Soja: projeção de safra 4,2% inferior em razão do clima

A produção brasileira de soja em 2018/19 deverá totalizar 115,718 milhões de toneladas, com recuo de 4,2% sobre a safra da temporada anterior, que ficou em 120,808 milhões de toneladas. A previsão é de Safras & Mercado. No relatório anterior, divulgado em novembro, a previsão era de 122,223 milhões de toneladas. Entre as duas previsões, há um corte de 6,505 milhões de toneladas, o equivalente a 5,32%. A revisão para baixo é reflexo do clima desfavorável – estiagem – em alguns estados produtores. Com as lavouras em fase inicial de colheita, Safras indica aumento de 3,2% na área, que deverá ficar em 36,427 milhões de hectares. Em 2017/18, o plantio ocupou 35,121 milhões de hectares. O levantamento indica que a produtividade média deverá passar de 3.440 quilos por hectare para 3.193 quilos.

“Os problemas climáticos registrados a partir de dezembro trouxeram perdas relevantes de produtividade nos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul. As lavouras que mais sofreram foram as semeadas precocemente e que estavam em um momento importante do enchimento dos grãos”, explica o analista de Safras & Mercado, Luiz Fernando Roque. Segundo ele, boa parte destas perdas já é irreversível, mais ainda é cedo para a definição do tamanho das mesmas. As lavouras semeadas mais tardiamente não sofreram tanto com a falta de umidade, o que abre espaço para recuperação. “No Sul, o excesso de chuvas na época do plantio trouxe a necessidade de replantio de diversas áreas no Rio Grande do Sul, mas não podemos falar em perdas produtivas no momento. Nos demais estados do Centro-Oeste, houve registro de problemas regionalizados que também impactaram lavouras, mas de uma forma mais isolada. De qualquer maneira, a faixa central do país não repetirá as grandes produtividades colhidas na safra passada”, acrescenta Roque.

No Norte/Nordeste, a falta de chuvas começa a preocupar, embora as lavouras tenham sido semeadas mais tardiamente. Neste momento, as lavouras continuam com a maior parte de seu potencial produtivo, embora o mesmo também seja inferior ao da safra passada. “O clima continua como fator fundamental pelos próximos 90 dias. É importante que a regularidade das chuvas retorne para todos os estados produtores, mas principalmente para os estados do Norte/Nordeste. A confirmação do El Niño acende um alerta ainda maior para a safra brasileira”, explica.

As próximas quatro semanas serão decisivas para a definição das produções dos estados do Centro-Oeste e do Sudeste, além do Paraná. O retorno da umidade pode impedir que as perdas se alastrem. Apesar disso, as previsões apontam para poucas chuvas na faixa central do país nas próximas duas semanas, o que pode trazer aumento nas perdas. “A atenção permanece redobrada. A única certeza é que os problemas acumulados até o momento irão impedir que o Brasil colha mais uma safra recorde nesta temporada”, completa o analista.

Data: 11/01/2019
Fonte: Safras & Mercado

Últimas notícias