A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaque 2017 Produtor de Arroz

Destaque

Atuação forte em favor do arroz

O produtor e presidente da Federarroz é uma liderança importante pelas causas dos orizicultores e do segmento orizícola em Brasília

Nome da empresa: Parceria Agrícola Passo do Angico

Sede: Alegrete/RS

Área do arroz safra 2016/17: 900 hectares

Área do arroz safra 2017/18 (previsão): 925 hectares

Produção safra 2016/17: 167.000 sacas/50 quilo

Produção safra 2017/18 (previsão): 172.000 sacas/50 quilos

Produtividade 2016/17: 8.450 quilos/hectare

Produtividade 2017/18 (previsão): 9.300 quilos/hectare

A Granja do Ano — Quais as suas perspectivas para a safra de arroz gaúcha e brasileira 2017/2018, quanto a área, produção, produtividade e, sobretudo, rentabilidade do produtor?

Henrique Osório Dornelles — A produção 2016/2017 foi muito boa, havendo uma recuperação dos estoques, que foram consumidos ano passado em função da quebra de safra do Rio Grande do Sul. Entretanto, como produtor, estou muito pessimista para a próxima temporada. Minha leitura é que, dadas as condições atuais de mercado, se o Brasil e os demais países do Mercosul colherem o mesmo volume de arroz da safra passada, o próximo período comercial será muito ruim para o produtor devido ao aumento dos estoques de passagem e ao custo de produção em alta. Com essa perspectiva, de baixíssima rentabilidade, meus irmãos e eu suspendemos vários investimentos previstos e reduzimos um pouco a área, com o objetivo de fazer com que o capital de giro disponível seja adequado à necessidade, possibilitando compras de insumos à vista, e, portanto, com preços mais justos.

Quais são as principais reivindicações do segmento arrozeiro junto ao Governo federal?

Aumento da competitividade, principalmente pela redução do custo de produção. Também estamos solicitando maior apoio ao mercado internacional, através da organização de missões comerciais oficiais a países de interesse, e retorno de facilitadores como carta de crédito para exportação. Obviamente existe uma infinidade de outras demandas, tanto estadual como federal, mas nosso foco é escoar a produção pelas exportações e ganharmos competitividade. O Rio Grande do Sul possui uma das lavouras mais produtivas do mundo, em 1 milhão de hectares, mas não somos competitivos.

Como estão o momento e as perspectivas para o segmento arrozeiro brasileiro no mercado externo?

Destaque

Henrique Osório Dornelles é sócioproprietário da Passo do Angico

Na atual temporada, reduzimos significativamente nossa participação no mercado internacional, em função da perda de competitividade e dos custos. Entretanto, apesar disso, alguns países confirmaram recentemente a compra de arroz brasileiro com overprice pela qualidade do produto. Se houver uma valorização do dólar, para R$ 3,40 a R$ 3,60, esse quadro modifica-se instantaneamente.

E como o mercado interno tem se comportado, em vista da crise econômica e das incertezas políticas do Brasil?

crise econômica brasileira é tamanha que também está afetando o consumo do arroz no Brasil. O setor produtivo já vinha descapitalizado, em função de uma quebra de safra no ano passado (2016). Hoje enfrenta preços abaixo do custo de produção. Para piorar essa situação, houve o aumento da tributação do diesel, retorno do Funrural e da bandeira tarifária vermelha na energia elétrica. Quanto à crise política, acho que poderia ter sido pior. Tenho acompanhado o trabalho do Ministério da Agricultura, especialmente do ministro Blairo Maggi e do secretário Neri Geller, e acredito na grande capacidade dessas duas pessoas e suas equipes, apesar de todas as dificuldades que eles têm enfrentado, especialmente de orçamento.

E que orientações a instituição Federarroz dá aos produtores em relação à próxima safra?

Que o produtor de arroz do Brasil e dos demais países do Mercosul reduza a área de arroz para ajustar a oferta e que tenha em mente as dificuldades que estaremos enfrentando no próximo ano comercial. Para isso, a preservação da liquidez pela não mobilização de capital de giro será determinante para atenuar os problemas de rentabilidade. Produtor que está pagando altos arrendamentos e entregando arroz na colheita terá mais um ano de prejuízo.