Seed Point

Inteligência artificial no CONTROLE DE QUALIDADE

Algoritmos possibilitam estimar parâmetros morfológicos e fisiológicos das sementes, como aparência, cor, tamanho e formato, vigor de lotes e muito mais

Raquel Maria de Oliveira Pires, professora da Universidade Federal de Lavras/MG, [email protected]; e Dayliane Bernardes de Andrade, pós-doutoranda da Universidade Federal de Lavras/MG

O que é inteligência? Essa palavra de difícil definição é considerada como um conjunto que forma todas as características intelectuais de um indivíduo, ou seja, é a capacidade mental de conhecer, compreender, planejar, raciocinar, resolver ideias, pensar e interpretar. É o que principalmente distingue o ser humano de outros animais, sendo que, etimologicamente, a palavra inteligência faz referência à capacidade de escolha de um indivíduo entre as várias possibilidades ou opções que lhe são apresentadas.

Nós, humanos, ainda contamos com o privilégio de termos à nossa disposição uma máquina incrível e absolutamente perfeita para armazenamento dessa inteligência: o nosso cérebro. As bilhões de células nervosas presentes nesse instrumento o tornam incrível não somente pela sua habilidade em aprender coisas novas, mas também pela sua capacidade de armazenar lembranças, sentir, reagir e ter respostas e decisões imediatas aos desafios cotidianos. Porém, embora nós, humanos, precisemos de um único equipamento – o nosso cérebro – para executar qualquer atividade que requer inteligência, infelizmente na implementação de inteligência artificial não é bem assim. Não existe na ciência, hoje, um único algoritmo que seja tão versátil como o nosso cérebro, capaz de ser treinado para fazer todas as coisas.

Algoritmos treinados para uma tarefa

Por mais que seja um termo atualmente recorrente em nosso dia a dia, a inteligência artificial é definida como o ramo da ciência da computação que lida com a automação do pensamento e o comportamento inteligente. Na prática, é dizer que os pesquisadores focam em alguma característica particular da inteligência e constroem sistemas para auxiliar os humanos na solução de problemas complexos, por meio do uso de algoritmos treinados para realizarem uma tarefa de forma inteligente, muitas das vezes tão complexas que são próximas às do cérebro humano. Seu objetivo é o desenvolvimento de mecanismos capazes de simular o raciocínio humano, fazendo o que humanos fazem, mas, se possível, fazendo melhor, mais rápido, ao menor custo e sem cansar.

Popularizaram-se muito, nos últimos anos, graças aos crescentes volumes de dados disponíveis, algoritmos avançados e melhorias no poder e no armazenamento computacionais, com aplicações e inegável sucesso em várias áreas do conhecimento, como filosofia, psicologia, física, matemática, educação, neurociência, medicina, arte e agricultura, sendo responsável por mudanças significativas em nosso mundo e na nossa maneira de viver.

No contexto da agricultura, é a mais forte aliada para uma produção mais rápida, lucrativa e sustentável. Somente nos últimos sete anos, foram contabilizados 181 depósitos, de acordo com a World Intelectual Property Organization (Figura 1), com uma parcela significativa de participação das startups do agronegócio.

Fato é que, quando o assunto inteligência artificial ganha um âmbito ainda maior ao ter associado o seu uso em benefício à sociedade no quesito segurança alimentar, o número de pesquisas relacionadas ao assunto cresce exponencialmente (Figura 2), com mais de 39 mil artigos científicos publicados somente nos últimos quatro anos.

Semente de elevada qualidade

Neste contexto, para garantir o acesso regular e permanente da população mundial a alimentos em qualidade e quantidade que sejam socialmente justas, ambiental e economicamente sustentáveis, a inteligência artificial e as incessantes pesquisas relacionadas ao assunto têm sido utilizadas como grandes aliadas. Entre essas pesquisas, destacam-se àquelas relacionadas ao insumo semente de elevada qualidade, que tem assumido o protagonismo das inovações tecnológicas, como o insumo básico e indispensável ao sistema produtivo e a garantia de alimentos à população crescente.

Avaliar a qualidade dessas sementes é informar o agricultor se as sementes que ele adquiriu vão se expressar no campo mesmo em condições de estresse, se vão apresentar uma maior velocidade de germinação e emergência, e se terão a formação de um estande adequado, uniforme e vigoroso, proporcionando os melhores resultados pela maximização dos demais insumos aplicados nos solos e, consequentemente, o retorno do seu investimento. Para tanto, é necessária a utilização de testes que avaliem a qualidade dessas sementes, com características que justifiquem seu uso como parte do controle interno de qualidade, ou seja, testes que sejam eficientes, rápidos, de menor custo, objetivos e reprodutíveis.

Adicional a isso, empresas vêm acrescentando como tendência em seus programas internos a análise de sementes e plântulas por meio de imagens digitais e softwares que utilizam a inteligência artificial na tomada de decisão. A intensificação do seu uso é favorecida pela redução ainda maior do tempo de análise, pela consistência das informações que podem ser extraídas, pela pouca interferência humana por ser um processo automatizado, além de ser um método não destrutivo que viabiliza o material para avaliações posteriores. É possível estimar parâmetros morfológicos e fisiológicos das sementes, como aparência, cor, tamanho e formato, avaliação do crescimento de plântulas, vigor de lotes, identificação de cultivares, avaliação da pureza física, estudos de genética e melhoramento, entre outros.

As pesquisas que utilizam inteligência artificial na avaliação da qualidade de sementes estão em pleno crescimento e com resultados promissores. A Universidade Federal de Lavras/MG têm contribuído muito na validação do uso dessa tecnologia para avaliação da qualidade fisiológica de sementes de diferentes espécies, como milho, café, tabaco e soja (Pinto et al., 2015; Abreu et al., 2016; Andrade, 2017; Ávila, 2017), e também na avaliação da eficiência do sistema na detecção de sementes esverdeadas e na diferenciação de cultivares em lotes de soja (Andrade, 2014; Andrade et al., 2016), com pesquisas já publicadas e diversas outras em andamento.

É desafiador pensar no cenário tecnológico do campo daqui a dez ou 20 anos. A revolução digital agrícola já está acontecendo, e todos são parte dela. Otimizar processos, facilitar a comunicação, auxiliar as tomadas de decisões, extrair maior quantidade de informações são estratégias necessárias para o sucesso de qualquer empresa, seja ela sementeira ou outras da esfera do nosso agronegócio.

Dessa forma, a adoção de softwares que utilizam a inteligência artificial na análise de sementes é uma tendência no controle de qualidade. No entanto, é necessário desenvolver e validar metodologias para diferentes espécies para a padronização de seu uso e efetiva contribuição na avaliação da qualidade de sementes comercializadas no Brasil.


Pioneer avança na liderança de milho verão e safrinha

A Pioneer, marca da Corteva Agriscience, segue líder pelo 14º ano consecutivo no mercado de sementes de milho no Brasil, de acordo com pesquisas da Kleffmann (verão) e da Spark (safrinha). Entre os dez híbridos mais vendidos, quatro são Pioneer: o P3707VYH é o mais utilizado na safrinha, e o 30F53 segue como o híbrido de verão mais vendido há 13 anos – e como um dos mais vendidos no mundo. “A Pioneer foi a primeira empresa a produzir e comercializar milho híbrido no mundo e tem a pesquisa e a inovação em seu DNA. Desde que se tornou uma das marcas da Corteva, há três anos, vem crescendo 500 mil sacas de milho ao ano no País”, afirma Ecli Ávila, líder da Pioneer no Brasil e no Paraguai.

Brandt do Brasil fortalece sua equipe

Para dar suporte ao crescimento esperado em 2021 e um foco ainda maior no atendimento aos clientes, a Brandt do Brasil fortalece áreaschave e amplia a equipe. O diretor de Inovação e Tecnologia, Antonio Coutinho (à esq.), assume a diretoria da implementação da nova unidade fabril em Londrina/PR, além do mercado de citros; Samuel Guerreiro (meio), que desempenhava a função de diretor técnico, passa a responder pela recém-criada Diretoria de Marketing e Inovação; e Jeferson Oles (à dir.) chega para assumir a posição da Diretoria Técnica da empresa.

HÍBRIDOS DE MILHETO: GANHOS DIRETOS E INDIRETOS

Juca Matielo, diretor comercial da Atto Sementes

Quais são as principais características e os diferenciais dos híbridos de milheto ADRg 9060 e ADRg 9070?

A Atto Sementes começou a investir no melhoramento de milheto em 2002 por entender que seria uma cultura altamente sinérgica com a soja para a formação de palhada de qualidade, e, de lá para cá, o projeto só cresceu. O primeiro híbrido de milheto da Atto Sementes foi lançado no mercado em 2007, e o projeto evoluiu, sempre buscando o aumento de produtividade de grãos para gerar mais renda aos nossos clientes. Eles são recomendados para serem plantados na segunda safra, com o objetivo de produção de grãos. Os grãos de milheto são altamente proteicos, com teor de proteína bruta chegando a 12%, uma ótima opção para a produção de ração para aves, em substituição ao milho e ao sorgo. É usado in natura, ou seja, não precisa moer, com isso, tem economia com energia elétrica. O mercado de grãos de milheto já está consolidado por sua qualidade e seus diferenciais, e, por isso, apresenta alta liquidez, com preços atingindo 90% do preço do milho na maioria das regiões produtoras. O milheto também traz outros benefícios. Por ter um sistema radicular profundo e abundante, ele recicla os nutrientes do solo que se encontram nas faixas mais profundas, disponibilizando esses nutrientes para a cultura subsequente. Além disso, por ser uma cultura mais eficiente, exige menos recursos hídricos, o que o torna uma excelente alternativa para os plantios após dia 25 de fevereiro.

Especificamente quanto aos nematoides, o que esses híbridos propiciam à safra posterior de soja?

Os híbridos de milheto ADRG 9060 e ADRG 9070 são considerados maus hospedeiros e reduzem a população de Pratylenchus brachyurus, fitonematoide que causa grandes prejuízos à cultura da soja. Com isso, a cultura, que é plantada subsequente ao milheto, sofre menos ou não é prejudicada pelo nematoide.

Em relação à lucratividade para o produtor, quais são as estimativas apuradas pela Atto Sementes?

Nossos estudos apontam que a utilização de híbridos de milheto podem oferecer ganhos diretos e indiretos ao agricultor. As cultivares disponíveis já entregam entre 40 e 50 sacas por hectare de grãos de alta qualidade, tornando-se uma excelente alternativa para o plantio na segunda safra. Subtraindo os custos de insumos e operações, a cultura pode deixar uma lucratividade direta de cerca de R$ 900,00 por hectare apenas com a venda dos grãos, considerando preços de outubro de 2020. Além da lucratividade gerada pela produção de grãos, os híbridos de milheto também conseguem gerar outros ganhos. Trabalhos a campo em lavouras comerciais, realizados pelo Departamento de Pesquisa Atto Sementes, demonstram que o aumento de produtividade da soja sobre a palhada de milheto pode chegar a 3,48 sacas a mais por hectare, resultado obtido na média de quatro safras consecutivas, ou seja, mais de R$ 400,00 em ganhos indiretos, considerando preços de outubro de 2020.