Palavra de Produtor

ATÉ QUANDO?

Palavra

Rui Alberto Wolfart

Há 76 anos, em 1944, uma das razões da criação da revista A Granja foi a necessidade de o setor leiteiro gaúcho ter um canal para repercutir o que acontecia nessa importante atividade econômica. O Rio Grande do Sul, já em 1936, constituiu a Associação dos Criadores do Gado Holandês. Em 1937, o governo estadual gaúcho implantou o Entreposto do Leite, por meio da Sociedade Anônima Beneficiadora do Leite (Sabel), para beneficiar e pasteurizar leite, buscando atender à demanda da população de Porto Alegre. Faço esse retrospecto histórico buscando contextualizar porque até hoje as políticas públicas nacionais não contemplam adequadamente o setor leiteiro. São aproximadamente 6 milhões de pessoas, pequenos produtores em sua grande maioria, que produzem leite sem que existam mecanismos de proteção – entre eles, uma política de remuneração básica pelo litro produzido. Esses pequenos se dedicam à produção e produzem em todos os cantos do Brasil, fazendo girar a economia dessas comunidades onde lá vivem, mas conferindo um efeito multiplicador no tecido social do extrato inferior de renda do brasileiro. O preço atualmente recebido pelo leite produzido é vil e, novamente, não cobre os custos de produção, como em tantos momentos passados. A torpeza é continuada, com a importação disfarçada, na qual são empregados mecanismos de triangulação por meio do Mercosul, tantas vezes denunciados e jamais resolvidos. O Protocolo de Ouro Preto, que institucionalizou o Mercosul, ao não sanear as assimetrias existentes entre as partes, levou à criação consentida de privilégios a segmentos econômicos. A exemplo, ao parque industrial brasileiro, em detrimento da agropecuária e, tendo oferecido contrapartidas a países como o Uruguai e a Arg...

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