Desvalorizações de soja e milho complicam o caixa do produtor

Com a estimativa de aumento nos custos para a safra 2018/19, o agricultor que deixou para negociar sua produção mais tardiamente poderá enfrentar dificuldades para saldar os custos. Além da expectativa de menor produtividade (estiagens), a retração nos preços da soja e do milho a partir de setembro/18 (retomada das negociações entre Estados Unidos e China e desvalorização do dólar frente ao real) deve atrapalhar o caixa do agricultor brasileiro. Com exceção da praça goiana de Rio Verde, a quantidade de sacas necessárias para saldar os custos (operacionais e totais) cresceu quando consideradas as médias de março a outubro com a de dezembro/18. O acréscimo médio nesse período foi de 3 a 9% nas regiões de Guarapuava/PR, Passo Fundo/RS, Sorriso/(MT e Balsas/MA. Para esta análise, as estimativas dos custos de produção foram calculadas com base nos coeficientes técnicos coletados em painel para safra 2017/18 pelo projeto Campo Futuro, parceria entre a CNA e o Cepea. Além disso, foram considerados os preços dos insumos entre março a outubro de 2018, a produtividade média das últimas três safras e valores de venda da soja e milho de dezembro/18. Em Guarapuava, a saca de 60 kg de soja fechou em R$ 70,32 em dezembro/18. Com isso, a produtividade de nivelamento para cobrir o COE estimado para esta temporada é de 42,79 sc/ha. Para pagar o COT, seriam necessárias 46,73 sc/ha e para saldar o CT, 66,69 sc/ha. Considerando-se a produtividade média das últimas três safras da região, de 63 sc/ha, somente o CT não conseguiria ser pago. Para o milho verão, no mesmo comparativo, o cenário é semelhante. Ao considerar a produtividade média da região, de 194 sc/ha, somente os custos operacionais conseguem ser pagos, pois exigem 174,59 sc/ ha para quitar o COE e 188,09 sc/ha para o COT. Por outro lado, a quantidade de sacas para saldar o CT é de 236,34 sc/ha, 42,34 sc/ha a mais que a média.

Em Passo Fundo/RS, o preço médio de venda da saca de soja foi de R$ 71,88 em dezembro/18, sendo possível quitar o COE e COT com as produtividades de nivelamento de 44,23 sc/ha e de 47,55 sc/ha, respectivamente. Entretanto, para pagar o CT, seriam necessárias 70,69 sc/ha, 1,69 saca a menos que a produtividade média da região, de 69 sc/ha. Para o milho verão, a estiagem em dezembro/18 ocorreu na fase de pendoamento, o que pode resultar em quebra na produtividade, que, na média das últimas três safras, foi de 172 sc/ ha – quantidade suficiente apenas para liquidar o desembolso, que exige uma produtividade de nivelamento de 171,63 sc/ha. Para pagar o COT, seriam necessárias 181,21 sc/ha e para o CT, 232,99 sc/ha. Em Balsas (MA), o preço de venda da saca de soja fechou o ano de 2018 em R$ 67,25/ sc. Diante disso, a quantidade de sacas para pagar o COE é de 37,02 sc/ha e o COT, de 39,52 sc/ ha. E para o CT, são exigidas, no mínimo, 49,81 sc/ha. Ao considerar a média produtiva dos últimos três anos, de 41 sc/ha, o cenário é favorável somente para arcar os custos operacionais.

Mesmo com o semeio da oleaginosa finalizado mais cedo que o habitual (entre novembro/18 e dezembro/18), a estiagem ocorrida em dezembro/18 na região poderá prejudicar as lavouras, que vem apresentando indícios de quebra da produtividade. Em Sorriso (MT), a cotação do preço de venda da soja foi de R$ 58,30/sc em dezembro/18. Com isso, para saldar o COE, a produtividade de nivelamento é de 44,90 sc/ha. Para o COT, são exigidas 47,75 sc/ha e para o CT, 58,69 sc/ha. Ao considerar a média produtiva da região, de 57 sc/ha, somente o CT não consegue ser pago. Entretanto, devido ao veranico de 20 dias na praça mato-grossense, essa média poderá ser menor. Em Rio Verde (GO), com o preço de venda da soja de R$ 68,92/sc em dezembro/18, a quantidade de sacas para pagar o COE é de 41,13 sc/ha. Para o COT, são necessárias 45,12 sc/ha e, para o CT, 58,03 sc/ha. Com a produtividade média da região de 58 sc/ha, e considerando-se a boa condição das lavouras até então, o COE e COT conseguem ser pagos, enquanto o CT fica praticamente empatado. Assim, vale lembrar que, ao serem consideradas as médias de produtividades das últimas três safras nas regiões, as mesmas conseguem pagar o COE, mas mostram dificuldades em quitar o CT. Além disso, o cenário climático brasileiro pode interferir ainda mais na rentabilidade das culturas, uma vez que a colheita da safra 2018/19 ainda está no começo e as quebras produtivas ainda podem se agravar.

Data: 12/02/2019
Fonte: Cepea/Esalq

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