El Niño deve ter impacto considerado fraco nas lavouras do RS

A atuação do fenômeno climático El Niño nas lavouras do Rio Grande do Sul deve ter impacto considerado fraco, aponta análise feita pela Secretaria da Agricultura do Estado

Para os próximos dois meses, o Conselho Permanente de Meteorologia Aplicada do Estado que a temperatura do mar deve favorecer a manutenção da umidade e das chuvas acima do padrão, especialmente na parte norte do Estado. Mas anomalias negativas do Oceano Atlântico, próximas à costa da região Sul, tendem a aumentar e, combinadas com enfraquecimento do El Niño, devem favorecer a inversão no padrão de chuva no Rio Grande do Sul.

As previsões apontam para o predomínio de temperaturas médias dentro e pouco acima do padrão durante este trimestre, mas ainda poderão ocorrer períodos curtos de frio intensos, com ocorrência de geadas.

Diante desse cenário, a secretaria elaborou algumas recomendações técnicas aos produtores. Veja abaixo:

Feijão safrinha
Colher e armazenar o grão assim que atingir a maturação (ponto de colheita);
Dar atenção especial ao horário de colheita, velocidade de operação e regulagem da colhedora, para evitar perdas.
Arroz
Antecipar a adequação das áreas destinadas à lavoura para a próxima safra, principalmente as atividades de preparo e sistematização do solo e drenagem, para possibilitar a semeadura na época recomendada.
Culturas de inverno
Escalonar a época de semeadura dentro do período indicado pelo zoneamento agrícola;
Nos cereais, utilizar, preferencialmente, cultivares resistentes a doenças e dar ênfase ao monitoramento de doenças.
Hortaliças
Sugere-se atenção do produtor ao mercado, para questão de preços e quantidade a ser produzida, buscando a produção em melhores condições climáticas, como uso de ambiente protegido conforme as condições climáticas de cada região;
Não é recomendado iniciar a produção de tomate nos meses de junho e julho em função da baixa disponibilidade de radiação solar;
Em culturas folhosas, ficar atento ao excesso de umidade e aumento de incidência de doenças fúngicas;
Evitar irrigar em excesso e não irrigar em dias nublados. Quando necessário, irrigar pela manhã. Usar cobertura morta e dar preferencia a irrigação por gotejamento;
Recomenda-se a produção de mudas em ambiente protegido visando garantir a qualidade das mesmas;
Com base no prognóstico de temperaturas acima da media nos próximos dois meses, recomenda-se em ambientes protegidos (túneis e estufas) proceder à abertura o mais cedo possível, e realizar o fechamento o mais tarde possível, de forma a melhorar a ventilação, reduzindo a possibilidade de ocorrência de doenças fúngicas;
Dar ênfase ao monitoramento de doenças, principalmente daquelas favorecidas pelo molhamento da parte aérea ou excesso de umidade no ar ou no solo.
Fruticultura
Para fruteiras de clima temperado, como pêssego, ameixas, kiwi – em função do prognóstico climático de temperaturas acima da média e consequente tendência de baixo acúmulo de horas de frio durante o inverno, avaliar regionalmente a necessidade de aplicação de produtos químicos para quebra de dormência, visando uniformização das brotações e favorecendo as condições da planta para a safra seguinte;
Em função da época, em que as condições climáticas são favoráveis para a implantação de pomares novos, seguir as recomendações de preparo do solo e uso de mudas certificadas;
Manter a cobertura vegetal nas entrelinhas das plantas, de forma que esta proteja o solo e retenha a água;
Para minimizar danos por geada em frutíferas, evitar a adubação com nitrogênio, tendo em vista o estímulo a novas brotações no período frio;
Em cultivos protegidos, para melhorar a disponibilidade de radiação, realizar a limpeza do plástico da cobertura.
Silvicultura
Em povoamentos florestais, deve ser evitada a adubação mineral ou orgânica com elevadas concentrações de nitrogênio;
Para produção de mudas florestais em céu aberto, caso o viveirista tenha necessidade de aplicar fertilizantes, deve aumentar a relação potássio/nitrogênio da formulação mais indicada para cada espécie e estádio.
Pastagens
Realizar o plantio de forrageiras de inverno, anuais ou perenes, atentando a condição de umidade do solo e condições de drenagem, salientando a necessidade de práticas de controle de erosão;
Reduzir a carga animal em pastagens naturais;
Diferir potreiros com pastagens cultivadas de inverno e campo nativo melhorado com sobressemeadura de espécies hibernais, para permitir o restabelecimento dessas espécies e acumular forragem para o período hibernal.
Piscicultura
Manter densidade de peixes adequada nos viveiros e não despescar os peixes durante períodos críticos de outono - inverno;
Para evitar mortalidade dos peixes, devido às maiores amplitudes térmicas neste período, usar aeradores para evitar a estratificação térmica;
Se a temperatura da água estiver acima ou abaixo da temperatura indicada para as espécies criadas, é preciso observar a aceitação da ração pelos animais de modo a evitar sobras que prejudicam a qualidade da água;
Fazer uso de probióticos, prebióticos e vitaminas como forma de melhorar as condições de saúde e sanitárias durante o período de criação;
Exercer boas práticas de manejo, principalmente durante os períodos mais críticos da criação (incluindo o inverno), de modo a garantir o controle da qualidade da água, a sanidade dos peixes e baixas taxas de mortalidade.

Data: 17/06/2019
Fonte: DATAGRO

Últimas notícias