A Granja do Ano – 34 anos da melhor prestação de informações e serviços ao profissional do campo.

Radiografia das principais atividades agrícolas, relação de instituições e empresas do agronegócio brasileiro.

Destaque 2017 Produtor de Trigo C.VALE

Destaque

Trigo como questão de honra

As políticas do Governo para o cereal não são estimulantes para os produtores há muito tempo, mas associados da C. Vale investem com orgulho na cultura

Nome da empresa: C. Vale Cooperativa Agroindustrial

Sede: Palotina/PR

Número de associados: 19.400

Associados triticultores: 1.500

Área e produção de trigo 2017: 69.000 hectares

Municípios presentes: 71 municípios

Faturamento em 2016: R$ 6,8 bilhões

Faturamento em 2017 (previsão): R$ 8,1 bilhões

A Granja do Ano — O produtor de trigo associado à C.Vale aumentou ou diminui a área em 2017?

Alfredo Lang — Houve uma redução de 20% da área de trigo no Paraná e no Rio Grande do Sul. O investimento em fertilizantes e fungicidas para a cultura também diminuiu. Os baixos preços do produto acabaram desestimulando o plantio.

O Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018 contemplou satisfatoriamente o triticultor? Ou o que faltou?

As políticas do Governo para o trigo há muito tempo deixaram de ser estimulantes para os produtores. O que teria poder de influenciar os investimentos em tecnologia e aumento de área seria a garantia de renda do triticultor através do seguro agrícola. Atualmente, o seguro só cobre as despesas com o banco e nada mais. Faz muito tempo que se discute essa questão e até houve um momento em que a questão do seguro agrícola para todo o agronegócio parecia que iria evoluir, mas acabou caindo no esquecimento. Ao que tudo indica, acordos comerciais com a Argentina falaram mais alto e o trigo entrou como moeda de troca. Compramos trigo dos argentinos e eles adquirem bens industriais do Brasil.

E quais são as perspectivas econômicas da cultura neste momento?

As lavouras sofreram bastante com estiagem e geadas em junho e julho. Calculamos 50% de perda no Paraná em relação ao potencial produtivo, 40% pelas geadas e 10% pela estiagem. No Rio Grande do Sul, a quebra deve ser de 40%, sendo 35% por escassez de chuvas e 5% pelas geadas de julho. Projetamos um rendimento médio de 40 sacas/ hectare.

O que o senhor destacaria como principais conquistas da C.Vale nos últimos 12 meses?

Nosso principal investimento em 2017 está sendo a construção de um abatedouro de peixes em Palotina/ PR. Estamos investindo em uma tecnologia inovadora para criação de tilápias. Começamos no final de 2016 as obras do frigorífico e a inauguração será em outubro. O investimento é de R$ 110 milhões e só saiu do papel porque tomamos os recursos há bastante tempo, com taxas de juros que viabilizavam economicamente o empreendimento. Vamos começar abatendo 75 mil tilápias/dia, mas a estrutura física já tem espaço para a duplicação. Estamos abrindo 400 postos de trabalho com esse investimento.

E qual é o planejamento e as metas da instituição para o ano agrícola 2017/18?

Destaque

Alfredo Langa é presidente da C. Vale Cooperativa Agroindustrial

Nossas projeções para 2017 são ampliar o faturamento em torno de 20%. Com isso, passaríamos de R$ 6,8 bilhões para em torno de R$ 8 bilhões. Para um ano de grandes dificuldades na economia, acreditamos que seja um bom desempenho. Fora a construção do abatedouro detilápias, outros investimentos estão em compasso de espera, aguardando taxas de juros mais baixas. Embora os juros tenham caído nos últimos meses, a taxa de inflação também caiu, o que faz com que os juros reais ainda estejam muito altos. Além disso, esse ambiente de instabilidade política e baixo nível de consumo desestimula investimentos. As margens de lucro ficam muito apertadas porque as empresas são obrigadas a reduzi-las para conseguir vender. É um quadro bastante complicado que exige muita cautela na gestão das empresas. E a luz no fim do túnel está custando a aparecer.