Agricultores dos EUA enfrentam problemas após Covid afastar mão de obra migrante

O novo coronavírus adiou a chegada de imigrantes sazonais que costumam trabalhar na colheita de trigo dos Estados Unidos, deixando os agricultores do país dependentes de estudantes do ensino médio, motoristas de ônibus escolares e trabalhadores demitidos, entre outros, para a operação das colheitadeiras.

Conforme os trabalhos de colheita avançam para o norte, a partir das planícies sul do Texas e Oklahoma, os agricultores e empresas do setor enfrentam dificuldades para encontrar e manter trabalhadores na ativa. Qualquer atraso na safra pode elevar os preços do trigo e causar uma corrida pelas ofertas do produto utilizado na fabricação de pães e massas.

Os EUA são o terceiro maior exportador global de trigo, cereal que vê forte demanda em meio à pandemia. Se a escassez de mão de obra for prolongada, as colheitas de soja e milho — que começam em setembro — também podem ser impactadas.

Empresas que atuam nas colheitas e produtores ouvidos pela Reuters disseram que os novos funcionários norte-americanos demandaram mais treinamentos e pedem demissão em índices maiores que os habituais.

Embora as colheitas de grãos sejam mais automatizadas que as de frutas e vegetais, elas não estão imunes à escassez de mão de obra.

John Beckley, da Beckley Harvesting, de Atwood, Kansas, costuma ter migrantes como 30% do total de seus funcionários. Neste ano, porém, não há estrangeiros na equipe. Ele teve ainda problemas para encontrar substitutos, com norte-americanos se recusando a passar meses em viagens pelo cinturão agrícola do país.

Os agricultores dos EUA, que compõem um grupo leal de apoio ao presidente Donald Trump, tornaram-se cada vez mais dependentes do trabalho de imigrantes nos últimos anos. O governo Trump continua emitindo vistos para agricultura, enquanto reduz as emissões de documentos para trabalhadores de tecnologia, estudantes e outros grupos.

O número de vistos H-2A concedidos a operadores de equipamentos agrícolas atingiu 10.798 entre outubro e março, período típico de contratações para o início dos trabalhos em maio. A cifra representa alta de 49% em relação ao ano anterior, segundo o Departamento de Trabalho dos EUA.

Mas muitos desses funcionários não conseguiram chegar aos EUA a tempo do início das colheitas, de acordo com oito empresas e produtores entrevistados pela Reuters. Restrições às viagens, controles mais rígidos nas fronteiras e temores com o coronavírus ao redor do mundo levaram os trabalhadores a adiar a saída de seus países de origem.

Data: 03/07/2020
Fonte: Reuters

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