Sustentabilidade

PLANTAS DE COBERTURA que protegem os solos do Cerrado

Espécies como braquiária ruziziensis, feijão-bravo-do-ceará, crotalária-juncea, milheto e outras contribuem para a proteção e a melhoria do solo, ao manter umidade, cobertura e diversidade de resíduos nos sistemas agrícolas e até reduzir a necessidade de fertilizantes nitrogenados, além de controlar pragas

Arminda M. de Carvalho, pesquisadora da Embrapa Cerrados

De acordo com projeção da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, 2017), a produção agrícola global de alimentos precisa ser 60% superior à atual para atender à demanda da população mundial, que deverá atingir 9 bilhões de pessoas em 2050. Anualmente, mais de 3 milhões de toneladas de fertilizantes são necessárias para manter as elevadas produtividades das culturas, como o milho e a cana-de-açúcar, que possuem altas demandas de nitrogênio (N). O uso de leguminosas que fixam biologicamente o N (por exemplo, mucunas, feijão-bravo-do-ceará, feijãode-porco, guandu e crotalária-juncea) em sistemas agrícolas pode representar a incorporação de até 230 quilos/hectare de N, reduzindo as quantidades de fertilizantes nitrogenados aplicados. O uso de plantas de cobertura, seja em rotação, sucessão ou consórcios, é fundamental para a implantação de sistema plantio direto (SPD) com qualidade, principalmente no sentido de incrementar estoques de carbono (C) e N no solo, contribuindo, assim, para mitigação dos gases de efeito estufa (GEEs) e das mudanças climáticas. A ciclagem de nutrientes também será favorecida, podendo propiciar condições de menores exigências em N via fertilização, sobretudo no milho e em outras gramíneas, como canade-açúcar e braquiárias (Brachiaria spp.), que demandam maiores doses de fertilizantes nitrogenados. A redução das quantidades aplicadas desse insumo refletirá em menor N mineral do solo, consequentemente diminuindo a lixiviação d...

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