mais ativas, seguindo a dinâmica de janeiro. “Outro fator que corroborou para a menor liquidez foi o mês mais curto em consequência dos feriados e também porque o deslocamento do consumo, teoricamente, passa para turismo, ao invés de demanda por produtos têxteis”, pondera o analista.

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Já o mês de março ficou muito atrelado à instabilidade do dólar frente ao real e da bolsa de Nova York, a Ice Futures. “Dessa forma, muitas tradings, que anteriormente estavam mais ativas, agiram de forma mais cautelosa”, exemplifica. Em consequência do preço alto pedido pelos vendedores, muitas indústrias optaram por consumir seus estoques ao invés de ir em busca de oportunidades no disponível. “Apareceram algumas tentativas de negócios para a nova safra, mas o spread ainda limitava uma maior movimentação”, lembra Rocha Neto. “Na maioria das praças do Brasil, a movimentação também foi aquém do esperado para março, com a falta de apetite de compra e a firmeza dos vendedores contribuindo para tal conjuntura”, pondera.

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Com o aumento de área, a produção de pluma poderá atingir 1,635 milhão de toneladas em 2017/18, elevação de 10,1% na comparação com o ano anterior, de 1,485 milhão

Movimentação — As tradings estiveram mais ativas no começo de abril, em consequência de seu maior poder de barganha diante dos cotonicultores. “Com os contratos mais baixos na Ice Futures, as tradings tiveram maior poder de flexibilização de oferta diante dos demais vendedores”, explica Rocha Neto. Os compradores, em sua maior parte, estiveram em busca de oportunidade de negócios para o mercado spot. “Mais próximo do final do mês, a valorização do dólar fez com que as tradings ficassem menos ativas, visto que os preços ficaram mais altos do que os praticados por cotonicultores e comerciantes”, lembra. Os vendedores seguiram firmes nas pedidas em consequência do pico da entressafra. “Contudo, houve alguns produtores mais flexíveis em disponibilizar oferta em razão de estarem dispostos a liquidar seus estoques para entrar na nova safra zerados”, comenta.

O mês de maio iniciou com reportes de compras pontuais, ainda com uma oferta escassa da pluma e com vendedores firmes. O mercado futuro demonstrou maior movimentação do que o spot, em especial para o segundo semestre, de agosto em diante. “Houve reportes de tentativas de negócios também para a safra 2017/18”, frisa o analista. Com a proximidade de entrada da nova safra, uma boa parte das grandes indústrias esperava por queda nos preços. Teoricamente, com a maior oferta disponível, os preços tenderiam a ceder. “Porém, essa maior queda deveria ser para o final de julho em diante, visto que no começo da entrada de safra há cumprimento de contratos previamente acordados”, destaca.

A forte valorização do dólar frente ao real no mês de maio, em razão da instabilidade política do País, fez com que os vendedores continuassem firmes, e os compradores retraídos, aguardando a entrada de safra no Brasil. No começo do mês de junho, o mercado brasileiro de algodão ainda apresentou os vendedores com preços firmes. “A maior parte dos compradores reportou que havia alguma característica no algodão”, lembra o analista. As críticas em relação à qualidade do algodão da safra 15/16 persistiram durante o mês. “Similarmente à falta do apetite de compra, já que a próxima safra se aproximava”, ressalta.

Enfim, pela primeira vez desde dezembro de 2016, os preços no mercado interno estiveram abaixo dos R$ 2,70 por libra-peso, isso tudo porque já houve oferta disponível da safra 2016/17 e, dessa forma, muitos vendedores já estiveram mais flexíveis para o lote da safra 2015/16. Porém, o volume da safra 2016/17 disponível ainda foi baixo. O mercado futuro (julho-agosto) já apresentou preços menores do que os praticados no Cif de São Paulo, R$ 2,45/librapeso no dia 28 de julho, ainda com algum spread entre compradores e vendedores.

Plantio 10,8% maior — A área plantada com algodão no Brasil em 2017/18 deverá ser de 1,032 milhão de hectares, avançando 10,8% sobre 2016/17, de 931,83 mil hectares. A previsão é de Safras & Mercado, que divulgou a sua intenção de plantio no dia 21 de julho de 2017. A indicação inicial é de um recuo de 0,59% na produtividade, que passaria de 1.593 quilos para 1.584 quilos por hectare. Com isso, a produção poderá atingir 1,635 milhão de toneladas, elevação de 10,1% na comparação com o ano anterior, de 1,485 milhão. Em termos absolutos, o maior incremento ocorrerá no Mato Grosso, totalizando 65 mil hectares, de 620 mil para 685 mil hectares (10,5%). A segunda maior elevação de área ocorrerá na Bahia, com 25 mil hectares, de 200 mil para 225 mil hectares (12,5%).

Para o analista de Safras Élcio Bento, essa primeira percepção dos produtores em relação à área a ser plantada deve-se ao bom desempenho das lavouras da safra 2016/17 (produtividade e qualidade) que estão sendo colhidas nesse momento e aos preços de comercialização, que apesar da recente queda ainda trazem retornos parecidos aos da soja e superiores aos do milho. No Mato Grosso, por exemplo, considerando-se os preços atuais e os custos de produção das três culturas, a receita bruta do algodão supera os custos estimados da lavoura em 62%, enquanto que a da soja, em 64%; e do milho, em 19%. “Esses números sugerem que, nesse estado, mais uma vez, o algodão continuará ocupando maior espaço na safrinha”, esclarece Bento. “Sempre é bom lembrar que esse potencial de produção ainda depende das condições climáticas”, destaca o analista. Além disso, o plantio ocorre entre o final de 2017 e o início de 2018. “Por isso, eventuais alterações dos preços, tanto da fibra quanto dos produtos que competem com área, pode trazer ajustes sobre as atuais percepções dos agentes”, completa.

Americanos também vão plantar mais — A área total plantada com algodão nos Estados Unidos em 2017 deverá ocupar 12,055 milhões de acres. A previsão é do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), divulgado em 30 de junho de 2017. O número representa um avanço na área frente a 2016, quando foram cultivados 10,072 milhões de acres, graças aos preços mais atrativos em Nova York. Na intenção de plantio eram esperados 12,233 milhões de acres. Contando apenas o algodão upland, a área deve chegar a 11,803 milhões de acres, elevação frente a 2016, quando somou 9,878 milhões. Já a área do algodão pima deve registrar bom avanço, atingindo 252 mil acres – em 2016, foram 194,5 mil. Os cotonicultores irão avançar a área em quase todos os estados – a exceção será a Flórida.

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O relatório de julho de oferta e demanda do Usda estimou a produção de algodão daquele país na temporada 2017/18 em 19 milhões de fardos, ante 19,2 milhões no mês anterior, enquanto o mercado previa 18,9 milhões. Para a safra 2016/17, são esperados 17,17 milhões de fardos. As exportações deverão ficar em 13,5 milhões de fardos em 2017/18, mesmo patamar do mês de junho. O mercado apostava em 13,65 milhões de fardos. O consumo interno foi previsto em 3,4 milhões de fardos para 2017/18, mesmo patamar do relatório passado. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais norte-americanos foram previstos em 5,3 milhões de fardos para 2017/18, contra 5,5 milhões do relatório anterior. As estimativas do mercado eram de estoques finais de 4,95 milhões de fardos para 2017/ 18. Para a safra 2016/17, são esperados 3,2 milhões de fardos.

E o mundo? — Em relação aos números globais, o Usda estimou a produção global de algodão em 115,36 milhões de fardos, ante os 114,73 milhões no mês anterior. Para 2016/17, são esperados 106,54 milhões de fardos. As exportações mundiais foram estimadas em 36,81 milhões de fardos para 2017/18, ante 36,84 milhões no mês de junho. A estimativa para o consumo mundial é de 117,03 milhões de fardos, ante 116,51 milhões de fardos no mês anterior. Os estoques finais foram projetados em 88,73 milhões de fardos, ante 87,71 milhões de fardos projetados no relatório passado.

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A expectativa é que a China colha 24 milhões de fardos na temporada 2017/18, mesmo patamar do mês anterior. A produção do Paquistão para 2017/18 foi prevista em 9,15 milhões de fardos, contra 9,3 milhões de fardos no relatório anterior. O Brasil tem a safra 2017/18 estimada em 7 milhões de fardos, mesmo patamar apurado em junho. A produção indiana de algodão deve chegar a 29 milhões de fardos em 2017/18, ante 28 milhões do relatório anterior. Os Estados Unidos deverão colher 19 milhões de fardos em 2017/18, ante 19,2 milhões em junho.