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Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaque 2017 Produtor de Milho SLC AGRÍCOLA

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Cultivos baseados na gestão

SLC Agrícola vai expandir a área de milho de segunda safra como reflexo da otimização do parque de máquinas e capacidade de armazenagem

Nome da empresa: SLC Agrícola

Sede: Porto Alegre/RS

Fazendas com milho: Pamplona, Piratini, Planalto, Planorte, Paiaguás, Perdizes, Pioneira, Palmares, Parnaíba e Planeste

Área total de milho 2016/17: 71.790 hectares

Produção e produtividade 2016/17: 493,7 mil toneladas e 6.877 kg/ha

A Granja do Ano — O que a SLC Agrícola planejou para o milho na safra 2017/18? E por que tais definições?

Gustavo Lunardi — Nosso milho será de segunda-safra, ou seja, plantado após a colheita da soja, basicamente no mês de fevereiro, início de março. Para a próxima safra, pretendemos expandir a área dessa cultura, principalmente em função da contínua melhoria de performance e aumento da disponibilidade de cultivares de soja de ciclo precoce, bem como de materiais de milho mais adaptados a esse sistema de produção. A nossa intensificação das áreas de segunda safra é reflexo da otimização do dimensionamento de nosso parque de máquinas e de nossa capacidade de armazenagem de grãos. Esse contexto faz parte de nossa estratégia de diluição do custo fixo dos ativos empregados na operação e no aumento da rentabilidade por hectare plantado.

E qual a expectativa quanto à rentabilidade do cereal em um cenário de grande oferta do produto e estoques altos?

Neste momento, o milho oferece uma rentabilidade baixa, em função da queda de preços ao longo do ano, o que de certa forma já era previsto, pois o preço do cereal atingiu um patamar muito alto em 2016. O milho safrinha, principalmente no Centro-Oeste, tradicionalmente oferece margens mais apertadas, basicamente em função do alto custo logístico para transporte até os portos. No entanto, o plantio do cereal se justifica pela possibilidade de diluição de custos fixos, melhoria do sistema de produção, além de propiciar margem de contribuição positiva. De qualquer forma, nossa visão é de que os preços de milho têm uma tendência de melhora no curto/médio prazo, devido ao fato de que os produtores norte-americanos aumentaram a área de soja na safra que está em curso, em detrimento de milho, o que deverá resultar em queda nos estoques globais durante a safra 2017/18. Do lado da demanda, a perspectiva continua bastante positiva.

A SLC Agrícola é uma grande e profissional empresa do agronegócio. Que orientações, dicas, conselhos você repassaria a pequenos e médios produtores quanto à gestão de uma empresa agrícola, independentemente de seu porte?

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Gustavo Lunardi é diretor de Produção e Suprimentos da SLC Agrícola

Nós nos diferenciamos por termos implementado técnicas de gestão e controles no campo oriundas da indústria, em função da experiência do nosso grupo controlador na fabricação de máquinas agrícolas. Tratamos nossas fazendas como fábricas, e somos obsessivos por padronização e contínua melhoria de eficiência. Nesse sentido, meus conselhos seriam os seguintes: buscar continuamente a melhoria na operação, nunca se acomodar, estar a par das evoluções tecnológicas e boas práticas agrícolas, fazer uma boa gestão de riscos financeiros e, principalmente, cuidar bem de seus funcionários, dando a eles oportunidades de crescimento e motivação. Se fôssemos resumir tudo isso, poderíamos concentrar nossas sugestões da seguinte forma: gestão de custos de produção e riscos mercadológicos, foco em pessoas e produtividade.

O que o Brasil deveria fazer, tanto em nível governamental quanto institucional, para ampliar o consumo interno de milho para destinos como, por exemplo, a produção de etanol?

O consumo interno de milho, como sabemos, é destinado principalmente para a alimentação animal de aves e suínos. Existe também uma tendência de aumento no confinamento de gado, o que deverá demandar também volumes para ração. Portanto, vemos uma tendência de crescimento na demanda interna. Há uma indústria ainda incipiente, mas em crescimento, de conversão de milho em etanol, e acreditamos que isso será uma boa forma de agregar valor ao milho, principalmente no Centro-Oeste. Com os preços de milho e etanol atuais, nos parece fazer sentido pensar em expansão desse setor. Em termos de agendas governamentais a serem perseguidas, em nossa opinião, a questão tributária ainda se constitui em um desincentivo, dada a complexidade do sistema (em especial o interestadual) e também a questão logística, cujos altos custos tiram a competitividade dessa indústria.