A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaque 2017 Cooperativismo COAMO

Destaque

Cooperativismo com o coração

A Coamo Agroindustrial Cooperativa, 46 anos, congrega mais de 28 mil associados de 70 municípios paranaenses, catarinenses e sul-mato-grossenses

Nome da empresa: Coamo Agroindustrial Cooperativa

Sede: Campo Mourão/PR

Número de associados: 28.250 (31/07/2017)

Municípios de atuação: 70 municípios de PR, SC e MS

Volume de produção recebida em 2016: 6,604 milhões de toneladas

Volume de produção em 2017 (previsão): 7,800 milhões de toneladas

Exportações em 2016: 3,316 milhões de toneladas

Exportações em 2017 (previsão): 4,2 milhões de toneladas

Faturamento em 2016: R$ 11,450 bilhões

Faturamento em 2017 (previsão): 11,299 bilhões

A Granja do Ano — Como foi o ano agrícola 2016/17 para o associado da Coamo em relação a produção, produtividade e rentabilidade?

Aroldo Gallassini — O ano de safra foi bom, não teve maiores problemas. Os volumes de soja recebidos foram muito grandes, e milho verão se planta pouco, mas foi bem mais que no ano passado (2016). Como os preços da soja no ano passado foram muito altos, então o cooperado se empolgou e plantou mais soja que milho. E depois ele plantou a segunda safra de milho no Norte do Paraná inteiro, e foi até Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Bahia. O produtor plantou muito milho. Só não dá milho aqui de Campo Mourão para baixo, Sul do Paraná e Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Então as coisas ficaram um pouco complicadas devido à grande safra, os preços caíram, e em função do dólar. Quando a soja esteve em R$ 85 a saca no ano passado, o dólar valia R$ 4,16 – e hoje está R$ 3,11. E o milho chegou a R$ 45 a saca e o trigo também a R$ 45. Então, no ano passado foi muito bom de preço. E houve aquela corrida para a exportação, faltou milho no mercado interno, foi uma confusão danada e os preços se alteraram demais. E agora com todos esses volumes o cooperado está vendendo pouco por dois motivos: 1- porque está com “saudade” dos R$ 85 pela soja, e também do (preço) milho e do trigo. Ele está esperando que volte, pois se já esteve por que não pode voltar? 2 – Ele está bem capitalizado. Os cooperados de modo geral estão bem capitalizados. Nossa inadimplência é baixíssima, o que revela que o associado vende pouco porque está bem capitalizado, não precisa vender e prefere deixar o produto guardado. Só que isso deu um desequilíbrio na capacidade de armazenagem. Como não sai, está difícil de entrar. Estamos fazendo o que podemos para receber do cooperado. Esse é um problema: muito volume de produto, pouco vendido, e caindo o dólar e caindo no mercado internacional na Bolsa de Chicago. Isso demonstra que tem um excedente mundial de soja e milho e, por causa desse excedente, por hora (as cotações), não vão melhorar.

E dentro deste contexto, quais as perspectivas para este ano agrícola 2017/18? Algum segmento se destaca positiva ou negativamente?

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Aroldo Gallassini é diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa

Falando de soja e milho, posso dizer que só tem duas chances de subirem: pela alta do dólar, por qualquer motivo, ou por uma frustração de safra. Estávamos sentindo algum ânimo pelo clima americano, alguns dias com falta de chuva, e andou caindo a qualidade da soja e do milho, mas agora virou. O tempo está bom, para agosto há previsão de chuva acima do normal. Então, essa questão do clima americano não vai ajudar na alteração de preço. E vamos ver para frente o que acontece. E quanto ao dólar, tínhamos uma imaginação que, quanto mais alto o dólar, melhor para exportar. Mas agora se fala que, quanto mais alto o dólar, pior a economia. e quanto mais baixo o dólar, melhor a economia.

E quanto à Coamo, o que o senhor destacaria como mais relevantes conquistas recentes?

A Coamo, nesses 46 anos em que existe, nessas crises econômicas e políticas, sempre se saiu bem. Por um motivo que não é muito simples, mas para nós é simples: ela está sendo bem capitalizada. Sempre foi bem capitalizada. Desde o começo, cuidamos muito disso. Temos um ano normal do ponto de vista de rentabilidade. No ano passado tivemos um faturamento global de R$ 11,450 bilhões, e neste ano, para chegar a isso, o cooperado tem que vender. Porque se ele continuar retendo e não fixando, ele não fatura, não conta no faturamento. Esse é um motivo. Mas mesmo que ele venda, esse diferencial de preço R$ 85 para R$ 57 a saca de soja, seria difícil chegar nesse faturamento (de 2016). Mas como estamos em meados do ano, pode ser que as coisas se revertam. Pode até melhorar. E pode chegar a hora que o cooperado precisa vender, pois chega o vencimento do financiamento. Vender ele sempre vai vender, mas ele está vendendo o mínimo necessário. O preço do milho de segunda safra é muito baixo, as produtividades de segunda safra não são grandes.