Os números do agro vão bem... e os dos produtores?

Entre 1996 e 2017 o PIB-volume do agronegócio brasileiro cresceu 49,4%, enquanto preços ao produtor (deflator) encolheram 36,2% em comparação aos preços médios da economia. Já o PIB-renda, aquele que mensura a renda real ao agricultor, acumulou retração de 4,7% no período. Artigo veiculado pela A Granja de março detalha este e outros números comparativos entre o crescimento do agronegócio brasileiro como um todo, ao mesmo tempo em que os produtores não vivenciaram tamanha expansão em suas contabilidades. “Em outras palavras, mesmo com produção em importante expansão, o sucesso do agronegócio não se refletiu, na mesma dimensão, em ganho de renda real para os seus agentes”, resume artigo Nicole Rennó Castro e Leandro Gilio, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Conforme o artigo, a variação do PIB-renda entre os seus componentes, preço (preços relativos) e produção (PIB-volume), se observou que o ganho de renda nesses segmentos deveu-se exclusivamente à expressiva expansão da produção. “Os preços relativos, tanto para agricultura quanto para a pecuária, contribuíram negativamente para essa evolução, comprimindo a evolução da renda. Para a agropecuária como um todo, o crescimento relevante de 182,5% do PIB-volume não se refletiu completamente em ganhos de renda (PIB-renda) devido à redução acumulada de 38,4% nos preços relativos”, avaliam. “A queda de preços relativos é um fator comum que predominou no agronegócio como um todo no período (exceção para o segmento de insumos), indicando que os preços dos produtos do setor cresceram menos que os preços médios da economia. Mas a agropecuária apresentou crescimento em volume bastante superior ao observado nos demais elos do agronegócio, o que pôde garantir uma elevação da renda mesmo em cenário de preços baixos.”

Data: 07/03/2019
Fonte: A Granja

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