Fitossanidade

Tecnologias para o manejo DE PERCEVEJOS EM SOJA

Esses insetos são o grupo mais importante de pragas no período reprodutivo da cultura, ocasionando grãos atrofiados, redução da massa e do teor de óleo, além de sementes com inferior viabilidade fisiológica

Suélen Cristina da Silva Moreira, da Fundação Chapadão; e Harley Nonato de Oliveira, da Embrapa Agropecuária Oeste

A soja, cultura de grande expressão econômica mundial, é cultivada, atualmente, em 36,9 milhões de hectares no Brasil. Entre os fatores que podem afetar a produtividade e aumentar os custos de produção da cultura por hectare, é possível citar a ocorrência de pragas. Os percevejos representam o grupo mais importante de insetos-praga no período reprodutivo da cultura. As perdas ocasionadas pelo ataque de percevejos podem ser contabilizadas por grãos atrofiados, redução de massa e teor de óleo, sementes com menor viabilidade fisiológica, entre outros. Esses danos podem ser detectados nos locais de recebimento dos grãos e reduzir o valor que o produtor receberá na indústria.

O percevejo-marrom Euschistus heros é a espécie que ocorre em maior frequência e abundância, considerada de maior importância econômica para a soja, e encontra-se amplamente distribuída no País.

Entre os métodos de controle, o químico é o mais utilizado para o manejo de percevejos na cultura da soja. No entanto, apesar de ser uma importante ferramenta no controle dessa praga, sendo indispensável em muitas situações, o uso excessivo de inseticidas pode desencadear uma seleção de populações resistentes e surtos de pragas secundárias. Além disso, o emprego de produtos com elevada toxidez e pouco seletivos a insetos não alvos afeta a população de inimigos naturais presentes na cultura.

Por isso, outras ferramentas, além do controle químico, devem ser implementadas para evitar perdas. Nesse contexto, o produtor poderá contar com alternativas de manejo para a safra 2020/21.

Primeiro bioproduto

Uma novidade para esta safra é o registro do primeiro bioproduto para o controle de ovos de percevejos, o parasitoide Telenomus podisi. Aliado a isso, o produtor também pode contar com as cultivares de soja tolerantes ao ataque de percevejos, portadoras da tecnologia block (www.embrapa.br/ soja/block).

Com o objetivo de minimizar a necessidade de utilização de inseticidas químicos para controle do percevejo -marrom na soja por meio da associação entre a cultivar tolerante BRS 543 RR e liberações do parasitoide de ovos do percevejo-marrom T. podisi, um trabalho de pesquisa foi realizado na área experimental da Embrapa Agropecuária Oeste durante a safra 2018/19.

Três tratamentos

Esse experimento teve três tratamentos, sendo que, no tratamento 1, foi semeada uma das cultivares de soja predominantes na região, sem tolerância a percevejos. Quando, nas amostragens semanais, observou-se o nível de infestação com dois percevejos por pano de batida, foi realizada a pulverização com inseticida para controle do percevejo. No tratamento 2, semeado com a mesma cultivar de soja predominante na região e sem tolerância a percevejos, para controle dos insetos, foram realizadas três liberações do parasitoide de ovos T. podisi, com a população de 10 mil parasitoides/hectare em cada uma das liberações. No tratamento 3, foi realizada a semeadura da cultivar BRS 543 RR, tolerante ao percevejo. Nessa área, também foram realizadas três liberações do parasitoide T. podisi (10 mil parasitoides/ hectare) para o controle de percevejos.

Essas áreas foram monitoradas semanalmente com a utilização do pano de batida, pelo qual se registrou o número de percevejos. No tratamento 1, área com soja sem tolerância, foram necessárias duas aplicações de inseticidas em R5.4 e R7 (Figura 1). No tratamento no qual se utilizou somente o parasitoide T. podisi para controle do percevejo-marrom (Tratamento 2), a população atingiu 5,25 percevejos por pano de batida na fase R9 (Figura 1). Na área cujo controle do percevejo foi realizado por meio do uso da cultivar BRS 543 RR (Tratamento 3), associado a liberações do parasitoide T. podisi, somente se verificou o alcance do índice populacional preconizado para controle na última amostragem (2,25 percevejos/metro), realizada na fase fenológica R7 (Figura 1).

Na ocasião em que o experimento foi instalado, as liberações de T. podisi utilizadas de forma isolada não conseguiram conter o avanço populacional do percevejo durante todo o período reprodutivo da cultura, o que pode ser verificado na avaliação do efeito da soja tolerante associada às liberações do parasitoide. Vale destacar que, na área onde se realizou o controle químico, as pulverizações foram pautadas nos princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), por meio do monitoramento constante durante a condução da lavoura, sendo esse o fator-chave no sentido de evitar que as aplicações de inseticidas sejam realizadas indiscriminadamente.

Sem inseticidas é possível

Os resultados obtidos nesta avaliação demonstram a possibilidade de se produzir soja sem aplicação de inseticidas, reduzindo, assim, a pressão de seleção e auxiliando no manejo da resistência, trazendo ganhos ambientais, sociais e econômicos, evidenciando o marco de um novo momento para a sojicultora brasileira que viabiliza a real implantação do MIP, que preconiza o controle de pragas por meio da associação de diferentes táticas, tais como o uso de cultivares tolerantes, o controle biológico e a utilização de agrotóxicos de maneira racional, priorizando inseticidas seletivos e mais seguros ao homem e ao meio ambiente.

Nova linha de herbicidas da lhara

A Ihara lançou sua nova linha de herbicidas pré-emergentes, que se destacam pelo longo residual, pela alta seletividade e pelo controle das principais daninhas resistentes. São eles: Kyojin (para pé-de-galinha, buva, digitaria, entre outras, em soja e milho); Yamato (para azevém, entre outras, no trigo, com aplicação em pré-emergência); Falcon (para folhas largas e estreitas em cana, café, citros, eucalipto, pinus e mandioca); e Ritmo (exclusivamente para cana). “Estes novos produtos nos dão a certeza de que estamos contribuindo para a prosperidade da agricultura, seja pela proteção mais efetiva dos cultivos ou pela melhoria do manejo de resistência”, afirma André Nannetti, gerente-geral de Marketing da Ihara.

Cultiv-e, plataforma digital de conteúdo e interação

Fernando Arantes, gerente de Marketing de Fungicidas da UPL Brasil

O que é a plataforma digital Cultiv-e de conhecimento sobre boas práticas de manejo de doenças na soja?

Cultiv-e é uma plataforma digital com conteúdos técnicos voltados para ajudar os agricultores a protegerem mais suas lavouras contra o complexo de doenças da soja. Essa plataforma atende agricultores, revendas, cooperativas e colaboradores UPL. Com essa iniciativa, a UPL tem a pretensão de aumentar ainda mais a interação com os agricultores por meio de conhecimentos e conteúdos técnicos sobre boas práticas de manejo do complexo de doenças em soja, como ferrugem asiática, mancha alvo, cercospora, septória e oídio. A iniciativa faz parte de uma estratégia global da UPL de contribuir com soluções inovadoras e sustentáveis para a produção de alimentos, uma demanda cada vez maior não apenas no Brasil, mas no mundo. O ensino a distância, que tem ganhado destaque durante a pandemia da Covid-19, é uma alternativa eficaz para levar informação a todo o País. Temos a proposta de agregar valor à cadeia de produção de alimento por meio de uma jornada digital de aprendizagem, que traz características e benefícios das nossas soluções para o manejo de doenças na soja, contribuindo, assim, para que os agricultores mantenham altos índices de produtividade.

Como o produtor de soja pode usufruir esta plataforma no cotidiano de seu trabalho na lavoura?

O conteúdo será disponibilizado gratuitamente para agricultores, revendedores e colaboradores da empresa em um portal exclusivo, e será um amplo referencial para que esses profissionais fiquem por dentro do que há de mais atual no estudo sobre doenças na soja. Afinal, conhecer a fundo os problemas e as soluções disponíveis para o adequado manejo preventivo de doenças é cada vez mais importante, tendo em vista que muitos fungos acabam criando resistência a determinados grupos químicos, causando um prejuízo que pode ser superior a R$ 150 bilhões, considerando apenas a ferrugem, um dos principais problemas da soja, ao lado da antracnose e da mancha alvo, que são igualmente preocupantes para os agricultores.

Quais os diferenciais dos fungicidas Unizeb Gold e Tridium no manejo das principais doenças da soja?

Unizeb Gold é o primeiro fungicida multissítio para soja lançado no mercado brasileiro. Em seis safras, essa solução já tratou com sucesso mais de 115 milhões de hectares. Além da ferrugem asiática e da mancha alvo, o produto tem registro para o tratamento de mancha parda e mancha púrpura da semente. Nossas pesquisas já constataram que 98% dos agricultores que utilizam esse produto, líder em sua categoria, comprovaram visualmente o manejo mais eficiente das principais doenças e, consequentemente, o aumento de produtividade em suas lavouras, que é o nosso objetivo principal. Já Tridium é uma formulação tripla que assegura proteção máxima desde o pré-fechamento das entrelinhas. Os fungicidas da UPL se diferenciam pela eficiência no manejo da resistência, um dos ideais que estão na base da nossa credibilidade, que se resume em ajudar o agricultor a produzir cada vez mais e com sustentabilidade. Investimos em inovação para beneficiar a segurança alimentar do planeta.